Japão e Coréia do Sul queriam organizar a Copa do Mundo desde meados dos anos 80, mas separadamente. Com medo que a Fifa mudasse os planos e escolhesse um país de outro continente para receber a maior festa do futebol mundial, a Confederação Asiática convenceu as duas nações a apresentarem candidatura única.
A estratégia deu certo e, em 1996, o Comitê Executivo se reuniu em Zurique para anunciar a escolha. Foi uma espécie de retribuição pelo crescimento do esporte na Ásia. A Coréia do Sul já estava em sua sexta participação, recorde continental.
Os japoneses, por sua vez, foram impulsionados pela profissionalização - a J-League estreou em 1991 -, e conseguiram fazer com que a modalidade ameaçasse a hegemonia do beisebol e do sumô na preferência dos habitantes.
A festa promovida pelos dois países não poderia ser melhor. A organização foi impecável, assim como a infra-estrutura oferecida às delegações, torcedores e jornalistas. Os recursos investidos alcançaram cifras astronômicas. Os direitos de trasnmissão para TV, por exemplo, foram adquiridos pelo valor recorde de US$ 1,2 bilhão pela empresa alemã Kirch. Nada menos que 196 nações assistiram ao evento ao vivo pela telinha.
A Copa foi disputada pela segunda vez por 32 seleções, o que permitiu a classificação de escretes de baixo nível técnico. Eslovênia, China e Arábia Saudita, só para citar os exemplos mais claros, sofreram derrotas nas três partidas disputadas.
A seleção brasileira chegou ao Mundial desacreditada após a fraca campanha nas eliminatórias. A equipe, dessa vez comanda por Luiz Felipe Scolari, classificou-se apenas na última rodada. Terminou em terceiro lugar, atrás de Argentina e Equador.
A "família Scolari" aproveitou os vacilos das favoritas França e Argentina, eliminadas na primeira fase, e chegou à decisão atuando com três zagueiros. Na final, contra uma Alemanha que não estava entre as principais forças, valeu a categoria de Ronaldo. Além de marcar os dois gols da vitória, o atacante se redimiu da estranha convulsão de quatro anos antes.
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