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22/10/2009 - 09h00

Brasileiro prefere beca a lutar por cinturão mundial do boxe

Eduardo Ohata
Da Folhapress
Em São Paulo
Não lutar por título em 2009. Esta foi a exigência apresentada pelo brasileiro Alex Oliveira, 24, oitavo do ranking mundial dos supergalos e, tecnicamente em condições para desafiar por um cinturão, ao assinar com o promotor que guiou Popó e Sertão a títulos mundiais.

  • Divulgação

    Alex é um dos principais nomes do país nos ringues hoje em dia

Não foi por temor de enfrentar Juan Manuel 'Juanma' Lopes, apontado como sucessor de Miguel Cotto como próximo ídolo porto-riquenho nos ringues, que Oliveira abriu mão de uma das maiores ambições na carreira de qualquer pugilista.

"Nem me fale de título por enquanto. Primeiro, deixa o menino [Alex] terminar as matérias [no curso de direito] da faculdade. Aí sim, no próximo ano, dá para ele se dedicar por inteiro como um combate por título merece", explica Willian Paiva, manager de Oliveira.

Os termos foram aceitos pelo promotor norte-americano Arthur Pelullo, que programou luta não válida por cinturão mundial, dia 27 de novembro, nos EUA, para o seu pupilo.

Trata-se de uma luta mais simples, que servirá como 'cartão de apresentação' de Oliveira ao público norte-americano. É a mesma tática que foi empregada com Popó e Sertão.

Oliveira ecoa a declaração e preocupação de seu manager, que abriu mão de sua porcentagem sobre a bolsa do atleta, sobre a questão dos estudos.

"Todo mundo se espanta quando digo que faço faculdade de direito, que vou ser advogado. Geralmente acham que faço educação física. Não é comum lutador fazer curso superior, mas estou indo bem, sem tanto esforço", argumenta Oliveira.

"Minha única nota baixa foi por causa de uma luta. Não tive tempo de estudar para a prova naquele final de semana, estava muito concentrado para lutar."

'Não dá ainda para negociar meus contratos, não cheguei a esta matéria. Mas gosto do curso de direito, tenho tirado notas altas. Nem é preciso muito esforço", brinca Alex, que reside em Guarulhos (SP).

Já para o ano que vem, sem o peso dos estudos, Oliveira se mostra bastante confiante para eventual duelo com Juanma.

"Ele é alto e veloz como eu, acho que dará uma boa luta. Já vi ele treinando, quando estive em Porto Rico. Contra quem está lutando? No último combate, defendeu o cinturão da Organização Mundial de Boxe contra Rogers Mtagwa, que o Sertão nocauteou em 2004."

"Não gosto da ideia de Alex lutar com o Lopez, pois o presidente da OMB [Francisco Valcarcel] também é porto-riquenho. Se for o caso, o Alex pode baixar de categoria, lutar entre os galos", aconselha Paiva a Alex, que jamais perdeu em 16 combates no profissionalismo e definiu 12 lutas por nocaute.

Além de ter negociado com Paiva, Antonio Bernardo e Toni Auad, da equipe de Oliveira, a reportagem apurou que Pelullo visitará o país em breve para anunciar a contratação de Oliveira, mas também para tentar fechar com outros atletas nacionais.

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