

Jamais se registrou caso idêntico na história das Copas.
"Eu não quero acreditar nessa história", reagiu com surpresa o ex-jogador Careca, quando o UOL Esporte relatou a história de Ahn.
Careca, que defendeu a seleção na Copa de 1986 e, depois, atuou no futebol italiano pelo Napoli, só se convenceu ao ouvir por telefone a nota publicada no site UOL na Copa. Ahn, o sul-coreano que eliminou a seleção italiana da Copa, chegou a ter sua demissão anunciada pelo Perugia.
"Estamos falando em 2002. Essa história não pode ser verdade", reagiu Careca. Mas, sim, é verdade.
Ahn Jung-hwan, 26, ficou perto do olho da rua porque marcou pela Coréia do Sul o gol que tirou a Itália da Copa, às 22h53 do dia 18 de junho de 2002, no estádio de Daejeon, aos 12min do segundo tempo da prorrogação de um jogo tenso, eletrizante, um "mata-mata".
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Multidão festeja gol de Ahn em Seul |
A Coréia do Sul, pela primeira vez na história, passou às quartas-de-final. A poderosa Itália, três vezes campeã, caiu eliminada.
Com o cabeceio certeiro de Ahn, 40 mil sul-coreanos explodiram em alegria no estádio. Na capital, Seul, um milhão e 100 mil deliraram nas ruas. Em Busan, um jovem de 20 anos morreu do coração.
Depois de fazer o "gol de ouro", em êxtase, beijar a aliança e chorar, Ahn ficou praticamente nu em campo, camiseta e chuteiras atiradas à torcida. Foi para o hotel com a delegação sul-coreana para aquela que seria a noite mais feliz de sua vida, horas e horas lembrando da bola vindo, alta, de seu pulo, do cabeceio, do gol.
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"Este senhor (Ahn) jamais vai pôr os pés em Perugia"
Luciano Gaucci, presidente do Perugia
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Mas Ahn acordou e, antes de ganhar condecorações, parabéns ou presentes, foi avisado de que estava despedido. Seu chefe, o dirigente italiano Luciano Gaucci, deu a notícia por telefone. "Já disse que não o quero de volta ao nosso clube. Que volte à Coréia, que lhe paguem por lá o salário", revelou o cartola ao jornal "Gazzetta dello Sport".
Ahn ficou sabendo que nem seu técnico o queria mais. "Ele cumpriu a obrigação ao marcar pelo seu país e não tem culpa, mas eu preciso pensar no bem do futebol italiano", justifica Serse Cosmi.
A assessoria do clube, no entanto, apressou-se em atenuar a situação. Deixou claro que Gaucci falou por si só, e não pelo Perugia. Segundo um comunicado, o destino de Ahn será conhecido até 30 de junho. Coincidência ou não, é o dia da final do Mundial.
Polêmica
"Se fosse o Eurico Miranda (polêmico presidente do Vasco, que manda e desmanda obedecendo apenas sua vontade) que fizesse isso, todo mundo ia achar normal", fala Sérgio Xavier Filho, diretor de Redação da revista Placar. "Nem comentariam muito."
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Luciano Gaucci, do Perugia |
Pelo menos enquanto não acontece isso por aqui, o discurso entre os dirigentes vai no mesmo caminho. "O que ele (dirigente) fez não tem nada a ver. Temos o Arce (estrela da seleção paraguaia), e ele não só poderia, como deveria marcar um gol contra o Brasil", afirma Sebastião Lapola, diretor de futebol do Palmeiras, ao UOL.
"Eu acho que, caso seja confirmada, a demissão será bastante honrosa; não existe uma demissão mais honrosa do que essa", afirma Marco Aurélio Cunha, superintendente de futebol do São Paulo. "Ele (Ahn) deve ficar feliz porque, se o presidente do Perugia pensa assim, é melhor ficar afastado."
"Essa medida é para agradar torcedor, só pode ser", 'interpreta' Lapola. "O passe do Ahn vai ser valorizado, e ele vai receber muitas propostas nas próximas semanas", prevê Xavier Filho.
"No futebol, o mundo emocional é muito forte, e foi nesse contexto que o presidente do Perugia fez essa bobagem. Os italianos posam de profissionais no futebol, mas não é bem assim", diz Xavier Filho.
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