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Lazaroni comanda fiasco brasileiro à européia

A participação brasileira na Copa de 1990 foi a pior desde 1966, quando a seleção caiu ainda na primeira fase. O técnico Sebastião Lazaroni manteve-se fiel ao grupo que venceu a Copa América no ano anterior e chamou praticamente os mesmos jogadores, mesmo aqueles que não atravessavam bom momento. Até Romário, à época recuperando-se de uma complicada cirurgia, foi convocado.

Arquivo Folha Imagem

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A "Era Dunga"
O volante Dunga não protagonizou nenhum grande momento na Copa da Itália. Não marcou gols, não produziu lances de efeito, não decidiu nenhuma partida em favor do Brasil. Mesmo assim, tornou-se o grande símbolo daquela seleção de futebol de resultados, defensivo e sem brilho.

Dunga foi titular do meio-campo brasileiro em todas as partidas. No esquema adotado por Lazaroni, a escalação de Dunga ao lado de Alemão e Valdo tornou a equipe brasileira muito defensiva, sem rapidez e qualidade na criação das jogadas de ataque.

Por causa disso, Dunga passou a personificar aquele futebol destrutivo praticado pelo Brasil no início dos anos 90, período que, não por acaso, ficou conhecido como a "Era Dunga". Quatro anos mais tarde, ele daria a volta por cima ao erguer a taça do tetra nos EUA.

A seleção passou pelas eliminatórias sem grande dificuldade, apesar do triste episódio da "fogueteira Rosimeiry" na partida contra o Chile, no Maracanã.

O papelão dos chilenos, que abandonaram o campo com o goleiro Rojas fingindo estar ferido, facilitou as coisas para o Brasil.

Antes do início da Copa do Mundo, os jogadores entraram em atrito com os dirigentes por discordarem dos valores da premiação. E o Brasil, que deveria ficar concentrado em Milão, na última hora foi mandado para Turim.

Pela primeira vez, os familiares dos jogadores tiveram livre acesso à concentração da seleção. O hotel brasileiro transformou-se em uma passarela de parentes, convidados, empresários e dirigentes. Já a imprensa esportiva, boicotada por criticar a equipe, não podia entrar na concentração.

Em campo, Lazaroni tentou inovar - lançou Mauro Galvão como líbero, transformou os laterais em alas e adotou um esquema europeu. A tática não deu certo, o time ficou muito defensivo, e o técnico não conseguiu escalar a dupla de atacantes que gostaria (Bebeto e Romário).

Os dois primeiros jogos do Brasil na Copa do Mundo foram duros. Com um futebol fraco e defensivo, a seleção venceu Suécia (2 a 1) e Costa Rica (1 a 0) sem convencer. Criticado e pressionado, Lazaroni viu alguns de seus reservas, como Renato Gaúcho e Aldair, se rebelarem, exigindo um lugar na equipe titular.

Em vez de se concentrarem no torneio, os jogadores conversavam com empresários sobre transferências para o futebol europeu. O próprio Lazaroni definia sua ida para a Fiorentina em plena disputa do Mundial.

Depois de outra vitória suada, 1 a 0 sobre a fraca seleção da Escócia, o Brasil bateu de frente com seu maior rival nas oitavas-de-final. Diante da Argentina, fez seu melhor jogo em todo o campeonato. Criou chances de gol, acertou a trave três vezes e marcou bem. Entretanto, no único lance em que teve liberdade, Maradona deixou Caniggia livre para fazer o gol da vitória.

A derrota precoce, mas merecida, mostrou ao Brasil que era preciso mais do que tradição e bons jogadores para conquistar um título mundial. O tempo provaria, quatro anos mais tarde, que a seleção de 1990 tinha um elenco talentoso, mas mal preparado, sem organização e dominado por vaidades pessoais.
DATA FASE JOGOS
10/06/1990 Primeira fase
Brasil
2 x 1
Suécia

Brasil

Taffarel; Ricardo Gomes, Mozer, Mauro Galvão; Jorginho, Dunga, Alemão, Valdo (Silas), Branco; Careca, Muller.
Técnico: Sebastião Lazaroni

Suécia

Ravelli; Roland Nilsson, Larsson, Ljung (Strömberg), Schwarz; Ingesson, Limpar, Joachim Nilsson, Thern; Brolin, Magnusson (Pettersson).
Técnico: Olle Nordin

