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A melhor seleção de todos os tempos

Após o fracasso em 66, a seleção brasileira viveu anos de instabilidade. Aymoré Moreira entrou no lugar de Vicente Feola, mas logo foi substituído por Osvaldo Brandão. Sem bons resultados, ele caiu. Em 68, Zagallo assumiu o comando técnico pela primeira vez. Sem definir o time tiular, porém, perdeu a vaga para o jornalista João Saldanha.

Arquivo Folha Imagem

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O único tricampeão
Até hoje, o único jogador três vezes campeão mundial é Édson Arantes do Nascimento, o Pelé. Ele nasceu em Três Corações, Minas Gerais, em 23 de outubro de 1940. Aos 17, já era titular da seleção campeã mundial na Suécia.

Antes da Copa de 1970, entretanto, Pelé teve sua "majestade" contestada. Houve quem o criticasse, dissesse que ele não era mais o mesmo. João Saldanha, técnico da seleção nas eliminatórias, teria insinuado que o craque tinha problemas de visão.

As críticas serviram de motivação. Pelé saiu da Copa de 1970 ainda mais consagrado, autor de 4 gols inesquecíveis - e até de "não-gols" que também entraram para a história do futebol.

Na impressionante carreira, foram 1.279 gols marcados em 1.367 partidas; 45 títulos pelo Santos, um pelo Cosmos (EUA), um pela seleção das Forças Armadas Brasileiras, um pela seleção paulista e nove pela seleção brasileira. Pelé foi considerado o Atleta do Século 20 em pelo menos quatro ocasiões.

O novo técnico anunciou de imediato seu time titular para as eliminatórias - as "feras" do Saldanha. Em uma chave com Colômbia, Paraguai e Venezuela, o Brasil conseguiu seis vitórias, 23 gols marcados e apenas dois sofridos. O sucesso não impediu outra troca de treinador.

O presidente da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), João Havelange, devolveu a Zagallo o cargo de Saldanha. A mudança teria sido um pedido do governo militar, que não admitia um militante do extinto Partido Comunista em um cargo de tanta visibilidade.

Apesar disso, a preparação foi muito bem feita. A comissão técnica, pela primeira vez, contava com uma equipe completa, com preparador físico, médico e massagista. Um minucioso trabalho de aclimatação, prática inédita até então, deixou os jogadores em condições de suportar a altitute e o calor (os jogos foram realizados por volta do meio-dia, exigência da TV) mexicanos.

Amplo favorito, o Brasil teve uma estréia difícil. A Tchecoslováquia chegou a sair na frente, mas Rivelino, Pelé e Jairzinho (duas vezes) viraram o placar para 4 a 1. Essa partida teve ainda um dos lances mais espetaculares da Copa: Pelé chutou do meio do campo na tentativa de encobrir o goleiro Viktor, mas a bola passou a centímetros da trave tcheca.

Campeões das duas últimas Copas, Brasil e Inglaterra fizeram um duelo à altura de suas tradições na segunda rodada. A seleção brasileira não contou com Gérson, contundido, e só conseguiu o gol no segundo tempo: Tostão driblou quatro adversários e tocou para Pelé, que passou para Jairzinho garantir a suada vitória.

Nesse jogo, outro lance ficou marcado na memória do futebol. Quando o placar ainda apontava 0 a 0, Pelé deu uma cabeçada forte e certeira no canto direito. Milagrosamente, o goleiro inglês Gordon Banks evitou o gol, praticando aquela que ficou conhecida como a maior defesa de todos os tempos.

Além de Gérson, o Brasil também não teve Rivellino contra a Romênia. Pelé, de falta, e Jairzinho deram a vantagem por 2 a 0 na metade do primeiro tempo. Os romenos diminuíram com Dumitrache e passaram a insistir nas jogadas aéreas em busca do empate. Mas Pelé fez o terceiro e tranqüilizou a equipe, que ainda levaria mais um, de Dembrowki (3 a 2).

