UOL Esporte Ciclismo
 
19/03/2009 - 09h00

Controle antidoping usa até cabelo de Lance Armstrong

Adalberto Leister Filho
Da Folhapress
Em São Paulo
Em episódio que faz lembrar seriados policiais como CSI, o ciclista Lance Armstrong cedeu amostra de cabelo para ser submetida ao teste antidoping. A coleta foi feita nesta terça-feira, em Beaulieu-sur-Mer (próximo a Nice, na Riviera Francesa), onde Armstrong treina.

Não é comum os atletas terem que ceder amostra de cabelo. Os testes usuais, com chancela da Wada (Agência Mundial Antidoping), são feitos com urina ou sangue.

No entanto o Laboratório Nacional de Análise do Doping, de Paris, pesquisa a detecção do uso de diversas drogas proibidas através de metabólitos presentes no folículo capilar.

Segundo defensores do método, resquícios de esteroides anabólicos podem ser encontrados nos fios por mais tempo do que na urina e no sangue. Seus detratores, porém, dizem que o cabelo está mais sujeito a contaminações do ambiente.

"Isso pode gerar falsos positivos. Além disso, os atletas podem se recusar a fornecer a amostra, já que não é um teste aprovado pela Wada", pondera Rafael Trindade, coordenador médico da Agência Nacional Antidoping, ligada à Confederação Brasileira de Atletismo.

O teste não é novidade no mundo corporativo. Ele é similar ao que já é feito por grandes companhias com funcionários para descobrir usuários de drogas como maconha e cocaína.

No antidoping, porém, o método é tão recente, que especialistas confessam desconhecê-lo. "Nunca li nada em publicações especializadas", afirma Eduardo de Rose, principal especialista no assunto no Brasil.

A Wada, sem abandonar terminologia policial, diz que nenhum atleta será punido em teste de cabelo. Porém o estudo pode trazer novos elementos à luta contra as drogas.

"Até agora, segundo a maioria dos especialistas em toxicologia e em ciência forense, esse teste não é considerado de confiança para confirmar violações ao antidoping", diz Frédéric Donzé, gerente de comunicações da Wada. "Mas ele pode fornecer informações valiosas de alvos para outros testes."

É o caso de Armstrong, maior vencedor da Volta da França, com sete títulos. Se seus triunfos o alçaram à condição de mito, também geraram enormes suspeitas em um esporte manchado por vários escândalos.

Periodicamente, a imprensa francesa publica denúncias - nunca comprovadas - contra Armstrong. De volta às competições após ausência de três anos, o norte-americano se tornou alvo fácil dos controles.

O atleta, que ainda não conseguiu resultados empolgantes em sua volta, mostrou-se chateado com a desconfiança geral. "Havia passado por um controle 24 horas antes, aqui na França. Urina, sangue e cabelo", reclamou, em seu Twiter (site de mensagens curtas). "Sou limpo e nunca me preocupei com esses testes. Servem para provar que sou limpo."

A AFLD (Agência Francesa de Luta Contra o Doping), que requereu o controle, não demorou a responder. "Ele precisa saber que é igual a todos os outros [atletas]. Fazer esse teste foi uma boa maneira de mostrar isso", declarou Pierre Bordry, diretor da entidade.

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