
| JULIO GOMES FILHO - Enviado UOL Esporte |
Em última entrevista, Scolari evita falar sobre futuro e diz que lançará livro
06h56 - 01/07/2002
Julio Gomes Filho Enviado especial do UOL na Copa Em Yokohama (Japão)
O técnico Luiz Felipe Scolari concedeu uma rápida entrevista nesta segunda-feira, já enquanto os jogadores pentacampeões mundiais estavam esperando no ônibus da seleção para partirem em direção ao aeroporto de Narita, Tóquio. Scolari evitou novamente falar sobre o seu futuro na seleção brasileira.
Ressaltou a união do grupo de jogadores, agradeceu aos que "acreditaram" em seu trabalho, falou sobre sua relação com a imprensa e fez uma promessa: lançará um livro contando todo o "tempero" necessário para fazer a seleção vencer a Copa do Mundo no Japão e na Coréia.
"Ontem encerramos a primeira etapa de tudo o que havíamos combinado. Encerrou. Acabou. Vamos voltar para o Brasil, fazer o que tem que ser feito, voltar a conviver com a família. Só depois vou ver na minha vida profissional o que vai acontecer, não há nada definido. No futebol, a gente não pode falar que vai continuar aqui, trabalhar ali. Tudo pode mudar de um dia para o outro", declarou Scolari, deixando muitas dúvidas sobre se continuará ou não no comando da seleção.
O tom das palavras do treinador é de despedida, mas ele deixa muita margem para uma interpretação diferente. "Agora cada um vai tomar o seu rumo e amanhã, depois, a gente pode se encontrar num clube, jogando contra, em outra seleção, quem sabe na seleção de novo... por enquanto, está encerrado o que a gente havia combinado com chave de ouro."
Livro Luiz Felipe Scolari anunciou nesta última entrevista em solo japonês que irá lançar um livro ainda neste ano, contando todos os detalhes que levaram o Brasil ao pentacampeonato mundial.
"O tempero da campanha vocês vão saber quando eu lançar o livro, falando de todo o noso trabalho antes e durante a Copa. Acho interessante mostrar o que foi feito nesses 50 dias, o relacionamento com os jogadores, o que eu fazia antes dos jogos, como nós bolávamos as palestras, variações mostradas através com computador, sistemas que modificávamos durante as partidas..."
O tom do livro, que já tem um esboço feito, segundo o treinador, ainda não está totalmente definido. Scolari ponderou sobre alguns caminhos a seguir: "É penta... Brasil mostra mais uma vez força, determinação... o povo brasileiro pode... torcedor brasileiro é inteligente... vamos ver, só isso", comentou, pensativo.
Críticas A relação com a imprensa, conturbada antes do Mundial, também foi tema da última entrevista do treinador. Ele criticou o fato de muitas pessoas terem colocado seus métodos em dúvida antes mesmo de conhecê-los.
"Fica mais uma vez mostrado ao mundo, ao Brasil e a todos que quem trabalha alcança objetivos. Só. Que não se emitam mais opiniões antes de um trabalho ser realizado, sem conhecer do que aquela pessoa é capaz, até onde ela pode atingir. Antes de tudo, que se espere para analisar se vale a pena criticar ou elogiar. Antes de dizer que determinado jogador é de clube e não é de seleção, por exemplo. Tem tanta coisa que pode acontecer em 30 dias que é melhor guardar a opinião, esperar o resultado e ver por que ele foi conseguido", comentou.
A união do grupo, tão propagada e falada durante esses quase dois meses, deveria acontecer também com a imprensa, que acompanhou a seleção no dia-a-dia. Para isso, a "tática" de Scolari foi, por exemplo, nunca ter realizado treinos secretos durante a Copa.
"Se fizéssemos isso, muitas vezes iríamos estar deixando vocês (jornalistas) sem matérias ou em dificuldades. Uma vez até briguei, porque vocês foram proibidos de assistir ao treino da Inglaterra e todo mundo assistiu ao meu treino. Não achava justo. Os treinos abertos eram mais um motivo de união entre nós, atletas e comissão técnica, e vocês de reportagem. Para ter a integração entre todos."
Scolari admitiu que pensou em mudar o esquema de treinamentos na reta final, mas chegou à conclusão que não valeria a pena e que permitir a presença da imprensa mundial não atrapalharia tanto assim a vida de turcos e alemães, adversários das semifinais e da decisão. "Todo mundo mostra antes, na véspera ou uma semana antes, onde vai bater o pênalti, por exemplo. Não tinha o que esconder, não iria adiantar nada", revelou.
O treinador evitou "jogar na cara" dos seus críticos o pentacampeonato. Para ele, mais válido foi agradecer a todos os "milhões" que acreditaram no seu trabalho comandando a seleção desde o início.
"A gente fica feliz, porque aquelas pessoas que apostaram em ti, quem sabe 150, 140 milhões de brasileiros, viram que não erraram. Apostaram na pessoa certa, no grupo certo. Isso te deixa muito contente."
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