Vencidos esses três obstáculos, a seleção deslanchou. Nas quartas-de-final, o Peru foi goleado por 4 a 2. Na semifinal, o Uruguai até saiu na frente, mas cedeu o empate em grande jogada de Clodoaldo e levou a virada no segundo tempo, com gols de Jairzinho e Rivellino (3 a 1).

Na final, Brasil e Itália disputavam o título, a posse definitiva da taça Jules Rimet e a honra de ser o primeiro tricampeão do mundo. O primeiro tempo terminou empatado, com Pelé abrindo o placar de cabeça e Boninsegna empatando para os italianos.

Na segunda etapa, o volume de jogo verde-amarelo foi muito maior. Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto Torres selaram a goleada brasileira por 4 a 1, encerrando uma campanha brilhante que transformou essa equipe em uma lenda do futebol.

DATA FASE JOGOS
03/06/1970 Primeira fase
Brasil
4 x 1
Tchecoslováquia

Brasil

Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza (Fontana), Everaldo; Clodoaldo, Gérson (Paulo Cesar Caju), Rivellino; Jairzinho, Tostão, Pelé.
Técnico: Zagallo

Tchecoslováquia

Viktor; Dobias, Migas, Horvath, Hagara; Hrdlicka (Kvasnak), Kuna, F. Vesely (B. Vesely); Petras, Adamec, Jokl.
Técnico: Josef Marko

  • Local: Estádio Jalisco, em Guadalajara
  • Árbitro: Ramon Barreto (URU)
  • Auxiliares: Arturo Yamasaki (PER) e Abraham Klein (ISR)
  • Cartões amarelos: Gérson, Tostão (BRA); Horvath (TCH)
  • Público: 52.897
  • Gols: Petras (TCH) 12min, Rivellino (BRA) 24min do 1º tempo; Pelé (BRA) 15min, Jairzinho (BRA) 19min e 38min do 2º tempo
07/06/1970 Primeira fase
Brasil
1 x 0
Inglaterra

Brasil

Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo; Clodoaldo, Rivellino, Paulo César Caju; Jairzinho, Tostão (Roberto Miranda), Pelé.
Técnico: Zagallo

Inglaterra

Banks; Wright, Labone, Bobby Moore, Cooper; Mullery, Ball, R.Charlton (Bell), Lee (Astle), Hurst, Peters.
Técnico: Alf Ramsey

  • Local: Estádio Jalisco, em Guadalajara
  • Árbitro: Abraham Klein (ISR)
  • Auxiliares: Arturo Yamasaki (PER) e Roger Machin (FRA)
  • Cartões amarelos: Lee (ING)
  • Público: 66.843
  • Gol: Jairzinho (BRA) 15min do 2º tempo
10/06/1970 Primeira fase
Brasil
3 x 2
Romênia

Brasil

Félix; Carlos Alberto, Brito, Fontana, Everaldo (Marco Antônio); Piazza, Clodoaldo (Edu), Paulo Cesar Caju; Jairzinho, Tostão, Pelé.
Técnico: Zagallo

Romênia

Adamache (Raducanu); Satmareanu, Lupescu, Dinu, Mocanu; Dumitru, Nunweiller, Dembrovschi; Neagu, Dumitrache (G. Tataru), Lucescu.
Técnico: Angelo Niculescu

  • Local: Estádio Jalisco, em Guadalajara
  • Árbitro: Ferdinand Marschall (AUT)
  • Auxiliares: Vital Loraux (BEL) e Ramon Barreto (URU)
  • Cartões amarelos: Mocanu, Dimitru (ROM)
  • Público: 50.804
  • Gols: Pelé (BRA) 20min, Jairzinho (BRA) 22min, Dumitrache (ROM) 33min do 1º tempo; Pelé (BRA) 21min, Dembrovschi (ROM) 38min do 2º tempo
14/06/1970 Quartas-de-final
Brasil
4 x 2
Peru

Brasil

Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza, Marco António; Clodoaldo, Gérson (Paulo Cesar Caju), Rivellino; Jairzinho (Roberto Miranda), Tostão, Pelé.
Técnico: Zagallo

