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A família Scolari reuniu-se pela primeira vez em 12 de maio, a caminho para Barcelona. Na Espanha, o Brasil começaria a preparação de fato para a Copa do Mundo do Japão e da Coréia. A delegação chegou à cidade catalã no dia seguinte, uma segunda-feira, e passou a semana realizando testes físicos e treinos táticos.
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Kaká e Ronaldo conversam em Barcelona, a "primeira parada" |
Mas o grupo ficou completo apenas na sexta, com as chegadas de Roberto Carlos, Lúcio, Vampeta, Dida, Luizão e Anderson Polga, que estavam a serviço de seus clubes.
Sábado, dia 18, a seleção fez contra a Catalunha, no Camp Nou, seu primeiro jogo preparatório. Vitória brasileira por 3 a 1.

Ronaldinho e Polga em loja da Petronas Towers, em Kuala Lumpur |
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Logo no dia seguinte, a delegação fez o seu segundo vôo, indo de Barcelona para Kuala Lumpur, na Malásia. Foi mais uma semana de preparação sob forte calor e em péssimos gramados. No sábado, dia 25, o time, jogando mal, venceu a frágil seleção local por 4 a 0.
No dia seguinte, o Brasil "chegou" à Copa. O dia 26 de maio marcou o desembarque em Ulsan, cidade industrial sul-coreana no litoral leste do país dominada pela automotora Hyundai.
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Scolari é saudado na chegada em Ulsan, base brasileira na Coréia do Sul |
A Coréia do Sul, pelo menos em Ulsan, pouco notou a presença do Brasil. O time ia e voltava diariamente para o Mipo Field, o campo de Universidade de Ciências da cidade, sem ser notada. Luiz Felipe Scolari voltava a pé, fazendo exercícios, sem ser abordado. O ambiente beirava o marasmo.
Em Ulsan o técnico definiu o time-base. A estréia foi lá mesmo, no Munsu Stadium, com a vitória por 2 a 1 sobre a Turquia.
O time viajou numa sexta-feira, dia 7, para a ilha de Jeju. No estádio de Seogwipo, jogou no dia seguinte contra a China. Pela proximidade entre os países, os chineses "invadiram" Jeju. O estádio, com capacidade para aproximadamente metade da população da ilha, estava pintado de vermelho no dia do jogo. Mesmo assim, a família Scolari goleou por 4 a 0.

Ronaldo no desembarque da seleção em Seogwipo, na ilha de Jeju, onde a seleção enfrentou a China |
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No dia 12, o Brasil se despediu de Ulsan. Pegou um avião de carreira e chegou a Seul, onde mais uma vez foi recepcionado sem assédio dos sul-coreanos, em plena capital. Treinou no estádio Olímpico e, no dia seguinte, viajou de ônibus para Suwon, cidade vizinha, onde foi realizada a terceira partida, contra a Costa Rica.
Suwon é mais uma cidade típica da Coréia, com muitos prédios. Todos parecidos com conjuntos habitacionais. A menos de uma hora de Seul, a cidade tem como ponto turístico principal (e único) um forte construído na época de uma das várias dinastias que dominaram o país.
Acabou ali, naquela vitória de 5 a 2 sobre a Costa Rica, a fase sul-coreana da seleção. A tranqüilidade sumiria logo no dia 14, quando a delegação pegou o vôo de Seul para Osaka, no Japão.
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Marcos, Rivaldo e Kaká no aeroporto de Seul, onde o time treinou para enfrentar a Costa Rica |
Já no aeroporto, os jogadores foram acuados pelos japoneses, que queriam fotos, autógrafos, qualquer recordação possível. O grupo sentiria, mais tarde, o forte apoio de brasileiros que moram no Japão em todos os hotéis por onde ainda passaria: em Kobe, em Hamamatsu, em Saitama e em Yokohama.
Após três dias de treinos em Kobe, a seleção pegou a Bélgica, nas oitavas-de-final. O dia era 17 de junho, uma segunda-feira, e pelo menos uma coisa já havia mudado: as arquibancadas do Kobe Wing Stadium estavam pintadas de amarelo, e foi até possível ouvir o público cantar o hino nacional. Em campo, vitória por 2 a 0.

