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Ditador Jorde Rafael Videla usou o Mundial para disfarçar o terror

FOTOS DA COPA DE 78

O futebol a serviço da ditadura

Depois de várias tentativas - havia se candidatado pela primeira vez em 1930 -, a Argentina finalmente conseguiu organizar uma Copa do Mundo. A decisão foi anunciada em um congresso realizado em Londres, pouco antes do Mundial de 1966.

Dez anos mais tarde, o governo de Isabel Perón, viúva do ex-presidente Juan Domingo Perón, foi derrubado pelos militares, que, assim como fizeram em vários países latino-americanos, instituiram o regime ditatorial.

O general Jorge Rafael Videla aproveitou o Mundial para encobrir o terror político. Várias organizações protestaram contra a realização do torneio em um país que prendia, torturava e assassinava os opositores. Alguns jogadores se recusaram a viajar, casos do alemão Breitner e do holandês Cruyff, astro da Copa anterior.

O presidente da Fifa, João Havelange, resistiu às pressões, pois devia apoio à Federação Argentina, que havia ajudado a elegê-lo quatro anos antes. Assim como aconteceu na Itália, em 1934, e no Brasil, em 1970, o futebol serviu aos interesses políticos dos miltares no poder.

Àquela altura, a Fifa já possuía mais membros que a ONU (Organização das Nações Unidas)- 106 países se inscreveram para as eliminatórias, um recorde até então, mas apenas 97 a disputaram. Por isso, Havelange começou a trabalhar nos bastidores para aumentar o número de vagas para 24, o que só aconteceria em 1982.

Na Europa, as surpresas foram as ausências de Inglaterra e União Soviética. Na América do Sul, o bicampeão Uruguai perdeu sua vaga para a Bolívia. O Brasil, por sua vez, fez uma campanha sem grande brilho. Em um grupo com Paraguai e Colômbia, conseguiu a classificação com dois empates e duas vitórias.

Os argentinos tiveram várias "colheres de chá" para conquistar o primeiro título mundial. Os organizadores, sem dar explicação, obrigavam os principais adversários dos donos da casa a viajaren vários quilômetros entre uma partida e outra. Enquanto isso, a seleção local, ficava concentrada em uma única cidade na segunda fase: Rosário.

Além disso, a Argentina conseguiu a alteração do horário do jogo entre Brasil e Polônia. Com isso, entrou em campo na última rodada da fase semifinal sabendo quantos gols precisava fazer sobre o Peru para ir à decisão.

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