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27/02/2006 - 19h29
Parreira despreza frio histórico para evitar imprevistos no Mundial
Daniel Tozzi Enviado especial do UOL Em Moscou (RUS)
| EXPERIÊNCIA DISCRETA |  Carlos Alberto Parreira "comemorou" 63 anos nesta segunda-feira, dia que passou viajando para Moscou, longe da família e do Carnaval. Segundo o site oficial da CBF, o treinador assoprou a velinhas acompanhado apenas dos integrantes da comissão técnica, embalados pelos tradicionais bolo e parabéns.
"Os jogadores não sabem (do aniversário), só a comissão técnica", disse o treinador aos jornalistas que aguardavam a seleção no Hotel Baltschug Kempinski, local de concentração do time na capital russa. O presente? "Quero continuar vivendo com a minha família. Depois vem a Copa. Uma coisa é a carreira, outra é a vida", completou o treinador. | A falta de oportunidades para fazer os ajustes necessários na seleção brasileira antes da fase de treinos para a Copa do Mundo faz o técnico Carlos Alberto Parreira minimizar os efeitos de uma das temperaturas mais baixas às quais o time pentacampeão já foi submetido.
Nesta quarta-feira, às 13h (horário de Brasília), o Brasil enfrenta a Rússia sob possíveis -17ºC de um dos invernos mais gélidos das últimos décadas em Moscou. A adversidade, no entanto, amplia ainda mais, na visão do treinador, a importância da partida, a última antes da convocação para a Copa do Mundo.
"Teríamos que jogar na Europa de qualquer maneira, então teríamos que enfrentar isso", afirmou o técnico na chegada a Moscou. "E sempre se aproveita alguma coisa dessas ocasiões, pois você tem que criar opções", completou.
O fato da maioria dos jogadores estar habituada a jogar no inverno europeu - embora não na estação russa, sempre mais rigorosa - também é visto por Parreira como atenuante para a situação. "Talvez esteja um pouco mais frio que em outros locais, mas quem sente mais somos nós que viemos do Brasil", opinou.
De fato, a "data-Fifa" - ocasião na qual os clubes europeus são obrigados a ceder seus jogadores para partidas das seleções nacionais no Velho Continente - desta quarta-feira reunirá, além de jogos de vários candidatos ao título mundial, as mais baixas temperaturas dos últimos invernos europeus.
Na Basiléia (SUI), Croácia e Argentina podem se enfrentar a -5ºC. O clássico entre Itália e Alemanha, o principal duelo do dia, poderá na pior das hipóteses ser disputado a 1ºC. Se o tempo ajudar, os jogadores e torcedores ficarão sob "agradáveis" 11ºC.
| TREMEU NA COPA | O jogo desta quarta é o primeiro do Brasil na Rússia nesta época do ano. O último duelo em território russo foi em 28 de agosto de 1996, durante o verão no hemisfério norte. Empate por 2 a 2. Donizete e Ronaldo marcaram os gols brasileiros.
Antes, a seleção visitara não a Rússia, mas União Soviética, extinta em 1991. Novamente no verão, em ambas as oportunidades. Julho de 1965, vitória por 3 a 0, e junho de 1973, vitória por 1 a 0.
Mas foi no inverno do hemisfério sul que o Brasil sentiu os efeitos do frio de maneira mais incisiva. Em 14 de julho de 1930, o time nacional estreou na Copa do Uruguai, contra a Iugoslávia, sob uma temporada de quase 0ºC. Derrota por 2 a 1. | Mas se o problema da temperatura pode ser ignorado, o do gramado, não. Apesar do Lokomotiv Stadium, local da partida, possuir um sistema de aquecimento para o seu campo, o inverno praticamente minou as condições de jogo no local. Segundo o administrador da seleção, Guilherme Ribeiro, o gramado está "careca".
Nesta terça-feira, a seleção faz o treino de reconhecimento às 10h (horário de Brasília). De acordo com a Federação Russa, os 28 mil ingressos postos à venda já estão esgotados.
E isso tudo sem grande alarde, tanto que a seleção chegou praticamente incógnita a Moscou. Apenas quatro torcedores aguardavam a delegação em frente ao hotel da delegação. Segundo o site oficial da CBF, no aeroporto, em grande quantidade, apenas jornalistas russos.
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