Torcida brasileira no estádio de Suwon, onde a seleção venceu a Costa Rica por 5 a 2 |
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No dia 18, por volta das 10h, a delegação brasileira chegou à estação de trem Shin-Kobe. Lá, ficou em uma pequena e improvisada sala de embarque. Acuada, novamente, por dezenas de japoneses encantados com a presença dos ídolos.
O grupo pegou um "shinkansen", o famoso trem-bala, e em menos de duas horas chegou a Hamamatsu, na Prefeitura (Estado) de Shizuoka. A cidade é uma das localidades japonesas com maior concentração de brasileiros, e a chegada da seleção canarinho causou alvoroço.
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Jogadores "pegam" ônibus após o desembarque em Osaka |
O curioso foi ver os "locais" não só buscando fotos dos jogadores, mas também de alguns jornalistas da TV Globo, famosos ou não, com funções técnicas ou de produção. Para ser estrela, bastava vestir o uniforme com o emblema da rede.
No local de treinamento, chamado Miyakoda, pela primeira e única vez houve um princípio de tumulto. Os fãs não se conformaram em ter de ficar fora do Honda Stadium e iniciaram um bate-boca ríspido com alguns policiais. Os gritos, carregados com o sotaque interior paulista/norte do Paraná, eram de "abre o portão, abre o portão".

Torcedores esperam jogadores no saguão do hotel em Kobe |
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Na tarde de sexta-feira, dia 21, a seleção venceu por 2 a 1 a Inglaterra no Shizuoka Stadium. Apesar de não possuir maioria absoluta, a torcida inglesa era mais barulhenta e presente. Os fãs brasileiros, tão participativos durante a semana, acanharam-se.
De Hamamatsu, onde estava concentrada para esse jogo, a seleção empacotou tudo de novo, pegou um ônibus e subiu até Saitama, na região de Tóquio, no dia seguinte. Segundo a CBF, a opção de viajar de trem foi abandonada "por motivos de segurança". Ali, novamente com grande apoio popular, o time enfrentou a Turquia pela segunda vez no Mundial.
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Um dos pagodeiros, Roque Junior chega à estação de Hamamatsu |
No domingo, dia 23, a seleção brasileira treinou pela primeira vez com portões abertos no Japão. Aproximadamente 500 pessoas tomaram as arquibancadas do Omiya Park. Muitas delas, brasileiros que vivem em cidades a mais de duas horas e meia de distância.
Em 26 de junho, quarta-feira, com o Saitama Stadium forrado de amarelo, o Brasil venceu os turcos por 1 a 0 e avançou à final. Como em Kobe, foi possível ouvir o público cantar o hino nacional.

Ronaldo é instruído sobre as regras da piscina do hotel em Saitama |
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Desta vez, não houve nem tempo para comemorar. Os jogadores voltaram para o hotel, jantaram e viram as malas já prontas para a viagem. Na madrugada do dia 27, eles já estavam em Yokohama, ainda na região de Tóquio, mas mais ao sul da capital japonesa. Era o palco da final contra os alemães.
A rotina reconhecimento de campo-treino-concentração foi mantida. A expectativa, claro, aumentou por se tratar do jogo decisivo. Depois da vitória sobre a Alemanha por 2 a 0, o lobby do hotel da seleção virou abrigo para centenas de torcedores festejarem o título.
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Jogadores deixam hotel Prince, em Yokohama, e seguem de ônibus para piscina afastada do hotel |
A partir daí, nada mais importava. Os jogadores descansaram (ou festejaram) menos de 24 horas. O vôo para casa saiu às 20h de segunda-feira (8h em Brasília). Após uma parada técnica em Los Angeles, nos Estados Unidos, a chegada triunfal em Brasília.
Com a Copa do Mundo nas mãos, o capitão Cafu foi o primeiro a pisar em solo brasileiro, às 10h15 de terça-feira. Os pentacampeões foram recebidos por ministros do governo e pela cantora Ivete Sangalo, intérprete da música "A Festa", hit escolhido por Scolari para motivar os jogadores.

Entre Ricardo Teixeira, Cafu e Scolari, o presidente Fernando Henrique Cardoso beija a taça |
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Mais de 500 mil torcedores estavam espalhados entre o Eixo Rodoviário, a praça dos Três Poderes e a Esplanada. Enquanto isso, numa exibição sobre o Congresso Nacional, a Esquadrilha da Fumaça escreveu a frase "É Penta" no céu.
Após percorrerem a cidade num trio elétrico, a delegação foi recebida pelo presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que condecorou os jogadores com a Ordem do Mérito Esportivo no Palácio do Planalto, às 15h, depois de quase cinco horas de atraso.
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