Os espanhóis tiveram quase duas décadas para preparar o Mundial. A escolha da sede ocorreu no Congresso da Fifa realizado em 1964, em Tóquio. Os organizadores aproveitarm para observar os acertos e erros de duas edições anteriores, - na Inglaterra, em 1966, e no México, em 1970 -, e ofereceram uma infra-estrutura quase sem falhas.
Algumas novidades foram implantadas na 12ª edição da Copa. A mais significativa foi o aumento do número de nações participantes, de 16 para 24, contemplando, principalmente, os países asiáticos e africanos. Foi a retribuição de Havelange pelo apoio recebido dos representantes dos dois continentes na eleição para a presidência da Fifa, em 1974.
Apesar disso, a fórmula de disputa pouco se alterou em relação à edição anterior. Os dois primeiros colocados de cada grupo (eram seis chaves) avançaram para a segunda fase, composta de quatro grupos de três equipes (na Argentina, eram dois grupos de quatro, já valendo vaga na final). Os campeões da cada grupo foram às semifinais, diputadas em eliminatórias simples.
Com o aumento das vagas, cresceu também a quantidade de países interessados em participar das eliminatórias: 107 se inscreveram. As principais zebras foram as eliminações de Uruguai, que ficava de fora pela segunda vez seguida, e da Holanda, que vinha de dois vices consecutivos. Alguns países classificados provocaram surpresa, como Honduras e El Salvador (América Central), Argélia e Camarões (África), e Nova Zelândia (Oceania).
O Brasil, presidido pelo general João Baptista Figueiredo, vivia a fase de transição para a democracia. A abertura contagiou até o esporte. Até então, todas as modalidades estavam subordinadas a CBD (Confederação Brasileira de Desportos). O governo, então, decidiu descentralizar e criou organizações próprias para cada uma das diferentes atividades esportivas.
Nessa onda, foi instituída a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), que teve como primeiro presidente o empresário e cartola do América carioca, Giulite Coutinho. A primeira decisão do dirigente foi escolher o novo técnico da seleção: Telê Santana. O treinador elaborou um projeto de dois anos para preparar os brasileiros para o Mundial. Formou uma verdadeira constelação, com craques do naipe de Zico, Sócrates, Falcão, Toninho Cerezo, Júnior, entre outros.
Nas eliminatórias, porém, o Brasil não apresentou um futebol de alto nível. Venceu todos os jogos, contra Venezuela e Bolívia. Mas, nas partidas fora do País, o time mostrou deficiências e venceu por placares pouco convincentes: 1 a 0 contra a Venezuela, e 2 a 1 sobre a Bolívia.
Ao contrário do previsto, a tragetória brasileira na Espanha foi um verdadeiro desastre. Depois de convencer a opinião pública de que era o time a ser batido, a seleção de Telê sucumbiu na segunda fase, derrotada pela esforçada, mas pouco talentosa Itália. O termo "salto alto" é usado até hoje para definir a desclassificação de uma das melhores seleções de todos os tempos.
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