Como um convidado especial que só chega no final, Figo entrou aos 32min do segundo tempo para se despedir da seleção portuguesa. Àquela altura, Portugal já perdia por 2 a 0. No minuto seguinte, já perdia por 3 a 0. Mas o veterano ponta ainda teve tempo de fazer o cruzamento para o gol de Nuno Gomes aos 42min. Gritou com a equipe, deu assistência para Cristiano Ronaldo, mas teve que se contentar com uma derrota por 3 a 1 no seu adeus.
Uma dor muscular após a semifinal contra a França o deixou no banco a observar o jogo ao lado do técnico brasileiro Luiz Felipe Scolari até entrar em campo. Após o apito final, Figo acenou para a torcida e abraçou o goleiro rival Kahn, que também está se desligando de sua seleção nacional. À beira do gramado, lamentou sua saída. "É duro acabar assim, mas Portugal teve méritos nesta Copa", confessou, mas disse que falaria de sua despedida mais tarde, na coletiva de imprensa.
Foi ao vestiário e anunciou seu adeus para os companheiros de time. Depois falou com a imprensa sobre sua decisão: "Este foi o meu último jogo a serviço da seleção. Disse aos meus companheiros que estou orgulhoso por ter feito parte desta equipe. Deixo a seleção em um momento em que o futebol português está de parabéns, por aquilo que fez nos últimos anos". Depois se emocionou: "Quando se deixa uma coisa de que se gosta, há 15 anos, não é fácil... Mas o mais importante é sair de consciência tranquila, de que fiz tudo o que estava ao meu alcance para dignificar o meu país. Chegou a altura de sair...algum dia teria de ser..."
CENAS DA VIDA
Melhor da Europa (2000) e do mundo (2001)
Estiloso fora e líder dentro de campo
Lançamento de seu livro e vestido de Inter
Fiasco luso em 2002 e esperança em 2006
Troca de elogios com Luiz Felipe Scolari
Figo não conseguiu igualar o feito de Eusébio, moçambicano que levou os lusitanos ao terceiro lugar em 1966. Mas fechou sua trajetória na "equipa nacional" em alta, como quarto lugar no mundo e vice-campeão europeu em 2004. Ficou para trás, o fiasco do Mundial de 2002 (eliminados na primeira fase). Ficou para a memória Figo como figura de um Portugal que superou Angola, Irã, México, Holanda e Inglaterra para chegar após 40 anos a uma semifinal de um "Campeonato do Mundo", como chamam por lá a Copa.
Luis Felipe Madeira Figo nasceu em 4 de novembro de 1972 em Almada, distrito industrial da capital lusitana Lisboa. De família simples, descobriu a paixão e a habilidade para o futebol ainda na infância.
Iniciou a carreira em um pequeno clube de bairro denominado "Os Pastilhas", de sua cidade-natal. Aos 11 anos de idade, passou a integrar a equipe júnior do Sporting Clube de Portugal.
Figo faz a sua formação no Sporting, estréia no profissional em 1989 defendendo a camisa do clube e obtém dois grandes títulos juvenis, apenas os primeiros de uma brilhante carreira: o Mundial sub-16, em 1989 e o Mundial de Juniores (sub-20) em 1991, quando atuou ao lado de outros renomados jogadores portugueses como João Pinto e Rui Costa.
Nos anos que seguiram, ganhou experiência e respeito por toda a Europa, mas não chegou a conquistar títulos importantes pela equipe. Transfere-se para a Espanha ao ser contratado pelo Barcelona em 1995.
No clube catalão, teve sua guinada para o sucesso. Sob o comando de técnicos como Johan Cruyff, Bobby Robson e Louis van Gaal, o português foi campeão da Recopa Européia (1997), da Copa do Rei da Espanha (1997 e 1998) e do Campeonato Espanhol (1998 e 1999), além de ter sido eleito por anos consecutivos o melhor jogador português em atuação na Europa.
Sua polêmica transferência para o arqui-rival Real Madrid em 2000 inaugurou a era de contratações milionárias no futebol mundial. Na época, os madrilenhos desembolsaram US$56 milhões para ter Figo no elenco, o que deu ao português o título de jogador mais caro do mundo na época. Ainda neste ano, foi considerado o melhor jogador da Europa pela revista France Footbal e o jogador do ano para a revista World Soccer.
No Real Madrid, Figo conquistou o Campeonato Espanhol em 2001 e 2003, a Liga dos Campeões da Europa de 2002, e o Mundial Interclubes da Fifa no mesmo ano. Além disso, foi eleito pela Fifa em 2001 como o melhor jogador do mundo.
Em 2004, o português lançou o livro "Figo - Um Ano na Vida de Luís Figo", que apresenta fotos inéditas tiradas por Hamish Brown (um dos mais conhecidos fotógrafos ingleses) e depoimentos de personalidades nacionais e internacionais do mundo esportivo.
Figo transferiu-se para a Itália em meados de 2005 para defender as cores da Inter de Milão. Ao lado do Imperador Adriano, não conseguiu levar a equipe às semifinais da Liga dos Campeões deste ano, mas ajudou a Inter a conquistar a Copa da Itália de 2006.
Após o sucesso nas equipes menores, o hoje capitão da seleção lusa estreou com a camisa de Portugal em 1991, aos dezenove anos, junto com a "geração dourada" de Rui Costa, Fernando Couto e Vítor Baía. O jogador é o recordista de participações na seleção portuguesa, com 127 jogos. Mesmo não tendo marcado na Alemanha, seus 31 gols o colocam como o 3º maior artilheiro de Portugal, atrás somente do companheiro de seleção Pauleta, recordista absoluto com 43, e do lendário Eusébio, com 41.
Esta foi a sua segunda Copa do Mundo. Em 2002, sua estréia em Copas, a seleção portuguesa não passou da primeira fase, sendo superada pelos anfitriões coreanos e os norte-americanos. Após esse fracasso, veio a Eurocopa-2004 e o vice-campeonato jogando em casa, passando no mata-mata por Inglaterra e Holanda, como nesta Copa de 2006. Schweinsteiger roubou a cena da disputa de terceiro lugar, com dois gols, mas Figo deixou sua marca.