Jules Rimet agora é só do Brasil
A Copa de 1970 é de uma importância ímpar para os brasileiros: não só foi o torneio em que o país se tornou o primeiro tricampeão mundial, como também representou a posse definitiva da taça Jules Rimet.

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Os campeões Carlos Alberto Torres, Pelé e Paulo César Caju levantam a Jules Rimet
Desde que a Copa foi criada, em 1930, ficou acertado que o primeiro país a ser três vezes campeão ficaria em definitivo com o troféu, que recebeu, aliás, o nome de um de seus idealizadores. A final no México teve mais este fator para engrandecê-la: tanto o Brasil como a Itália já eram bicampeões.

Como se sabe, a Jules Rimet ficou com o Brasil, após uma histórica goleada por 4 a 1. Mas a Copa do México foi mais do que isso: foi talvez a que teve o nível técnico mais elevado, com os melhores jogos e as melhores seleções, além de uma torcida fanática.

É difícil eleger uma Copa como a melhor de todas, mas é quase consenso que a de 70 teve ao menos duas seleções excepcionais -Itália e Brasil-, bem como três jogos que entraram para a história, além da própria final: Brasil 1 x 0 Inglaterra, Alemanha Ocidental 3 x 2 Inglaterra e Itália 4 x 3 Alemanha Ocidental.

Número de Participantes - 16
Jogos - 32
Gols - 95
Média de gols por jogo - 2,97
Sedes - Cidade do México, Guadalajara, Leon, Pueblo e Toluca
Média de público por jogo - 52.312 pessoas
Artilheiro - Gerd Müller (ALE-Oc) - 10 gols
Campeão - Brasil
Vice-campeão - Itália
Terceiro colocado - Alemanha Ocidental
O jogo entre Brasil e Inglaterra, disputada na primeira fase do torneio, foi tensa. Os ingleses, então campeões mundiais, conseguiram a antipatia da torcida local ao deixarem claro que consideravam o México um país subdesenvolvido e que levariam sua própria água, para não ter de beber a "infecta" água do país.

O Brasil venceu por 1 a 0, mas o que entrou pra história não foi só o gol, originado de jogada brilhante de Tostão, Pelé e Jairzinho. Ainda no primeiro tempo, Pelé cabeceou uma bola baixa, à direita do goleiro Gordon Banks, quase impossível de ser defendida. Quase: dono de reflexos notáveis, Banks agiu com precisão impressionante e conseguiu impedir o gol brasileiro. A defesa entrou para a história do futebol.

A Inglaterra terminou a primeira fase em segundo lugar no grupo e se classificou para as quartas-de-final, em que enfrentou a Alemanha Ocidental em outro jogo antológico -era a revanche para os alemães, que perderam na final da Copa de 1966.

Assim como quatro anos antes, a partida terminou 2 a 2 e foi para a prorrogação. O resultado, desta vez, foi diferente: os alemães tiveram mais pernas, e Gerd Müller marcou o gol da vitória. O mesmo Müller terminaria o torneio como artilheiro, com dez gols.

A semifinal da Copa foi a primeira disputada apenas por equipes que já haviam conquistado o título: Alemanha Ocidental (1954), Brasil (1958 e 1962), Itália (1934 e 1938) e Uruguai (1930 e 1950).

E o melhor jogo foi o entre alemães e italianos. No primeiro chute a gol, a Itália fez 1 a 0. O empate saiu aos 44min do segundo tempo, e a partida foi para o tempo extra. Na prorrogação, a surpresa: cinco gols, e a Itália terminou vencedora, 4 a 3.

A final foi outro grande jogo, marcado pela superioridade brasileira. Vitória por 4 a 1, com gols de Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto Torres, contra um de Boninsegna.

Mas houve mais, além dos jogos: foi uma Copa de brilhantes destaques individuais. Do goleiro Banks ao zagueiro alemão Franz Beckenbauer, do goleiro uruguaio Mazurkiewicz ao zagueiro inglês Bobby Moore, do atacante peruano Cubillas ao artilheiro Müller.

Nenhum elenco, porém, se comparava ao brasileiro, principalmente do meio-campo para a frente: Clodoaldo e Gerson no meio, Pelé, Jairzinho, Tostão e Rivelino no ataque. A seleção conseguiu seis vitórias em seis jogos, com 19 gols marcados (média de mais de três por jogo) e 7 sofridos (mais de um por jogo, em média).

Uma equipe ofensiva, com craques únicos, conquistando a Copa que apresentou algumas das melhores partidas da história.






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Jairzinho fez sete gols e foi o vice-artilheiro

JAIRZINHO

O carioca Jair Ventura Filho começou no futebol nas categorias de base do Botafogo, clube que defendeu de 1963 a 1974. Estreou na equipe principal com uma tarefa de muita responsabilidade: assumir a camisa sete que havia pouco era usada por Garrincha.

Jairzinho provou que estava a altura de tanta responsabilidade. Tanto que, três anos depois, estava na seleção brasileira que foi disputar a Copa de 66. Não marcou nenhuma vez, mas foi titular nos três jogos do Brasil.

Pelo Botafogo, passou a jogar de ponta-de-lança e trocou a camisa sete pela número dez.

Para a Copa de 1970, foram convocados para a seleção quatro atletas que jogavam com a camisa dez em seus clubes: o próprio Jair, Tostão, Gérson e Pelé. Jairzinho assumiu a sete (em 1966, usara a 17) e foi para a ponta-direita, onde conseguiu seu ápice pela seleção.

O desempenho de Jairzinho na conquista do tricampeonato lhe valeu o apelido de o "Furacão da Copa". Também, pudera: o ponta conseguiu marcar pelo menos um gol por jogo no Mundial -na estréia, contra a Tchecoslováquia, fez dois, e ainda marcou o único da difícil partida contra a Inglaterra, ainda na primeira fase.

Voltou a disputar a Copa em 1974, novamente com a camisa sete -e mais uma vez foi titular em todos os jogos. Marcou dois dos seis gols da seleção pouco ofensiva que conquistou o quarto lugar.

Jairzinho marcou 34 vezes nos 82 jogos oficiais que fez pela seleção -se forem computadas as partidas não-oficiais, o número sobe a 100. Ficou marcado por apresentar um futebol físico: arrancadas fulminantes, preparo físico privilegiado e dribles largos, além de muita técnica.

Encerrou a carreira no Botafogo em 1982, depois de passar por Olympique de Marselha (da França), Cruzeiro, Portuguesa (da Venezuela), Noroeste, Fast Clube e Jorge Wilsterman (da Bolívia).