
Do inferno ao céu em 12 meses
No dia 23 de julho de 2001, a seleção brasileira era eliminada da Copa América com uma vergonhosa derrota por 2 a 0 para Honduras. Quem em sã consciência apostaria que, menos de um ano depois, o Brasil seria campeão mundial pela quinta vez?
Sim, havia uma pessoa. Seu nome: Luiz Felipe Scolari. Apesar dos seguidos maus resultados da equipe, que estava ameaçada de ficar de fora do Mundial pela primeira vez em sua história, o treinador mostrava confiança e garantia a classificação.
Passado o pesadelo das eliminatórias, Scolari começou a reconstruir a equipe. Desacreditada, a seleção brasileira deixou de ser, ainda que momentaneamente, objeto da paixão dos torcedores. Antes motivo de orgulho, a seleção virava piada na boca dos torcedores.
Sem grandes esperanças de ver o Brasil conquistar o título, a torcida pressionava Scolari pela convocação de Romário. Firme, o técnico não cedeu. Manteve suas convicções até o fim e novamente foi recompensado.
Como não podia contar com os jogadores que atuam no exterior, Scolari usou os primeiros amistosos de 2002 para encontrar as peças que faltavam. Não foram poucos os que chiaram quando o treinador convocou Gilberto Silva, Kléberson, Kaká e Anderson Polga -os quatro escolhidos após os testes.
Encerrada a fase de experiências, Scolari fez uma aposta de risco. Antes mesmo de ver Ronaldo atuando pela Inter de Milão, deixou claro que levaria o atacante para a Copa do Mundo.
Quando toda a crítica cobrava do treinador a definição de um time titular, o treinador mantinha a calma. Afirmava ter de 80% a 90% da equipe definida. Como todos puderam ver mais tarde, ele tinha mesmo.
Goleiro de confiança dos tempos de Palmeiras, Marcos ganhou o posto de titular da seleção. Em campo, mostrou que o treinador tinha razão. Quando foi exigido, fechou o gol. E fez uma defesa importante na final, pegando uma perigosa cobrança de falta de Neuville quando o placar apontava 0 a 0.
Nas laterais, não havia dúvida. Cafu e Roberto Carlos eram titulares absolutos, e provaram em campo merecer a condição de "intocáveis" na seleção brasileira. A defesa, que muitos queriam ver com apenas dois zagueiros, foi armada mesmo com três jogadores. Depois de um início titubeante, Lúcio, Roque Júnior e Edmílson se firmaram. Não sofreram gols nos dois últimos jogos, mostrando segurança no momento decisivo.
O grande problema era o meio-campo. Sem Emerson, cortado por contusão na véspera da estréia, Scolari teve que mudar. Colocou Gilberto Silva para jogar ao lado de Juninho. Sobrecarregados, ambos sentiram a falta de mais um companheiro no setor. Scolari demorou, mas percebeu o problema. Trocou Juninho por Kléberson e adiantou um pouco o posicionamento de Edmílson, corrigindo as falhas na proteção da defesa.
No ataque, o técnico pouco fez. Jogou todas as suas fichas no talentoso trio de "erres" -Ronaldinho, Rivaldo e Ronaldo- e tirou a sorte grande. Inspirados, os craques decidiram a Copa.
Rivaldo superou as dores no tornozelo e marcou cinco gols. Só não foi eleito o melhor da Copa porque a Fifa achou melhor premiar o goleiro alemão Oliver Kahn, o mesmo que não segurou o seu chute na final. Ronaldo voltou a ser o "fenômeno". Marcou oito gols, dois deles na decisão, e foi o artilheiro do torneio. No único jogo que os dois não decidiram, apareceu Ronaldinho para mandar os ingleses de volta para casa.
Com o título garantido, Scolari pôde então comemorar. Os jogadores venceram a Copa em campo, mas foi ele quem transformou um punhado de craques em uma equipe campeã.
Veja matéria especial sobre a campanha do Brasil até o título.
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| Luizão sofre falta, que virou pênalti e garantiu a vitória de virada no jogo de estréia |
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| Roberto Carlos cobra falta com perfeição e abre o placar contra os chineses |
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| Ronaldo ganha dividida na área e bate para fazer o segundo contra a Costa Rica |
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| Ronaldo completa passe de Kléberson e faz o segundo gol sobre a Bélgica |
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| David Seaman tenta, em vão, defender cobrança de falta de Ronaldinho Gaúcho |
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| De bico, Ronaldo chuta para marcar o gol que colocou o Brasil na decisão da Copa |
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| Ronaldo aproveita falha de Oliver Kahn e abre o placar na final contra a Alemanha |
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