A seleção brasileira teve uma estréia tumultuada por muitos erros, mas se valeu de sua superioridade física e técnica para derrotar a Argentina por 72 a 62 em sua estréia no Pré-Olímpico de Valdivia, no Chile, nesta quarta-feira.
Na estréia de Paulo Bassul, a equipe se viu atrapalhada em quadra quando o técnico procurou fazer o rodízio em seu elenco, algo que considera fundamental para fazer valer seu sistema.
Isso ocorreu especialmente no quarto período, no qual as reservas não mantiveram uma produção consistente e permitiram que as rivais - que etavam sem foça máxima - seguissem com chances até os minutos finais. Ao todo, foram 22 desperdícios de posse de bola.
"Não foi um jogo brilhante, mas foi uma estréia importante. Era um jogo tenso para nós. Largar na competição com vitória no jogo que acredito ser a final da chave. Tivemos muitos altos e baixos, a gente oscilou demais. Alguns momentos, a equipe esteve muito solta, em outros errou muito", disse Bassul à "ESPN Brasil". O treinador deu nota "6,5 ou 7,0" para a seleção.
A ala Iziane foi a cestinha brasileira, com 22 pontos, mas teve um rendimento irregular, se precipitou muitas bolas de longa distância (seis erros em seis chutes) e pecando na linha de lances livres (53,3%).
A equipe volta à quadra nesta quinta-feira, às 17 h (horário de Brasília), para enfrentar as donas da casa pela segunda rodada do grupo A. As duas primeiras se classificam para a semifinal. Apenas as campeãs do torneio asseguram vaga direta nos Jogos de Pequim-2008.
O Brasil iniciou a partida com tudo, e a expectativa era a de que o time poderia conseguir um triunfo com vantagem expressiva. A equipe instaurou uma "blitz" que impediu que as rivais pontuassem nos primeiros 2min50s. Esse ritmo continuou até que o placar chegou a 13 a 2, com mais dois minutos jogados.
Quando as argentinas passaram a alternar sua defesa e partiram para a marcação por zona com muita ajuda, forçaram passes errados por parte das comandadas de Bassul e arremessos de longa distância desequilibrados. Esse foi o pior fundamento do time - em sete tentativas nos primeiros 20 minutos, o time não converteu nenhuma; no geral, foi uma certa e 11 fora do alvo. Outro ponto falho era o rebote: mesmo com mais tamanho e capacidade atlética, a seleção apanhou um menor número que o das adversárias.
A seqüência de ataques em vão deixou a defesa desguarnecida e permitiu que as rivais se aproximassem. Já no fim do primeiro quarto, a liderança era só de 15 a 12. Esse panorama não foi alterado até a metade da segunda parcial. Quando a Argentina ficou a apenas dois pontos, com 28 a 26, a 4min14, o treinador pediu um tempo. Após essa parada, o time voltou a deslanchar. Anotou dez pontos em seqüência e abriu 38 a 26 - venceu o primeiro tempo por 38 a 28.
No terceiro quarto, com mais cuidado com a bola, a seleção parecia tomar a partida pelas rédeas. Passou a dominar os rebotes, explorou com mais eficiência o jogo interior. Depois de vencer o período por sete pontos, abriu 62 a 45.
Esse domínio, porém, durou pouco. Para os dez minutos finais, o ataque se desajustou e o aproveitamento voltou a cair com as substitutas em ação. As aguerridas argentinas tiraram ponto a ponto, marcando forte. A 4min46s do fim, o placar era de 63 a 57. Uma nova intervenção de Bassul ajudou a frear a derrocada brasileira.