Depois da queda de Popó e sua aposentadoria, o boxe profissional brasileiro sofre para encontrar um novo ídolo. Carlos Nascimento, mais conhecido pela alcunha de Açougue, chegou perto do título. E, apesar de ter sido derrotado, o carioca tenta a volta por cima. Após fazer um retiro no México, para aprender e ganhar experiência, volta ao ringue em um templo do pugilismo, o Madison Square Garden, em Nova York.
O peso médio ligeiro Açougue terá pela frente o polonês Pawel Wolak, que, como ele, chega para o combate com apenas uma derrota no cartel. A intenção de ambos é a mesma: vencer e se credenciar para disputar o título mundial da categoria.
TESTE PARA A VOLTA POR CIMA
No caso do brasileiro, o sonho ficou próximo em maio de 2007, quando ele viajou a Hamburgo, na Alemanha, para enfrentar o campeão da Organização Mundial de Boxe - até hoje -, Sergiy Dzinziruk. Inexperiente, tinha apenas 15 lutas no cartel e o apelido surgiu exatamente por causa de seus 15 nocautes. Na Alemanha, foi ele quem terminou a luta na lona, após 11 assaltos.
A decisão de seu empresário, Edu Mello, foi tirar o lutador de seu habitat natural. A escolha pela cidade de Tijuana, no México, foi devido à qualidade de técnicos e lutadores. "A diferença lá é que há muito apoio e incentivo ao boxe", diz o lutador, de origem humilde, que voltou a treinar em Santana do Parnaíba (SP). "Foi uma experiência muito boa, o México é um país parecido com o Brasil, com pessoas sofridas, mas que me receberam muito bem."
O apelido de Açougue continua, garante ele, mas há diferenças em seu estilo de lutar, devido à passagem por Tijuana. "Melhorei tecnicamente, estou mais consciente e experiente. Fiquei menos agressivo, mais técnico, mas o apelido ainda está valendo", brinca ele. "Quando eu perdi, sabia que faltava algo a mais, por isso fui para o México aprender e ver onde errei."
AÇOUGUE X WOLAK
24
VITÓRIAS
Tem cada lutador, com apenas uma derrota na carreira
3
CENTÍMETROS
É a diferença de altura; brasileiro é mais alto e leva vantagem
Desde a derrota na disputa pelo cinturão, são oito vitórias consecutivas para Carlos Nascimento. No entanto, boa parte delas foi contra rivais sem expressão e com muitas derrotas na carreira. O último combate foi em Las Vegas, quando venceu Juan Pablo Montes de Oca, mais um mexicano, por pontos. Em Nova York, será seu grande teste.
"É um sonho de todo mundo chegar até aqui e lutar num lugar como esse. Graças a Deus posso honrar a bandeira do Brasil", comenta o lutador, que chegou com dez dias de antecedência a Nova York e aproveitou para relaxar e até conhecer pontos turísticos. "A luta vai ser uma briga boa, mas estou preparado para vencer por nocaute."
O polonês radicado nos Estados Unidos, de 28 anos, tem 24 vitórias em seu cartel e uma derrota, número idêntico ao de Açougue. Ele foi derrotado em agosto de 2008, por pontos, e desde então triunfou nas três lutas feitas.
Cubanos e título em disputaO Madison Square Garden terá uma disputa de título mundial como principal atração na programação de sábado. Juan Manuel Lopez, de Porto Rico, é o atual campeão dos supergalos pela OMB e parte para a sua quinta defesa de cinturão em apenas quatro anos como profissional.
Invicto em 26 lutas e com um cartel impressionante com 24 nocautes, ele terá pela frente Rogers Mtagwa. Vindo da Tanzânia, o desafiante não deve oferecer perigo, pelo retrospecto de 26 vitórias, 12 derrotas, e dois empates na carreira.
Os cubanos são outro destaque. Na segunda luta mais importante da noite, Yuriorkis Gamboa (15 vitórias, invicto) enfrenta Whyber Garcia. Primeiro cubano a ter um título, ele defende o cinturão interino dos penas pela Associação Mundial de Boxe pela primeira vez.
Já o peso pesado Odlanier Solis tenta se manter 100% em vitórias (são 14) contra Monte Barrett (34 vitórias, sete derrotas), que vem de derrota contra o ex-campeão dos cruzadores David Haye. Barrett já lutou pelo título, mas perdeu para Nikolay Valuev em 2006.