Em time que está ganhando não se mexe. Essa foi a filosofia do Brasil para a Copa do Mundo de 1962. Quase tudo que havia dado certo quatro anos antes foi mantido para a campanha do bi. Paulo Machado de Carvalho foi novamente o chefe da delegação brasileira no Chile.
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O substituto do Rei
Amarildo pode ser considerado um jogador de azar. Craque, ídolo no Botafogo, teve um "defeito" que o atrapalhou em suas convocações para a seleção brasileira: jogava na mesma posição de Pelé.
Por outro lado, teve sorte. Pelé se machucou e sobrou para Amarildo a responsabilidade de entrar em seu lugar. Ele não decepcionou - jogou bem até a grande decisão e foi um dos destaques do Brasil no Mundial.
Seu primeiro clube foi o Goytacaz, de Campos, sua cidade-natal. Além dele, defendeu Flamengo, Botafogo, Vasco e, na Itália, Milan, Fiorentina e Roma.
Amarildo marcou nove gols em suas 24 partidas pela seleção. Seu grande ano foi 1962: além do título mundial, ainda sagrou-se campeão estadual e do Rio-SP pelo Botafogo.
E, apesar da troca de Vicente Feola por Aymoré Moreira no comando técnico, a maior parte do elenco campeão na Suécia continuou na seleção. Dos 11 jogadores que atuaram na final anterior, 9 estavam na equipe que estreou no dia 30 de maio de 1962, contra o México: Gilmar, Djalma Santos, Nilton Santos, Zito, Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagallo.
Os mexicanos contavam com uma grande arma embaixo dos três paus: o goleiro Carbajal. Ao fim do primeiro tempo, nem o forte ataque formado por Garrincha, Pelé, Vavá e Zagallo havia conseguido ultrapassá-lo. Os gols só saíram na etapa final. Zagallo aproveitou cruzamento de Garrincha aos 11min e abriu o placar. Aos 28min, o mesmo Zagallo passou para Pelé, que driblou o zagueiro Sepúlveda e fechou o placar da vitória por 2 a 0.
Na partida seguinte, contra a Tchecoslováquia, o elenco brasileiro sofreu um duro golpe: Pelé se machucou e foi obrigado a abandonar o torneio. O jogo terminou 0 a 0 e, além da perda de seu principal jogador, o Brasil teve que lutar contra o desânimo.
Amarildo estreou no lugar de Pelé contra a Espanha, no jogo seguinte, e não se intimidou com a responsabilidade. Foram dele os dois gols da vitória brasileira por 2 a 1. A partir das quartas-de-final, porém, brilhou mais forte a estrela de Garrincha.
O imprevisível ponta do Botafogo marcou duas vezes, e o Brasil venceu a Inglaterra por 3 a 1. Mané continuou liderando o forte ataque brasileiro na semifinal contra os anfitriões. Marcou os dois primeiros, Vavá os outros dois, e o Brasil goleou o Chile por 4 a 2.
Na decisão, o Brasil reencontrou a única equipe que não havia conseguido vencer no torneio: a Tchecoslováquia, "aquela equipe com a camisa do São Cristóvão", segundo Garrincha. E os tchecos começaram dominando a partida.
Aos 15min, Kadabra driblou Mauro e Djalma Santos e tocou para Masopust fazer 1 a 0. O gol não abalou o Brasil, que empatou dois minutos depois com Amarildo. Em seguida, Zito virou o placar, de cabeça. Coisa rara no torneio, o goleiro tcheco Schrojf falhou ao deter um cruzamento, aos 33min, e soltou uma bola nos pés do brasileiro Vavá, que matou o jogo.
A vitória na final coroou a bela campanha do Brasil: cinco vitórias e um empate em seis jogos, com 14 gols marcados e 5 sofridos. Dois dos seis artilheiros do torneio estavam no ataque brasileiro: Vavá e Garrincha, com quatro gols cada.