Oficialmente, o boxe feminino só será reconhecido a partir de 2010, quando passará a ter apoio regular da Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe) e parte da verba que é destinada à modalidade pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB). No entanto, um resultado positivo bastou para que as brasileiras ganhem forças e já sejam vistas como prioridade rumo aos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.
PROVOCAÇÕES E A REDENÇÃO AO BRASIL
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Seleção feminina comemora o título inédito conquistado em Guayaquil, no Equador, na 5ª
Ainda sem tradição no boxe feminino, as brasileiras tiveram de agüentar até piadinhas na chegada a Guayaquil, antes do início do Pan da modalidade. Um técnico da equipe mexicana não deixou barato. "Ele chegou e perguntou se tínhamos plano de saúde. Não entendemos nada e ele falou assim: 'porque vamos matar vocês'", conta Roseli Amaral, bronze no Equador. Mas o resultado falou por si só. "Quando terminou, todos os países comentaram o resultado e vieram nos elogiar", concluiu a lutadora.
O boxe feminino foi incluído no mês de agosto no programa olímpico e fará sua estreia na Inglaterra. Assim, o Pan-Americano da modalidade foi a última competição em que a modalidade apareceu sem o status de "olímpica". E o resultado não poderia ser melhor. O Brasil foi campeão no quadro de medalhas, em resultado inédito tanto para as meninas quanto para o masculino.
"Foi maravilhoso", comentou Roseli Amaral, da categoria até 75 kg, uma das medalhistas de bronze. O Brasil teve quatro ouros, uma prata e quatro bronzes. "Ninguém esperava passar por cima dos Estados Unidos e do Canadá, que são superpotências em tudo e estavam com o time completo."
Ela mandou o recado: "os meninos que se cuidem". Até hoje a seleção feminina não tinha apoio da CBBoxe, como tem a masculina - a entidade recebe R$ 1,4 milhão por ano em repasses provenientes da Lei Piva. O primeiro foi com a viagem para o Pan no Equador, já que em outros anos elas próprias bancavam as viagens com empréstimos e até "vaquinhas".
A confederação se reunirá com o COB para decidir o quanto da verba será dedicada ao time feminino a partir de 2010, mas o presidente Mauro Silva garante que elas estão em boa posição.
"Foi a primeira vez que elas viajaram oficialmente, por ter virado um esporte olímpico só agora, e foi mostrado que elas têm potencial para chegar mais rápido que os homens à medalha olímpica", afirmou Mauro, ao
UOL Esporte, relembrando os 41 anos de jejum desde o bronze de Servílio de Oliveira nos Jogos do México. "Hoje somos o melhor boxe feminino da América e isso as deixa num patamar ótimo."
Para a reunião com o COB, será mostrado um projeto de seleção permanente, nos moldes do que já existe com os homens. Apesar de apenas três categorias estarem no programa de Londres-2012, a intenção é de que não só três atletas sejam beneficiadas com a estrutura.
OS NÚMEROS NO PAN
9
PÓDIOS
Teve o Brasil no Pan, com todas as pugilistas conquistando medalhas
4
OUROS
Faturou o Brasil, 1º no geral: Érica Matos (-46 kg), Taynna Cardoso (-57 kg), Adriana Araujo (-60 kg)
e Andrea Bandeira (-69 kg)
1
PRATA
Thais Silva (-48 kg)
4
BRONZES
Estela Soares (-51 kg), Clélia Marques (-54kg), Stephany Carvalho (-64 kg) e Roseli Amaral (-75 kg)
"Precisamos manter um grupo mínimo de atletas para que se possa fazer luvas, treinamentos técnicos e táticas e até combates. Estas lutadoras precisam ter movimentação e trabalhamos com um número de nove pugilistas para a equipe", explicou o presidente da entidade. "Com este resultado, conseguiremos uma condição melhor para elas se manterem, e para termos intercâmbios e treinamentos em alto nível". O primeiro grande objetivo é ratificar o número 1 das Américas no Pan-Americano de Guadalajara, no México, em 2011.
Além da inclusão de uma seleção permanente, o Brasil terá mais mudanças para 2010. A primeira é devido ao fato de apenas três categorias serem incluídas na próxima edição dos Jogos Olímpicos. Isso trará concorrência entre atletas que eram de diferentes pesos e terão de se adequar aos 51 kg, -60 kg ou -75 kg.O número de competições também será maior, a começar pela inclusão da modalidade nos Jogos Sul-Americanos, que serão disputados em março de 2010, em Medelín (COL).
Apesar do resultado, as brasileiras ainda têm de provar sua qualidade em nível global, já que são poucas as que disputaram o Mundial. Apenas duas representantes do país estiveram na última edição da competição, até pelo elevado custo para se bancarem sozinhas - cerca de R$ 10 mil -, o que mudará a partir dos próximos torneios, com a confirmação do apoio.