Peru

Rubinos; Campos, Fernandez, Chumpitaz, Fuentes; Mifflin, Challe, Baylón (Sotil); León (Reyes), Cubillas, Gallardo.
Técnico: Didi

  • Local: Estádio Jalisco, em Guadalajara
  • Árbitro: Vital Loraux (BEL)
  • Auxiliares: Gyula Emsberger (HUN) e Ferdinand Marschall (AUT)
  • Público: 54.233
  • Gols: Rivelino (BRA) 11min, Tostão (BRA) 15min, Gallardo (PER) 28min do 1º tempo; Tostão (BRA) 7min, Cubillas (PER) 24min, Jairzinho (BRA) 31min do 2º tempo
17/06/1970 Semifinal
Brasil
3 x 1
Uruguai

Brasil

Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo; Clodoaldo, Gérson, Rivellino; Jairzinho, Tostão, Pelé.
Técnico: Zagallo

Uruguai

Mazurkiewicz; Ubiñas, Ancheta, Matosas, Mujica; Maneiro (Espárrago), Cortez, Montero Castillo; Luis Cubilla, Fontes, Morales.
Técnico: Juan Eduardo Hohberg

  • Local: Estádio Jalisco, em Guadalajara
  • Árbitro: Jose Maria Ortiz de Mendibil (ESP)
  • Auxiliares: Tofik Bakhramov (URSS) e Ferdinand Marschall (AUT)
  • Cartões Amarelos: Carlos Alberto (BRA); Fontes, Maneiro e Mujica (URU)
  • Público: 51.261
  • Gols: Cubilla (URU), aos 19min, e Clodoaldo (BRA), aos 45min do 1º tempo; Jairzinho (BRA), aos 31min, e Rivelino (BRA), aos 45min do 2º tempo
21/06/1970 Final
Brasil
4 x 1
Itália

Brasil

Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo; Clodoaldo, Rivellino, Gérson; Jairzinho, Tostão, Pelé.
Técnico: Zagallo

Itália

Albertosi; Burgnich, Cera, Rosato, Facchetti; Bertini (Juliano), Domenghini, De Sisti; Mazzola, Boninsegna (Rivera), Riva.
Técnico: Ferruccio Valcareggi

  • Local: Estádio Azteca, na Cidade do México
  • Árbitro: Rudolf Glöckner (ALE)
  • Cartões Amarelos: Rivelino (BRA); Burgnich (ITA)
  • Público: 107.412
  • Gols: Pelé (BRA) 18min, Boninsegna (ITA) 37min do 1º tempo; Gérson (BRA) 21min, Jairzinho (BRA) 26min, Carlos Alberto (BRA) 41min do 2º tempo
 

SELEÇÕES

Goleiros

1. Félix
24.12.1937
Fluminense
12. Ado
04.07.1946
Corinthians
22. Leão
11.07.1949
Palmeiras

Laterais

4. Carlos Alberto
17.07.1944
Santos
21. Zé Maria
18.05.1949
Portuguesa
6. Marco Antônio
06.02.1951
Fluminense
16. Everaldo
11.09.1944
Grêmio

Zagueiros

2. Brito
09.08.1939
Flamengo
3. Piazza
25.02.1943
Cruzeiro
14. Baldocchi
14.03.1946
Palmeiras
15. Fontana
31.12.1940
Cruzeiro
17. Joel Camargo
18.09.1946
Santos

Meias

8. Gérson
11.01.1941
São Paulo
5. Clodoaldo
25.09.1949
Santos
11. Rivellino
01.01.1946
Corinthians

Atacantes

7. Jairzinho
25.12.1944
Botafogo (RJ)
9. Tostão
25.01.1947
Cruzeiro
10. Pelé
23.10.1940
Santos
18. Paulo César Caju
16.06.1949
Botafogo
13. Roberto Miranda
31.07.1943
Botafogo
19. Edu
06.08.1949
Santos
20. Dario
04.03.1946
Atlético Mineiro

Técnico

Mario Zagallo