Em 1982, o Brasil vivia uma fase de transições. No plano político, a ditadura militar começava a dar lugar à democracia. No futebol, antes subordinado a CBD (Confederação Brasileira de Desportos), finalmente era criada a CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
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Quadrado mágico
Termo da moda no futebol brasileiro, o "quadrado mágico" não é novidade na seleção. Em 82, Telê Santana formou o meio-campo do Brasil com Falcão, Cerezo, Sócrates e Zico.
Zico já era consagrado antes da Copa. Havia conquistado o Mundial de clubes com o Flamengo um ano antes e disputado a Copa de 78 pela seleção. Em 82, marcou quatro gols. Sócrates também foi à Espanha como craque consagrado por seus toques de classe, calma e liderança. Falcão, que já atuava na Roma, desfilou elegância, e passes e desarmes perfeitos.
Já Cerezo, o mais criticado dos quatro, era, por seu excelente preparo físico, o complemento ideal à classe dos outros três componentes do "quadrado mágico". A falha em um dos gols na derrota para a Itália acabou ofuscando sua boa participação na Copa.
Uma das primeiras medidas da nova entidade foi contratar o técnico Telê Santana, que tinha fama de disciplinador, mas sempre privilegiou os jogadores mais talentosos.
Em toda a história das Copas, poucas seleções conseguiram cativar tantos torcedores e críticos como o Brasil em 1982. Bastaram três jogos para que o time de Telê fosse apontado por todos como o principal candidato ao título.
Depois da difícil estréia contra a União Soviética (vitória por 2 a 1, de virada), a seleção engrenou. Com fáceis goleadas nas partidas seguintes (4 a 1 na Escócia, e 4 a 0 na Nova Zelândia) e um futebol deslumbrante, os brasileiros ganharam confiança e prestígio. Zico, Sócrates, Falcão, Júnior, Éder e seus companheiros passaram a ser ídolos assediados pela torcida espanhola.
No primeiro jogo da segunda fase, outra vitória convincente: 3 a 1 sobre a arqui-rival Argentina, então campeã mundial, eliminada com o resultado. Ao Brasil, bastaria um empate com a Itália para que a vaga na semifinal estivesse garantida. O clima de euforia no país era enorme. Todos davam como certo o tetracampeonato.
Entretanto, a Itália, que fizera uma péssima primeira fase, estava em ascensão. Marcando com rigor o habilidoso time brasileiro, os italianos souberam se aproveitar de falhas na defesa adversária para vencerem por 3 a 2, com três gols de Paolo Rossi, o "carrasco" do futebol-arte.
O Brasil empatou duas vezes o jogo, mas não teve forças para reagir após sofrer o terceiro gol, aos 29min do segundo tempo. Até hoje, o mundo ainda busca uma explicação para a grande zebra do Mundial.
"Acredito que os jogadores brasileiros tiveram a presunção de que poderiam ganhar da Itália até com alguma facilidade, o que talvez tenha sido um erro tremendo. O time do Brasil deixou a impressão de certa inocência em alguns momentos, ao contrário de nossos jogadores, que têm experiência", comentou o técnico Enzo Bearzot na entrevista coletiva após a vitória.
Mesmo eliminada, a seleção foi recebida com festa em sua volta para casa. Milhares de pessoas recepcionaram os jogadores em São Paulo, no Rio e em Belo Horizonte. Foi o reconhecimento da torcida pelo futebol-arte. "Não esperava tanto carinho", disse um emocionado Telê.