por William Cardoso

Pênaltis inexistentes, gols mal anulados, faltas invertidas, e toda sorte de erros de arbitragem não são "privilégio" da Copa de 2002. Por outro lado, nunca os árbitros e auxiliares falharam tanto e demonstraram tamanho despreparo. Além das zebras, o primeiro Mundial realizado na Ásia ficará marcado como um catálogo de desacertos cometidos por quem apita.

 
Geoff Hurst põe a Inglaterra na
frente em 1966: discussão histórica
O primeiro erro crasso em Copas do Mundo não demorou a acontecer. E teve um brasileiro como responsável. No duelo entre Argentina e França, pela primeira fase do Mundial de 1930, no Uruguai, Gilberto Almeida Rêgo equivocou-se e deu o jogo por encerrado quando ainda restavam seis minutos para o término. Os sul-americanos venciam por 1 a 0, e os torcedores uruguaios, eternos rivais dos argentinos, obrigaram o árbitro a cumprir o tempo regulamentar.

Em geral, os anfitriões têm levado vantagem sobre os adversários quando o apito rouba a cena. A Itália fascista de 1934, com a violência de seus jogadores, a Inglaterra de 1966, do gol de Geoff Hurst, e a Argentina, do ditador Jorge Videla, em 1978, são exemplos bem acabados daquilo que a Coréia do Sul tem sido acusada em 2002. Em todas as situações, uma série de erros facilitou a vida dos donos da casa.

Itália e Espanha, indignadas
A Promotoria de Roma abriu no último sábado um processo contra o equatoriano Byron Moreno, árbitro do jogo entre Coréia do Sul e Itália. Os tricampeões foram eliminados pela equipe co-anfitriã.

Na polêmica partida, Moreno anulou um "gol de ouro" de Tommassi - indicou impedimento -, marcou um pênalti contra a Itália e teria deixado de marcar um sobre Totti, em lance que resultou na expulsão do astro italiano.

Indignado com o juiz egípcio Gamal Ghandour, que anulou dois gols legítimos da Fúria contra a Coréia, o presidente da Federação Espanhola de Futebol, Angel María Villar, chegou a anunciar seu desligamento da Comissão de Arbitragem da Fifa. Voltou atrás, e garantiu sua permanência até o fim da Copa.
Apesar das dúvidas que pairam sobre os anfitriões, o caso mais evidente de quanto um juiz pode sofrer influências externas ocorreu em 1982, na Espanha. Durante o duelo que terminou com a goleada da França sobre o Kwait por 4 a 1, o xeque Fahid Al-Ahmad Sabah invadiu o gramado e pediu a anulação de um gol dos franceses. O árbitro Miroslav Stupar, da União Soviética, seguiu a "sugestão" de Sabah e foi suspenso pela Fifa no dia seguinte.

Em 72 anos de Copa do Mundo, a seleção brasileira esteve em campo em alguns dos piores momentos da arbitragem. Na maioria das vezes, o Brasil acabou beneficiado, embora também tenha sofrido com erros lamentáveis, como os ocorridos nas Copas de 1978 —na estréia, o árbitro galês John Thomas anulou um gol de Zico, alegando que já havia apitado o final da partida— e 1982 —novamente Zico, que teve a camisa rasgada pelo italiano Claudio Gentile, dentro da área, e o árbitro Abraham Klein, de Israel, não marcou o pênalti.

A campanha do bicampeonato, em 1962, é o exemplo mais claro de como a seleção brasileira também recebeu a ajuda do "homem de preto" —na época, os árbitros eram austeros na roupas, embora os erros fossem os de sempre.


Maradona ganha de Shilton?
Só podia ser com a mão
 
Contra a Espanha, na primeira fase do Mundial, o Brasil perdia por 1 a 0 quando Nílton Santos derrubou um adversário na área, deu dois passos para fora e o chileno Sergio Bustamante ignorou o pênalti, marcando falta. Apesar das reclamações, os espanhóis cobraram a infração —um cruzamento sobre a área brasileira— e Puskas marcou, de bicicleta. O árbitro anulou.

Na Copa de 2002, Ricardo Teixeira é o vice-presidente da comissão de arbitragem e aliado de Joseph Blatter, presidente da Fifa. Coincidência ou não, o Brasil foi favorecido em pelo menos duas partidas —contra Turquia e Bélgica— e também virou alvo de quem atira contra o apito.

Até mesmo Diego Maradona ergueu a voz para criticar as seguidas falhas dos árbitros neste Mundial, afirmando também que a seleção brasileira foi favorecida. Em 1986, contra a Inglaterra, e em 1990, diante da União Soviética, o craque argentino usou as mãos e escreveu um capítulo à parte na história dos erros de arbitragem.


Em falta ocorrida fora da área,
o árbitro sul-coreano Kim Young Joo marca pênalti sobre Luizão
 
O holandês Jan Wegereef inventa pênaltis para Uruguai e Senegal, e valida um gol ilegal de Fadiga



Diante da Croácia, a Itália sofre com os erros do inglês Graham Poll, que anula um gol de Inzaghi
Hoje fomos roubados.
Jose Antonio Camacho, técnico da Espanha, após as quartas contra a Coréia




O português Vitor Pereira acerta nos cartões, mas vacila ao ignorar um pênalti a favor dos mexicanos
 
O jamaicano Peter Prendergast impediu, aos 36 min de jogo, que o belga Wilmots abrisse o placar



O equatoriano Byron Moreno anulou um gol legal de Tommasi, salvando a Coréia da eliminação
É possível cometer erros, mas hoje o juiz foi longe demais".
Maldini, jogador da Itália, após a derrota para a Coréia




O escocês Hugh Dallas não vê o alemão Frings impedir o gol dos EUA com um toque de mão
 
Gamal Ghandour anula dois gols legais, irrita os espanhóis e coloca os sul-coreanos nas semifinais