  • Local: Stadio Delle Alpi, em Turim
  • Árbitro: Tullio Lanese (ITA)
  • Auxiliares: Romulo Molina (GUA) e Berny Morera (CRC)
  • Cartões Amarelos: Mozer, Branco, Dunga (BRA); Nilsson (SUE)
  • Público: 62.628
  • Gols: Careca (BRA) 40min do 1º tempo; Careca (BRA) 18min e Brolin (SUE) 34min do 2º tempo
16/06/1990 Primeira fase
Brasil
1 x 0
Costa Rica

Brasil

Taffarel; Ricardo Gomes, Mozer, Mauro Galvão; Jorginho, Dunga, Alemão, Valdo (Silas), Branco; Careca (Bebeto), Müller.
Técnico: Sebastião Lazaroni

Costa Rica

Conejo; Flores, González, Montero, Chavez; Chavarria, Ramirez, Gómez, Cayasso (Guimarães); Marchena, Claudio Jara (Myers).
Técnico: Bora Milutinovic

  • Local: Stadio Delle Alpi, em Turim
  • Árbitro: Neji Jouini (TUN)
  • Auxiliares: Jean Fidele Diramba (GAB) e Jassim Mandi Abdul-Rahman (BRN)
  • Cartões amarelos: Claudio Jara, Gómez (COS); Jorginho, Mozer (BRA)
  • Público: 58.007
  • Gol: Muller (BRA) 33min do 1º tempo
20/06/1990 Primeira fase
Brasil
1 x 0
Escócia

Brasil

Taffarel; Ricardo Gomes, Ricardo Rocha, Mauro Galvão; Jorginho, Dunga, Alemão, Valdo, Branco; Careca, Romário (Muller).
Técnico: Sebastião Lazaroni

Escócia

Leighton; McKimmie, MacLeod (Gillespie), McLeish, McPherson; Malpas, Aitken, McStay, McCall; Johnston, McCoist (Fleck).
Técnico: Andy Roxburgh

  • Local: Stadio Delle Alpi, em Turim
  • Árbitro: Helmut Kohl (AUT)
  • Auxiliares: Michal Listkiewicz (POL) e Siegfried Kirschen (Alemanha Oriental)
  • Cartões Amarelos: Johnston, McLeod (ESC)
  • Público: 62.502
  • Gol: Muller (BRA) 37min do 2º tempo
24/06/1990 Oitavas-de-final
Brasil
0 x 1
Argentina

Brasil

Taffarel; Mauro Galvão (Renato Gaúcho), Ricardo Gomes, Ricardo Rocha; Jorginho, Valdo, Dunga, Alemão (Silas), Branco; Careca, Muller.
Técnico: Sebastião Lazaroni

Argentina

Goycoechea; Simon, Ruggeri, Monzón, Olarticoechea; Giusti, Troglio (Calderón), Caniggia, Basualdo; Burruchaga, Maradona.
Técnico: Carlos Bilardo

  • Local: Stadio Delle Alpi, em Turim
  • Árbitro: Joel Quiniou (FRA)
  • Auxiliares: Alexey Spirin (URS) e Pierluigi Pairetto (ITA)
  • Cartões Amarelos: Monzón, Giusti, Goycoechea (ARG); Ricardo Rocha, Mauro Galvão (BRA)
  • Cartão vermelho: Ricardo Gomes (BRA) 40min do 2º tempo
  • Público: 61.381
  • Gol: Caniggia (ARG) 35min do 2º tempo
 

SELEÇÕES

Goleiros

1. Taffarel
08.05.66
Internacional
12. Acácio
20.01.59
Vasco
22. Zé Carlos
07.02.62
Flamengo

Laterais

2. Jorginho
17.08.64
Bayer Leverk. (ALE)
6. Branco
04.04.64
Genoa (ITA)
18. Mazinho
08.04.66
Vasco

Zagueiros

3. Ricardo Gomes
13.12.64
Benfica (POR)
13. Mozer
19.09.60
Olympique (FRA)
14. Aldair
30.11.65
Benfica (POR)
19. Ricardo Rocha
11.09.62
São Paulo
21. Mauro Galvão
19.12.61
Botafogo

Meias

4. Dunga
31.10.63
Fiorentina (ITA)
5. Alemão
22.11.61
Napoli (ITA)
7. Bismarck
11.09.69
Vasco
8. Valdo
12.01.64
Benfica (POR)
10. Silas
27.08.65
Sporting (POR)
20. Tita
01.04.58
Vasco

Atacantes

9. Careca
05.10.60
Napoli (ITA)
11. Romário
29.01.66
PSV (HOL)
15. Muller
31.01.66
Torino (ITA)
16. Bebeto
16.02.64
Vasco
17. Renato Gaúcho
09.09.62
Flamengo

Atacantes

Sebastião Lazaroni