por Lello Lopes
Olhar atento, observando toda a movimentação do sexto andar da Universidade Estácio de Sá, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Nas mãos, uma máquina fotográfica e uma caneta. Na cabeça, um único pensamento: conseguir um autógrafo de Ronaldo Luiz Nazário de Lima. Aos 11 anos, o pequeno Lucas Rocha é o retrato da histeria coletiva em que se transformou a adoração ao atacante da Inter de Milão após a conquista do pentacampeonato.

Artilheiro da Copa do Mundo de 2002, estrela da decisão, Ronaldo não é apenas mais um craque do futebol brasileiro. Virou "pop star".


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"Acho Ronaldo legal. Mas só fiquei fã mesmo na Copa", diz, empolgado, Lucas, mordendo o lábio inferior de tanta ansiedade. O menino, com a camisa nove da seleção brasileira, é o exemplo da "Ronaldomania" que seguiu o Mundial.

Quando saiu, em uma noite de segunda, oito dias depois de ganhar o título, o atacante desceu do seu carro importado -ainda sem placa- e deu um tímido aceno para quem esperava na porta da universidade. A cena durou alguns segudos, mas foi o suficiente levar os fãs, que esperavam havia horas, ao delírio.

"Ele é mesmo um fenômeno", empolgou-se a agente administrativa Tânia Carvalho, que ficou quatro horas em pé para ver o atacante. Os amigos Fabio Cunha de Oliveira e Fabrício Ferreira também vibraram com a possibilidade de chegar perto do jogador. "Sou muito fã, desde a época que ele estava machucado", jurou Fabio.

Desde que comandou o Brasil na conquista de seu quinto título mundial, Ronaldo passou a viver uma rotina de estrela do cinema ou da música pop internacional. A chegada da seleção em solo brasileiro foi apoteótica, com 15 horas de desfile em Brasília e no Rio. Ronaldo foi o mais saudado.

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Os dias que se seguiram também foram de êxtase, com direito até a vigília de torcedores na porta do prédio onde mora o jogador, no emergente bairro da Barra da Tijuca. Tanto assédio assustou o atacante, que evitou sair de casa. E quando saiu, Ronaldo foi tratado como rei. Dias depois da conquista do penta, o craque foi almoçar no badalado restaurante Antiquarius. O dono decidiu não cobrar a conta. "Se soubesse, teria vindo com 20, não só com estes dois amigos", brincou com o gerente do restaurante.

Tamanha histeria em torno do jogador mobilizou até a polícia. Na inauguração de um centro de fisioterapia em Jacarepaguá, nada menos do que 65 policiais militares e da guarda municipal faziam a segurança. Atraiu um batalhão de repórteres e fotógrafos, que se acotovelaram para registrar cada gesto, cada frase. "Só faço questão de manter a minha privacidade", afirmou o atacante, que garantiu (sabe-se lá como) conseguir fazer atividades normais como ir ao supermercado ou pegar um cineminha.


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O drama vivido pelo jogador, que ficou dois anos fora dos gramados por causa de duas lesões no joelho, e sua redenção na Copa do Mundo ajudam a explicar a "Ronaldomania" que acometeu o país na semana seguinte ao penta. "Não é questão de gostar, é só de ser solidário", disse ao UOL o taxista Nilton Gomes.

Copa encerrada, Copa conquistada, os torcedores acabaram encarando Ronaldo como um exemplo, e era exatamente isso que ele queria. Aproveitou a onda para se engajar em alguns novos projetos sociais. Disse que assim serviria de exemplo a outros empresários por todo o país.

O último exemplo de Ronaldo é o corte de cabelo ousado que usou na fase final da Copa do Mundo. "Vou continuar com esse corte por mais um tempo. Acompanhei o sucesso que foi o cabelo e não posso decepcionar um monte de criancinhas que copiaram esse estilo", garantiu o jogador.

Nas semanas finais da Copa, nas semanas seguintes à conquista
do Mundial, Ronaldo fez questão de não decepcionar ninguém.