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O ARTILHEIRO

Just Fontaine

País: França
Idade: 25 anos

Jogos: 6
Gols: 13

Com 13 gols marcados em seis partidas, Fontaine foi o maior artilheiro na Suécia - marcou mais gols que os dois segundos colocados juntos (Pelé, do Brasil, e Rahn, da Alemanha, ambos com seis). É até hoje o recordista de gols em uma mesma edição da Copa. Em 1958, Fontaine marcou gol em todos os jogos da França. Somente na partida contra a Alemanha Ocidental, ele fez quatro. Os outros gols foram marcados nos jogos contra a Escócia, a Iugoslávia, o Paraguai, a Irlanda do Norte e o Brasil. Nascido em Marrocos, filho de mãe espanhola e pai francês, o atacante sempre defendeu a seleção do país de seu pai. Em 21 partidas, anotou 30 gols. Fontaine encerrou a carreira com apenas 27 anos após sofrer duas fraturas da tíbia em um curto período de tempo.
AFP

O CRAQUE

Valdir Pereira (Didi)

País: Brasil
Idade: 28 anos

Jogos: 6
Gols: 1

Valdir Pereira, o Didi ou o "Principe Etíope", como era chamado, foi um dos maiores médios volantes de todos os tempos. Com classe e categoria, o camisa oito da seleção comandava com firmeza o meio de campo do Brasil. Marcou um gol no torneio, na vitória de 5 a 2 sobre a França, na semifinal. Na decisão, sua liderança foi fundamental na virada sobre a Suécia - após o primeiro gol dos anfitriões, botou a bola embaixo do braço e, confiante, a levou lentamente até o círculo central. Além de ser o criador a folha seca (forma de bater na bola com o lado externo do pé, hoje chamada "trivela"), foi o autor da célebre frase "treino é treino, jogo é jogo", um desabafo às vésperas da Copa contra as reclamações de que ele não estaria se esforçando na preparação.
Reprodução

A MÁQUINA

Nasce uma lenda

Terceira em 1938 e vice em 1950, a seleção brasileira finalmente conseguiu se impor aos rivais e faturar a sua primeira Copa, acabando de vez com o "complexo de vira-latas", termo cunhado por Nelson Rodrigues para definir o sentimento de inferioridade em relação aos europeus. A conquista só foi possível graças à combinação de uma inédita organização dos dirigentes com uma das melhores gerações de craques que o país já produziu. Tanto que Pelé e Garrincha, hoje considerados deuses, começaram na reserva. A seleção de Vicente Feola teve adversários difíceis, mas com um futebol ofensivo, venceu cinco das seis partidas. O único empate aconteceu diante da Inglaterra: o primeiro 0 a 0 da história.

A SURPRESA: País de Gales

O País de Gales quase não foi à Copa, mas fez bonito. A equipe ficou em segundo lugar no seu grupo das eliminatórias, perdendo a vaga para a Tchecoslováquia. Graças às confusões na Ásia, porém, os galeses ganharam uma segunda chance. Os países muçulmanos se recusaram a enfrentar Israel, que iria ao Mundial sem entrar em campo. Para evitar isso, a Fifa promoveu um duelo entre País de Gales e Israel. Os europeus venceram os dois jogos por 2 a 0 e se classificaram. Na Suécia, fizeram ótima campanha, caindo somente nas quartas-de-final, diante do campeão Brasil.

A GARFADA SUE 3 X 1 ALE

A equilibrada semifinal só pendeu para o lado da Suécia graças ao juiz argentino Juan Brozzi. O placar apontava 1 a 0 para os alemães quando Liedholm matou a bola com o braço e passou para Skoglund empatar. O árbitro, porém, não considerou o toque intencional. Aos 14min do segundo tempo, o sueco Hamrin deu um soco no alemão Juskowiak, que revidou com um chute. Brozzi não viu a primeira agressão e só expulsou Juskowiak. Com um homem a mais, o time da casa marcou mais dois e passou à decisão.

A ZEBRA: TCH 6 x 1 ARG

15 de junho de 1958 é um dia que os argentinos gostariam de esquecer. Precisando da vitória, o técnico tcheco Karel Kolski arriscou e escalou o time com cinco atacantes. Graças aos seguidos erros argentinos, a estratégia deu certo. Os tchecos passearam e venceram por 6 a 1. Foi a maior goleada sofrida pela Argentina em Copas.

A MURALHA

Lev Yashin (URSS)

Yashin teve participação decisiva na boa campanha da União Soviética no torneio (6º lugar). Mesmo tendo sofrido seis gols, fez fama defendendo um pênalti na vitória sobre a Áustria e fechando o gol para garantir o 1 a 0 sobre a Inglaterra que levou os soviéticos às quartas-de-final. Sua principal característica era a excelente colocação embaixo da trave, além de possuir agilidade e reflexo incomuns para os goleiros da época. Por essas qualidades e por usar o uniforme totalmente preto, ganhou o apelido de "Aranha Negra". O lendário arqueiro soviético é considerado por muitos o melhor que já existiu no futebol. Em uma eleição realizada em 1998 pela Fifa, Yashin foi escolhido o goleiro do século 20. Ele morreu em 21 de março de 1990, vítima de um câncer no estômago.

O MICO

A volta sem fim

O retorno dos campeões ao Brasil foi uma maratona, que começou na manhã do dia 1º de julho. Após escalas em Londres, Paris e Lisboa, com direito a coquetéis e desfile pelas ruas, a delegação chegou a Recife debaixo de chuva. Mesmo assim, desfilou e ouviu discursos na sede do governo pernambucano. Às 20h do dia 02, a seleção desembarcou no Rio, desfilou em carro aberto e seguiu para a festa da vitória no prédio das Emissoras Associadas. Por volta de 0h, foram ao Palácio do Catete, onde foram recebidos pelo presidente Juscelino Kubitschek. Passaram a madrugada toda por lá e só conseguiram dormir 43 horas depois do embarque na Suécia.


SELEÇÕES

Goleiro:

1. Yashin (URSS)

Defesa:

2. N. Santos (BRA)

3. Blanchflower (IRN)

4. Liedholm (SUE)

5. Voinov (URSS)

Meio-campo:

7. Zito (BRA)

8. Didi (BRA)

6. Skoglund (SUE)

Ataque:

9. Pelé (BRA)

10. Fontaine (FRA)

11. Garrincha (BRA)