por Murilo Garavello e Vicente Toledo Jr.
"É o jogo mais importante da minha vida. Não quero me despedir da seleção sendo eliminado na primeira fase". Esta declaração foi dada por Gabriel Omar Batistuta dois dias antes do empate em 1 a 1 com a Suécia, que eliminou os argentinos na primeira fase da Copa -vexame que a Argentina não passava desde 1962.
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Sem ser hipócrita, creio que o futebol me deu muito mais do que eu merecia. Sempre gostei de jogar e fazer gols. Ganhei muito dinheiro, prestígio e fama por fazer algo que gostava
Batistuta, em 2002
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Batistuta é o maior artilheiro da história da seleção argentina, com 57 gols marcados. No Campeonato Italiano, competição que disputa desde 1991, já marcou mais de 100 gols.
Batigol, como é apelidado Batistuta na Argentina desde os princípios de sua carreira, atua na Europa desde 1991, quando foi contratado pela Fiorentina -clube que defendeu por 10 anos. Em Florença, há uma estátua em homenagem ao ídolo. Atualmente, joga na Roma, onde em 2001 conquistou o Campeonato Italiano -feito que o time não conseguia desde 1983.
Nas três Copas do Mundo que disputou, o argentino conseguiu a excelente marca de 10 gols em 12 jogos -não muito longe do recordista, o alemão Gerd Muller, que marcou 14 gols nas Copas de 1970 e 1974. Foi titular em todas essas 12 partidas. Mas não conseguiu o que disse ser seu maior sonho: o título mundial.
| Isto é GABRIEL OMAR BATISTUTA |
1969 - Nasce na cidade de Reconquista, província de Santa Fé
1988 - Estréia como profissional no Newell's Old Boys, sob o comando do técnico Marcelo Bielsa
1989 - Transfere-se para o River Plate
1990 - Troca o River Plate pelo arqui-rival Boca Juniors, clube pelo qual é campeão e artilheiro do Campeonato Argentino
1991 - É contratado pela Fiorentina, da Itália
1991 - Estréia na seleção principal da Argentina em amistoso contra o Brasil disputado em Curitiba
1991 - Conquista o título da Copa América, seu primeiro com a seleção argentina, e é artilheiro com seis gols
1993 - É bicampeão da Copa América com a Argentina
1994 - Conquista o título da segunda divisão do Campeonato Italiano pela Fiorentina
1995 - Marca 26 gols e é o artilheiro do Italiano
1996 - Conquista o título da Copa da Itália
1996 - Marca seu 35º gol pela Argentina e utrapassa Maradona como o maior artilheiro da história
2000 - Troca a Fiorentina pela Roma
2001 - Conquista o primeiro título italiano de sua carreira, ajudando a Roma a quebrar um jejum de 18 anos
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Com a eliminação argentina, Batistuta coloca seu nome ao lado de grandes craques do passado, como Puskas, Zico, Sócrates, Cruyff e muitos outros que não conseguiram chegar à conquista da Copa do Mundo. Abaixo, saiba um pouco mais sobre as três tentativas frustradas da Argentina e de Batistuta nas últimas Copas:
1994
A Argentina impressionou na primeira fase da Copa. Com um Diego Maradona inspirado e Caniggia em plena forma, os argentinos marcaram 4 a 0 na Grécia (com três gols de Batistuta e um de Maradona). No segundo jogo, 2 a 1 na Nigéria (dois gols de Caniggia). Após essa partida, Maradona foi pego no antidoping. A seleção argentina perdia seu líder.
No último jogo da primeira fase, a Argentina, que contava ainda em seu time com o volante Redondo e o zagueiro Ruggeri, sofreu outro duro golpe: Caniggia saiu machucado aos 27min do primeiro tempo. A Argentina se classificou, mas estava sem suas duas maiores referências.
Nas oitavas-de-final, a Argentina enfrentou a Romênia, que estava com um belo time, liderado por Gheorghe Hagi. O jogo foi memorável, um dos melhores daquela Copa. Batistuta marcou um gol de pênalti, mas aos 13min do segundo tempo os romenos venciam por 3 a 1. A Argentina chegou a diminuir, mas caiu eliminada.
"Nunca vou esquecer a Copa de 94. O time e a comissão técnica eram muito bons. O título seria nosso, mas tivemos dois episódios que nos enfraqueceram", declarou o artilheiro em 2002.
1998
Em 1998, a Argentina não teve problemas na primeira fase. Venceu Japão (1 a 0, gol de Batistuta), Jamaica (5 a 0, com três de Batistuta) e Croácia (1 a 0) e terminou como primeira do grupo.
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Marcar Batistuta é complicado. Ele é forte, leva a bola para os dois lados e chuta com as duas pernas. Tem cara de moça com aquele cabelo, mas é um provocador
Gamarra, em 2001, antes de jogo contra a Argentina
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Nas oitavas-de-final, os argentinos fizeram um jogo dramático com a Inglaterra. No tempo normal, houve empate em 2 a 2 (Batistuta marcou um dos gols, de pênalti). Após uma prorrogação extremamente equilibrada, os argentinos conseguiram avançar ao ganharem a disputa por pênaltis.
O próximo rival era a Holanda. O jogo foi bonito. E estava empatado em 1 a 1 até os 44min do segundo tempo. Aos 42min, o meia argentino Ortega foi expulso. Aos 44min, o zagueiro holandês Frank de Boer fez um lançamento longo para o meia Bergkamp. Ele matou com maestria e, sem deixar a bola cair, chutou para eliminar a Argentina.
"O Mundial da França foi muito difícil para mim. Eu tinha que matar um leão por dia, porque era muito questionamento. Nem quando marcava os gols me sentia seguro", revelaria mais tarde o craque.
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Ele dizia que eu era 'gordinho'. Um dia me fez entrar no regime. Eu era orgulhoso, emagreci mais do que devia. Em retribuição, toda semana ele me dava uma caixa de alfajores
Batistuta, sobre o técnico Marcelo Bielsa, que dirigiu a Argentina na Copa e o jogador, em 1988, quando começava a carreira
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2002
Batistuta chegou ao Japão como reserva de Hernán Crespo, goleador da Lazio italiana. Nos treinos, conquistou a confiança de Marcelo Bielsa e teve a chance de atuar na Copa como titular. No primeiro jogo, contra a Nigéria, Batigol marcou o gol da vitória. Tudo parecia bem.
No segundo jogo, o panorama começou a mudar. Batistuta não atuou bem, foi substituído no começo do segundo tempo e a Argentina perdeu. Com o resultado, teria de vencer a Suécia para se classificar. A equipe entrou em campo pressionada e não conseguiu vencer.
Batistuta não teve uma atuação à altura de sua carreira no jogo. Errou passes, perdeu bolas ao tentar dribles e não conseguiu nenhuma finalização perigosa. Lutou, marcou, se esforçou. Foi substituído e, encerrado o jogo, chorou. E disse: "A eliminação não muda meus planos de me aposentar da seleção".
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