A condição dos países europeus de "pedra no sapato" do basquete norte-americano já cruza a barreira do campo esportivo, das disputas das seleções nacionais, e passa para a seara econômica. Emergentes, com alta de popularidade, direitos de TV e renda, os clubes do continente já causam na NBA baixas para a temporada 2007-2008, que começa nesta terça-feira com três jogos.
| ROTA EUROPA - EUA |
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 Scola (esq) cumprimenta Navarro em jogo da pré-temporada da NBA em Houston |
Dois nomes de grande relevância no basquete europeu abriram mão de salários mais altos para se testarem na NBA: o argentino Luis Scola (Houston Rockets) e o espanhol Juan Carlos Navarro (Memphis Grizzlies). Ambos são considerados vitais para o sucesso de suas novas equipes.
Maior cestinha da história da Euroliga, Scola chega aos Rockets com a esperança de ser o parceiro ideal de garrafão para o gigante Yao Ming. Sua experiência internacional deve aliviar a transição para uma liga completamente diferente. "Quando viajo para tantas cidades novas, quando lido com as nuances das regras, me sinto como um novato. Mas, ao mesmo tempo, acredito que estou preparado para contribuir com a franquia", afirmou.
Já Navarro é mais um integrante da geração espanhola campeã mundial na liga norte-americana, ao lado de Pau Gasol, Jorge Garbajosa, José Calderón e Sérgio Rodríguez. Em Memphis, ele reencontra Gasol, seu parceiro de Barcelona e um de seus grandes companheiros fora de quadra. Sua missão é trazer experiência e pontuação aos Grizzlies, vindo do banco de reservas. |
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Um número crescente de atletas começa a tomar outras rotas no momento de cruzar o Atlântico - em vez de destino, as cidades dos Estados Unidos viram pontos de partida para lugares como Atenas, Barcelona, Milão ou mesmo Kaunas, na Lituânia.
As equipes da Euroliga ainda não desfrutam do poderio suficiente para brigar pelas grandes estrelas norte-americanas e internacionais. Ainda estão longe de arcar com os US$ 51 milhões que Kevin Garnett vai receber em três anos no Boston Celtics. Ou mesmo os US$ 45 milhões que o argentino Andrés Nocioni ganhará em seis anos no Chicago Bulls.
Mas, em um patamar abaixo, alguns alvos já são atingidos. Atual campeão continental, o Panathinaikos acertou com o armador lituano Sarunas Jasikevicius por cerca de US$ 6 milhões anuais, superando a concorrência de Cleveland Cavaliers e Miami Heat. O ala-pivô Chris Webber recebeu do Olympiacos proposta de US$ 10 milhões por dois anos, algo que nenhum time da NBA lhe estendeu - no fim ele a recusou para ficar nos Estados Unidos, ainda que sem clube.
"A Europa já é uma ameaça concreta", afirmou o gerente geral do Toronto Raptors, o italiano Maurizio Gherardini ao jornal "Toronto Star". O dirigente foi um dos principais nomes na aproximação entre o basquete europeu e a NBA, nos tempos de chefão do Benneton Treviso.
O Panathinaikos também convenceu o escolta grego Vassilis Spanoulis a desistir de ser coadjuvante de Manu Ginóbili no San Antonio Spurs para dar suporte a Jasikevicius nesta temporada. Entre outros que partiram estão o uruguaio Esteban Batista (Maccabi Tel Aviv) e até o pivô Rafael "Baby" Araújo (Spartak São Petersburgo, na Rússia). Sem contar uma extensa legião norte-americana, ex-escolhas de "draft" de primeira rodada como DaJuan Wagner, DeMarr Johnson, Qyntel Woods, que preferiu tentar a vida de estrela no exterior a ficar como a 12ª opção de uma franquia da liga de seu país. No ano anterior, os croatas Zoran Planinic e Mario Kasun, o lituano Arvydas Macijauskas, o tcheco Jiri Welsch estiveram entre os que foram embora.
"Acho que os times da NBA precisam entender que as equipes européias podem colocar bons contratos na mesa, algo que não se podia imaginar alguns anos atrás", disse Gherardini. "Ninguém esperava que ela se tornasse uma alternativa tão qualificada nos últimos três anos, mas aconteceu."
Se alguns dirigentes ainda não se deram conta dessa "ameaça", os agentes e os jogadores já estão bem a par do novo poder de barganha. Quando manifestou o interesse de deixar o Utah Jazz no mês passado, o russo Andrei Kirilenko disse que não se importaria em rescindir um contrato de US$ 63 milhões para voltar ao seu país - tinha o CSKA prontamente interessado. Já Anderson Varejão e o sérvio Sasha Pavlovic tentaram pressionar o Cleveland Cavaliers com algumas a via européia.
"Ainda acredito que nunca haverá dinheiro o suficiente para atrair as superestrelas para a Europa", disse o cartola italiano. "Mas para um jogador mediano, se ele tiver uma oferta de lá, é melhor você não subestimar isso. Você tem de respeitar o crescimento do basquete na Europa, porque as pessoas amam basquete e isso está crescendo a cada ano."