por Daniel Tozzi

A Copa da Ásia vira o palco da ascensão de uma Nova Ordem do Futebol Mundial

Eles não são mais zebras. Não foi apenas um resultado ou uma ajuda do juiz. Seja com bom futebol, força física ou muita velocidade, cinco seleções até então inexpressivas alteraram a história do primeiro Mundial do milênio.

Nunca as quartas-de-final reuniram tantas equipes estranhas ao estrelato. Senegal, Coréia do Sul, Turquia e Estados Unidos nem sequer eram coadjuvantes até 1998.

Esses times, somados à Espanha, totalizam cinco seleções, entre as oito melhores de 2002, que nunca passaram perto do título mundial.

Em 1994, nos Estados Unidos, a mesma fase teve número idêntico de equipes que buscavam sua primeira conquista. Mas, entre elas, além dos espanhóis – campeões europeus de 1964 –, estavam a Holanda (vice em 1974 e 1978) e a Suécia, vice em 1958.

Agora, não. Ao lado do Japão, que caiu nas oitavas diante de outro emergente – a Turquia –, as equipes que outrora sequer sonhavam em chegar à segunda fase ignoram a tradição dos campeões.

A razão para a ascensão é simples: intercâmbio de técnicos e jogadores. Destes "primos pobres", apenas turcos e norte-americanos são treinados por nativos – Senol Gunes e Bruce Arena, respectivamente.

A Turquia, em contrapartida, fez valer sua insignificante presença geográfica na Europa para disputar os principais campeonatos do planeta. Os resultados começaram a surgir em meados dos anos 80.

Os EUA, após o Mundial de 1994, organizaram uma liga e melhoraram o nível de suas equipes. Fenômeno entre as mulheres, o "soccer" já é o segundo esporte mais praticado pelos jovens do país.

O francês Bruno Metsu assumiu o Senegal em outubro de 2000 e levou-o ao vice-campeonato da Copa das Nações. Além disso, os senegaleses invadiram o Campeonato Francês, com destaque para Diouf, eleito o melhor jogador africano na última temporada.

Philippe Troussier, por sua vez, chegou à seleção japonesa logo após a Copa de 1998. Além de conseguir os primeiros pontos nipônicos num Mundial, levou os donos da casa à segunda fase.

"Eles (japoneses) provaram que podem enfrentar os melhores times do mundo. Serão reconhecidos na Europa", comentou Troussier, que é cotado para comandar a renovação da seleção francesa, humilhada na Ásia sob o comando de Roger Lemerre.

Exemplo ainda maior de confiança vem do holandês Guus Hiddink, técnico da Coréia do Sul. "Quero entrar para a história tentando fazer o que é quase impossível", disse, antes do jogo contra a Itália. Pelo jeito, conseguiu.


Os jogos que fizeram de 2002 uma Copa diferente


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Não há establishment. Inglaterra, Brasil, Itália vão continuar lá, mas poderemos competir com eles
Bruce Arena, técnico dos Estados Unidos


Queremos ir o mais longe possível. Nosso objetivo agora é chegar à final
Davala, meia da Turquia




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de Inamoto; derrota inesperada provoca violência na capital russa



A Itália, de Buffon, fez "justiça" aos coreanos: em 1966, perdeu para o Norte. Em 2002, para o Sul
Somos normais, humildes e trabalhamos duro
Guus Hiddink, técnico da Coréia do Sul


Estamos vendo o nascimento de uma grande equipe
Bruno Metsu, técnico do Senegal, após a vitória sobre a Suécia