A Coréia do Sul pode surpreender, diz brasileiro
por Lello Lopes

O zagueiro brasileiro Cléber chegou ao futebol da Coréia do Sul pouco mais de um ano antes do início da Copa do Mundo. Morando na cidade de Ulsan, sede da seleção brasileira na primeira fase, o jogador contou ao UOL Esporte como a população sul-coreana se preparava para o Mundial poucos meses antes do início do evento e afirmou que a equipe local poderia surpreender na Copa.

Como está o clima na Coréia do Sul faltando tão pouco tempo para o início da Copa do Mundo?
Eles investiram muito pra isso e agora estão acelerando um pouco mais este processo. A Copa do Mundo está sendo bastante divulgada na televisão, nos jornais e nos estádios. Os sul-coreanos estão começando a viver esse clima. Está muito bom.

Você mora em Ulsan, uma das cidades que irão abrigar os jogos da Copa. A população já está falando do Mundial?
Eles já estão começando a respirar Copa do Mundo. A cidade está se envolvendo bastante com isso. As bandeiras dos países que disputarão a Copa estão espalhadas em toda a cidade. Os torcedores até estão comparecendo mais aos estádios.

A seleção sul-coreana tem chance de fazer um bom papel nesta Copa do Mundo?
A chave deles é bastante dificil, com Estados Unidos, Portugal e Polônia. Mas eu creio que a Coréia do Sul pode surpreender. Eles estão trabalhando bastante, o futebol deles é muito forte fisicamente. Acho que podem passar da primeira fase, apesar da seleção não estar num momento muito bom.

Qual a principal característica da seleção sul-coreana?
O futebol é de muita força física e muita velocidade. Eles têm um jogo muito rápido na ligação de defesa e ataque. Os melhores jogadores estão fora do país, o que deve mudar um pouco esta característica e dar à seleção um pouco mais de qualidade.

Mas os sul-coreanos confiam na seleção local?
Os sul-coreanos não confiam muito na seleção, mas acho que isso vai mudar um pouco. Acho que quando chegar mais perto da Copa o povo vai confiar mais. Os jogadores têm treinado muito e podem melhorar.

Em quem os sul-coreanos apostam para conquistar o título?
Eles torcem muito pelo Brasil, adoram o jeito da seleção brasileira jogar. Mas, no momento, eles estão torcendo mais pela França, que tem mostrado um futebol melhor. No ano passado, a França jogou aqui e fez muito sucesso.

O futebol da Coréia do Sul não é muito difundido no Brasil. Como surgiu a oportunidade de jogar na Ásia?
Eu vim para cá no segundo semestre de 2000. Eu estava no CSA, de Alagoas, e um empresário sul-coreano foi ver um jogador de lá. Mas ele também precisava de um zagueiro e acabou me trazendo. Acertei com o empresário e vim com outros dois brasileiros para o Ulsan Hyundai.

Não deu medo trocar o Brasil por um país distante, com uma cultura totalmente diferente?
No começo a preocupação era grande, principalmente por não ter muita notícia do futebol coreano e do país em si. Isso custou um pouco para mim. Mas Deus cuidou de tudo e eu consegui me adaptar. Agora vivo um grande momento na minha carreira.

Você teve algum problema de adaptação?
O maior problema é que você não consegue entender nada do que as pessoas estão falando. A língua é muito dificil, complicada demais. Nós temos uma intérpetre e o clube não nos obriga a aprender o coreano. Até hoje eu falo pouquíssima coisa de coreano. O que ajuda é que tem mais três brasileiros jogando comigo: o Arinélson (ex-Santos), o Paulinho (ex-Joinville) e o Marquinhos (ex-América-RN).

Qual a principal diferença do futebol coreano para o brasileiro?
Os treinamentos são um pouco mais fortes e o futebol aqui é mais rápido e tem mais vigor físico. Mas a adaptação foi boa.

Você vai assistir a algum jogo no Mundial?
Eu tenho ingressos para o jogo entre Brasil e Turquia e para Dinamarca e Uruguai. Fica agora a minha torcida para o Brasil. A seleção não tem atravessado um bom momento, mas tem tradição e acho que vai ganhar a Copa.





Arquivo Pessoal



Nome: Cleber Arildo da Silva
Data de nascimento: 21/1/1969
Altura: 1,86 m
Peso: 79 Kg

Clubes:
Internacional de Limeira-SP, Mirassol, Juventus, CSA e Ulsan Hyundai

Feitos:
Depois de jogar por anos no futebol paulista, o zagueiro aceitou uma proposta para defender o Ulsan Hyundai, da Coréia do Sul.