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por Julio Gomes Filho

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OS ESPANHÓIS |
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Denílson, que joga no Bétis, Roberto Carlos, que atua no Real Madrid, e Juninho, que já jogou e pode voltar ao Atlético de Madri, formaram o trio mais amigo da seleção. Ou pelo menos foram os que explicitaram mais essa união. Rivaldo, que atua no Barcelona, também tem amizade com os outros três. |
No início da caminhada rumo à Copa, a tal Família Scolari foi ironizada por torcida, imprensa e jogadores "bad boys" preteridos pelo técnico. Mas, para entrar na Família Scolari, houve pré-requisitos além da qualidade técnica. O treinador considerou caráter, amizade e outros aspectos inimagináveis para definir a convocação. Tudo para "fechar" o grupo que viajou ao Oriente.
E quem acompanhou a Família Scolari de perto viu que o grupo foi, de fato, o mais unido que disputou um Mundial nos últimos tempos.
| OS NOVATOS |
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Os "calouros" são três dos mais tímidos. Conseqüentemente, acabaram andando quase o tempo inteiro juntos: Gilberto Silva, Kléberson e Anderson Polga. Em muitas das comemorações após as vitórias, eles acabaram não saindo com os outros atletas, mas sim com o pessoal de staff da CBF e dos patrocinadores. |
Pequenas pedras apareceram. Mas, como todo pai fecha os olhos para algumas "travessuras", a tal "cartilha do Felipão" foi esquecida algumas vezes, especialmente após cada vitória. As noites foram longas...
Roberto Carlos não gostou de a Nike ter feito uma chuteira especial para Ronaldo. Este, por sua vez, que sempre declarou não se preocupar em ser o melhor do mundo, falou nas concentrações que queria, sim, ser o artilheiro da Copa e o número um de novo. Mas manteve seu discurso de "o que importa é o título" em público até o final, sem criar nenhum conflito com a outra estrela da equipe, Rivaldo.
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OS EVANGÉLICOS |
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Os três religiosos do grupo são Edmílson, Kaká e Lúcio. Eles se reuniram pelo menos a cada três dias para rezar, sempre na companhia do pastor e atleta de Cristo Alex Dias Ribeiro. |
Aliás, crédito de Scolari e do assessor Rodrigo Paiva a paz selada entre Ronaldo e Rivaldo. Longe de serem melhores amigos -ou mesmo amigos-, os dois conviveram bem. Paiva, amigo e assessor de Ronaldo, "escoltou" o inseguro Rivaldo perante a imprensa.
Outro "incidente" foi a chegada de Ricardinho para a vaga de Emerson. Três dias após desembarcar na Coréia do Sul, o meia jogou contra a China. Pelos treinos, seria o novo titular.
| TURMA DA CACHETA |
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Alguns atletas passaram boa parte do tempo livre nos hotéis jogando baralho. Mais especificamente um jogo chamado "cacheta". A turma era composta por Dida, Edílson, Vampeta, Luizão, Júnior, Roque Júnior e Ronaldinho. |
Foi então que um dos líderes "intimou" Scolari a manter o corintiano fora do time para evitar uma crise no grupo. Juninho seguiu até as quartas-de-final, quando deu lugar a Kléberson - que estava no grupo desde o início. Ricardinho, esperto, não arrumou confusão, mas foi perdendo espaço.
Quem acompanhava de perto a carreira do técnico apontou a fórmula "mágica" com o grupo: "o segredo foi tratar os reservas da mesma forma que os titulares. Do número um ao foca, foram todos iguais. Ser titular é fácil. Mas o Felipe sabia que quem detona um grupo são os reservas", contou ao UOL um dos seus interlocutores.
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TURMA DOS GAMES |
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A maior delas. Ronaldinho Gaúcho ("esse estava em todas", comentou um membro da delegação) também pertence ao grupo da cacheta e dos novatos. Não satisfeito, trouxe um vídeo game da Europa, mas teve alguns problemas de adaptação aos sistemas coreano e japonês. Além dele, os adeptos da brincadeira foram principalmente Kléberson, Kaká, Ronaldo, Denílson, Juninho e Roberto Carlos. Em Ulsan e Kobe, os hotéis onde a seleção ficou hospedada ofereciam vídeo game, fliperama e afins. |
Consultados informalmente pelo UOL, membros da seleção foram unânimes em indicar Scolari como o mentor da união dos pentacampeões.
Algumas das táticas foram separar os jogadores em quartos individuais e aproveitar a tecnologia para mostrar que todos eram iguais. Scolari utilizou o recurso da edição de imagens para mostrar vídeos direcionados nas preleções dos jogos. Vídeos que nunca deixavam de mostrar um jogador sequer do grupo.
O estilo "paizão" de Scolari persuadiu todos a acreditarem que não havia nenhum privilégio. Nem mesmo nos bingos promovidos pelo staff da CBF foram permitidas faltas. Os horários, rígidos, eram controlados pelo "general" Américo Faria, que livrou o treinador de ser o "chato".
| O TRIO DE FERRO |
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Jogadores que atuam juntos no Corinthians e no São Paulo mantiveram a proximidade na seleção. Foi o caso, por exemplo, dos tricolores Rogério Ceni, Belletti e Kaká. Os corintianos Ricardinho e Vampeta, que chegaram à Copa como campeões do Rio-São Paulo e da Copa do Brasil, ainda ouviram do técnico Carlos Alberto Parreira, na concentração: "esses gostam de título". Marcos, Roque Júnior e Júnior, que jogavam no Palmeiras de Scolari, também ficaram muito próximos durante os 51 dias. |
Os tentáculos de Scolari entre os jogadores foram Cafu e Roberto Carlos, dois dos mais antigos do elenco e "donos do time". "Ninguém fez nada 'de muito diferente' sem olhar para eles antes", contou uma pessoa da delegação. Ao menor sinal de crise, os dois se mexeram para unir os envolvidos e, se necessário, desviar as atenções da mídia.
E, saiba, o nome "Romário" não foi ouvido uma vez sequer nos corredores dos hotéis ou salas comuns freqüentadas pela delegação.
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