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Zagallo assumiu o comando do Brasil
às vésperas da Copa

FOTOS DA COPA DE 70

Em cores para o mundo

Clodoaldo se livra de quatro marcadores no campo de defesa com dribles curtos e passa para Tostão. O atacante cruzeirense lança Pelé, que recebe na entrada da área e, sem olhar, rola para Carlos Alberto com categoria. O lateral chega em velocidade e chuta cruzado, sem chances para o goleiro italiano Albertosi. Foi o último gol brasileiro na vitória por 4 a 1 sobre a Itália na final da Copa.

O lance, um dos mais bonitos da história dos Mundiais, pôde ser visto ao vivo e à cores. O Mundial de 70 foi o primeiro a ser trasnmitido pela TV, via satélite, para todos os continentes. Nas décadas seguintes, a mídia seria fundamental para a popularização do esporte ao redor do mundo.

Superando a concorrência da Argentina e antipatia dos europeus pela altitude, o México foi escolhido para sede do torneio em outubro de 1964. Pesaram a favor da candidatura mexicana a força de sua moeda à época e a infra-estrutura que seria herdada dos Jogos Olímpicos de 1968.

Com capacidade para mais de 100 mil torcedores, o estádio Azteca foi testado e aprovado durante as Olimpíadas. Os estádios Jalisco, em Guadalajara, e de Toluca foram inteiramente reformados. Em León e Puebla, foram erguidas arenas novinhas em folha para aproximadamente 30 mil pessoas.

Dos 138 países filiados à Fifa, 71 se inscreveram para as eliminatórias. O boicote à edição anterior surtiu efeito, e os países africanos ganharam direito a uma vaga no torneio - que ficaria com Marrocos. Na Europa, a fase classificatória teve várias surpresas, com França, Espanha, Portugal e Iugoslávia ficando de fora.

O Brasil não teve dificuldades para passar pelas eliminatórias. Em uma chave com Colômbia, Paraguai e Venezuela, conseguiu seis vitórias, 23 gols marcados e apenas dois sofridos. Uruguai e Peru foram as outras nações sul-americanas que obtiveram as vagas para o continente. A decepção ficou por conta da Argentina, que foi a última no grupo de peruanos e bolivianos.

O jornalista João Saldanha treinou o grupo brasileiro durante toda a campanha das eliminatórias. Após a classificação, no entanto, o presidente da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), João Havelange, o demitiu. Esse teria sido um pedido do governo militar, que não admitia um militante do extinto Partido Comunista em um cargo de tanta visibilidade. Em seu lugar, entrou Mário Jorge Lobo Zagallo, bicampeão mundial como jogador.

Apesar do incidente, a preparação foi muito bem feita. A comissão técnica, pela primeira vez, contava com uma equipe completa, com preparador físico, médico e massagista. A contratação dos especialistas foi fundamental para a seleção suportar o calor (os jogos foram realizados por volta do meio-dia, exigência das emissoras de televisão) e a altitude (a equipe realizou um trabalho de aclimatação em Guanajuato, a 3 mil metros acima do nível do mar, inédito na época).

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