UOL Esporte Basquete
 
30/10/2009 - 14h59

Com "acesso restrito", novas vagas no NBB custarão, no mínimo, R$ 200 mil

Bruno Doro
Em São Paulo

"A LIGA NÃO VAI ABRAÇAR O BRASIL"

  • Luiz Doro/Local

    No lançamento do NBB, nesta sexta-feira, o presidente Kouros Monadjemi afirmou que o objetivo da liga não é se espalhar pelo Brasil. Segundo ele, essa função é da CBB. Confira os principais trechos da entrevista:

    Novos times vão ser admitidos no NBB? Times de fora do eixo sul-sudeste poderão entrar?
    A liga não vai abraçar o Brasil. Mas a CBB faz as Copas Brasil, torneios regionais. Então, quem quiser entrar na Liga, disputa as Copas e os dois finalistas destas regionais podem solicitar a entrada. Mas vão ter que disputar contra os dois últimos colocados dessa edição do NBB, em um quadrangular. Se os fundadores não se classificarem, ficam até dois anos inativos, até montar um time competitivo. Se o time que vencer não form membro, poderá entrar, desde que pague a franquia e apresente o nível técnico exigido.

    O valor de R$ 200 mil por franquia é muito superior aos R$ 40 mil pagos no ano passado. Não é um exagero?
    Esse valor depende da receita da liga. Se eu tenho patrocínio de R$ 5 milhões, esse dinheiro é dos clubes. Vou dividir para os membros e cada um vai receber R$ 500 mil. Se essa é a situação, porque vou cobrar só R$ 40 mil para depois distribuir R$ 500 mil?

    Essa medida não pode impossibilitar a entrada de alguns times?
    Isso é algo que temos de prever. A Liga Nacional não é pra quem quer entrar. É para quem pode entrar. Se eu tenho elenco, tenho verba, posso entrar. Porque eu vou receber receita e terei um retorno. Não adianta apenas querer, tem que ter qualificação. É um processo profissional.

A segunda edição do NBB começa no domingo, mas muitos clubes já pensam no campeonato de 2010. A liga estréia um sistema de acesso e rebaixamento em 2009, que, na teoria, pode trazer dois novos times ao torneio. Na prática, apesar da abertura para novos membros, o caminho até lá é difícil.

Quem quiser, terá de passar pelas Copas regionais, organizadas pela CBB, vencer um quadrangular contra os dois piores da NBB. Só então estará qualificado a pagar a franquia, avaliada em R$ 200 mil - o valor é cinco vezes maior do que o pago pelos times que hoje disputam a competição.

O Paysandu, um dos times que tentou a inclusão na segunda edição do NBB, comemorou o sistema, mas questionou os valores. "É uma proposta interessante. Eu só pergunto o motivo de cobrar R$ 200 mil, se os times que estão lá pagaram muito menos. O Paysandu poderia pagar esse valor, mas precisaria saber o que teria em troca", disse Guy Peixoto, ex-jogador de basquete e presidente do Grupo Horizonte, parceiro do clube paraense no basquete.

Kouros Monadjemi, presidente da Liga Nacional de Basquete (LNB), que organiza o NBB, explica o custo da franquia. "Não é justo cobrar de um time novo o mesmo que os clubes fundadores pagaram. O NBB teve um sucesso muito grande na primeira edição, agregou muito valor aos times. Eu não posso cobrar R$ 40 mil de um clube se eu vou distribuir, na seqüência, R$ 500 mil na divisão dos lucros da liga", afirmou o dirigente.

Presidente da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), Carlos Nunes apoiou a decisão de abrir o NBB, mas não tem certeza se os classificados chegarão ao torneio. "Os clubes que disputam a Copa Brasil, hoje, não são fortes o suficiente. Até porque, jogavam os torneios sem um objetivo maior", analisou.

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