
"Até o time de 70 deixou o Brasil desacreditado", afirma Juninho
Por Vagner Magalhães
Ele é conhecido por Juninho Paulista, mas curiosamente foi o único jogador de um clube carioca que se sagrou pentacampeão mundial. Tido como um atleta de bom nível técnico desde o início dos anos 90, só aos 29 anos jogou a sua primeira Copa do Mundo. Ficou muito perto de estar no grupo de 1998, mas acabou fora devido a uma fratura às vésperas do torneio. De sua casa, antes de seguir para a Copa do Mundo, falou com exclusividade ao UOL Esporte. Confiante, dizia que o time de 70, que ele considera "excepcional", deixou o Brasil desacreditado, mas mesmo assim voltou com a taça. Ele esperava que a história se repetisse este ano, ainda sem saber que convenceria o técnico Luiz Felipe Scolari a escalá-lo como titular nos primeiros jogos.
Você só conseguiu alcançar a sua primeira Copa do Mundo aos 29 anos. Acha que esperou demais por essa oportunidade? Se sente recompensado de alguma forma por ir desta vez?
É a primeira, mas ainda penso na próxima, em 2006, na Alemanha (risos). Tinha 25 anos em 1998 e só não fui por causa da contusão. Mesmo em 1994 estava bem, mas havia muitos jogadores mais experientes para a minha posição. Isso mostra que as coisas poderiam ter acontecido antes. Mas não é toda a hora que acontece o que o Kaká está vivendo agora, por exemplo. Ele estourou exatamente num momento próximo à Copa e teve a sua chance. Mas pode ter certeza que entrarei em campo como se tivesse 20 anos. A sensação é a mesma.
Você chegou a conversar com o Zagallo sobre os motivos de sua não ida à Copa de 1998, mesmo tendo se recuperado a tempo?
Falei sim. Ele me disse que achou que eu não estaria rendendo o mesmo que eu estava antes da contusão e que não tinha a confiança necessária para me levar para a Copa. Eu não entendi, já que eu ainda tinha um mês para poder chegar até o Mundial. Se ele sentia que eu era mesmo importante para o grupo, como sempre falava, poderia ter me dado essa chance. Acredito que estaria bem na Copa.
Você atuou em várias "escolas" de futebol na sua carreira. Primeiro no interior paulista, depois no São Paulo, disputando a Libertadores e um Mundial Interclubes, mais tarde na Inglaterra e na Espanha. Onde a marcação é a mais difícil de ser superada?
Sem dúvida a marcação brasileira é a mais eficiente e se assemelha muito com a do futebol espanhol. A diferença é que na Europa o futebol é um pouco mais sadio, mais leal. O pessoal joga duro, mas na bola. Aqui no Brasil, acho que a arbitragem influi mais. Os jogadores simulam muitas faltas e o juiz acaba entrando nesse jogo. Lá (na Europa), a bola corre mais.
Fale um pouco da sensação que teve ao ter a perna fraturada às vésperas do Mundial de 1998, quando vivia uma das melhores fases da carreira.
Nenhuma contusão séria é bem-vinda, mas não tem como se evitar isso. Eu estava seguro de que iria ser convocado para a Copa do Mundo e fiquei muito decepcionado com a forma como tudo aconteceu. Mas sabia que haveria algo de bom reservado para mim no futuro. Minha família foi fundamental, principalmente na minha recuperação psicológica.
A fratura aconteceu num lance em que foi atingido por trás em um carrinho. Esse é o maior drama de um jogador de futebol, ficar impossibilitado de atuar?
Com certeza. Não perdôo a atitude do Salgado (Michel Salgado, jogador responsável pela fratura) até hoje. Vou condenar sempre a entrada que ele me deu, que foi absolutamente desnecessária. E um lance desse coloca a sua carreira em risco. Não foi fácil passar por tudo isso. Posso até perdoar o atleta, mas a atitude que ele tomou naquele momento, nunca.
Como viu, mesmo à distância, a recuperação de Ronaldo, a tempo de disputar a Copa do Mundo?
Depois que acontece com a gente, sempre se presta mais a atenção em outros casos. Vejo o Ronaldo muito bem agora, às vésperas de disputar uma Copa do Mundo, e fico muito feliz de poder atuar junto a ele. Há também o caso do Beckham, que tem a sua convocação garantida, mesmo ainda não estando completamente curado. Outro que me chamou a atenção foi o do Baggio, mas ele acabou ficando fora. Acredito que por uma opção técnica, já que ele me parece bem.
Falando em dispensa, no começo de carreira você chegou a ser barrado no Juventus e Corinthians. Ficou algum ressentimento com relação a isso? A dispensa foi motivada por sua baixa estatura?
Foi isso sim, mas não fico chateado nem triste. É claro que naquela época, com pouca idade, é difícil de assimilar. Mas olhando com a experiência de hoje dá para entender melhor. O mesmo treinador que me escolheu "deixou passar" o Amaral, que depois fez sucesso no Palmeiras. Ainda assim sou muito grato ao Ituano, que me deu a primeira chance como profissional.
Você acompanhou a campanha do Ituano neste Campeonato Paulista, em que o time terminou como campeão?
Não acompanhei o campeonato de perto, mas fiquei sabendo que eles conseguiram o título paulista. Mesmo sem a presença dos grandes é um título bastante importante para a história do clube. E pelo carinho que tenho por eles, fico bastante feliz.
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Nome: Oswaldo Giroldo Júnior
Data de nascimento: 22/2/1973
Local: São Paulo (SP)
Clubes: Ituano (1990-1992), São Paulo (1993-1995), Middlesbrough (1995-1997), Atlético de Madri (1997-2000), Middlesbrough (2000), Vasco (2000-2001) e Flamengo (2002)
Títulos: Mundial Interclubes, Libertadores da América, Supercopa, Recopa Sul-Americana, Taça Ramón de Carranza, Taça Tereza Herrera, Torneio Ciudad de Santiago, Torneio Santiago de Compostela e Troféu Jalisco (1993), Taça Comnmebol e Recopa Sul-Americana (1994), 1ª Copa dos Campeões Mundiais (1995), Copa Mercosul e João Havelange (2000), Taça Guanabara (2000-2001); Copa Stanley Rous (1995), Copa América (1997 e 1999), ambos pela seleção brasileira. Medalha de bronze na Olimpíada de Atlanta em 1996.
Feitos: Convocado para a seleção brasileira pela primeira vez em 1995. Eleito o melhor jogador brasileiro em 1995, quando defendia o São Paulo; escolhido como o "craque" do torneio Stanley Rous (Inglaterra), no mesmo ano. Título de melhor jogador da Liga Inglesa (1996)
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