O Brasil parece não ter aprendido com os erros da Copa de 1930, no Uruguai. Quatro anos mais tarde, na Itália, os problemas e o resultado foram os mesmos: elenco desfalcado pela briga entre paulistas e cariocas e eliminação logo na primeira fase.
Arquivo Folha Imagem
Muito além de olheiro
Apesar do gol de Leônidas, Waldemar de Brito foi o grande destaque brasileiro no duelo contra a Espanha, mesmo tendo perdido um pênalti. Reconhecido por muitos apenas como o homem que descobriu Pelé, Waldemar construiu uma bela carreira e foi mais uma vítima da falta de preparo da seleção.
Waldemar foi um dos profissionais que aceitaram a proposta financeira da CBD para defender o país. Iniciou a carreira no Sírio paulista e jogou por São Paulo, San Lorenzo (ARG), Botafogo, Flamengo, Portuguesa e Portuguesa Santista, parando em 1945.
Após isso, tornou-se técnico do Bauru Atlético Clube, e, em 1954, viu Pelé pela primeira vez. De olho na grande habilidade do garoto, decidiu levá-lo para o Santos dois anos depois.
Em sua mais breve campanha em Copas do Mundo, o Brasil viajou 15 dias de navio até a Europa e viu o sonho de conquistar o título se desfazer em apenas 90 minutos de bola rolando, com uma derrota incontestável para a forte seleção espanhola.
Dessa vez, a divisão foi entre profissionais e amadores. A CBD (Confederação Brasileira de Desportos) condenava o profissionalismo, já instalado em São Paulo. Para tentar convencer alguns profissionais, a CBD ofereceu pequenas fortunas em dinheiro pela participação no Mundial.
O amadorismo era tamanho que, no papel, Luís Vinhais era o treinador, mas quem exercia o cargo era Carlito Rocha. Inscrito como árbitro, Rocha não poderia, oficialmente, comandar a equipe do banco de reservas e, dessa forma, acompanhava as partidas como delegado do grupo brasileiro.
Na Itália, apenas um treino antes da partida contra os espanhóis foi realizado. Durante a viagem, os 15 dias no navio engordaram muitos jogadores, que não tiveram tempo para recuperar a forma física.
Pouco inspirado e sem mobilidade, o Brasil sucumbiu. Aos 30min de jogo, a seleção brasileira já perdia por 2 a 0, ambos os gols marcados por Iraragorri.
Quando a partida ainda estava apenas no 1 a 0 para os espanhóis, aos 17min, Waldemar de Brito cobrou pênalti defendido pelo fora-de-série Zamora, destaque entre os goleiros da primeira metade do século 20.
A defesa de Zamora, além de impedir o empate do Brasil, abalou o ânimo dos jogadores brasileiros e deu inspiração para que a Espanha aumentasse a vantagem. No fim do primeiro tempo, o Brasil era derrotado 3 a 0 - Langara havia marcado o terceiro.
Aos 27min da etapa final, Leônidas da Silva começou a escrever seu nome na história ao marcar o único gol da seleção brasileira. A derrota eliminou o Brasil logo na estréia, impondo ao país a sua pior campanha em Copas do Mundo.