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  28/02/2006 - 09h00
Brasil tem o pior "sparring" entre a elite da Copa do Mundo

Daniel Tozzi
Enviado especial do UOL
Em Moscou (Rússia)

Como se não bastassem o frio recorde ao qual será submetida, os desfalques (Dida, Cafu, Ronaldinho e Roque Júnior) e a falta de chances de atuar junta no ano de defesa do título mundial, a seleção brasileira encara em Moscou (RUS) o rival menos cotado como parâmetro ideal entre as equipes que enfrentam os candidatos ao título da Copa nesta quarta-feira.

Enquanto a Argentina pega a Croácia, adversária do Brasil no Mundial, e Itália e Alemanha se enfrentam em Florença, o time de Carlos Alberto Parreira joga contra uma Rússia que sequer foi à repescagem da Copa - ficou em terceiro no grupo 3, atrás de Portugal e Eslováquia - e está longe de qualquer título há um bom tempo.

QUEM É QUEM
Rússia (34º, 664 pontos) x
Brasil (1º, 837 pontos)
Inglaterra (9º, 758 pontos) x Uruguai (21º, 703 pontos)
Croácia (23º, 701 pontos) x Argentina (4º, 769 pontos)
Holanda (3ª, 791 pontos) x Equador (38º, 650 pontos)
Turquia (11º, 746 pontos) x
Rep. Tcheca (2º, 793 pontos)
França (5ª, 766 pontos) x Eslováquia (45º, 620 pontos)
Itália (12ª, 738 pontos) x Alemanha (19ª, 706 pontos)
Espanha (6ª, 765 pontos) x Costa do Marfim (32º, 674 pontos)
México (6º, 765 pontos) x
Gana (48º, 609 pontos)
Arábia Saudita (35ª, 661 pontos) x Portugal (10º, 756 pontos)
classificados para a Copa do Mundo
De acordo com a classificação atual do ranking da Fifa, um abismo de 33 posições e 173 pontos separa os brasileiros de seus únicos adversários até a convocação para a Copa do Mundo. Tal dado, somado ao retrospecto recente das duas seleções, evidencia o confronto como o de maior contraste desta quarta-feira.

França, 5ª no ranking, e México, 6º, até enfrentam seleções piores colocadas na lista da entidade - Eslováquia, 45ª, e Gana, 48ª, respectivamente. Mas, enquanto os eslovacos ficaram fora da Copa apenas na repescagem, após terem eliminado justamente os russos, os ganenses estão classificados para o Mundial, assim como o Equador, 38º colocado e que nesta quarta enfrenta a Holanda, 3ª no ranking e tida por Parreira como uma das favoritas ao título em julho.

Inglaterra e República Tcheca, outros favoritos na visão do técnico brasileiro, também enfrentam nesta quarta equipes que foram barradas do Mundial, mas que possuem desempenho superior ao dos russos de acordo com o ranking da Fifa. Enquanto os ingleses, 9º colocados, enfrentam o Uruguai, 21º e eliminado apenas na repescagem, os tchecos, que Parreira já disse que não gostaria de enfrentar, encaram a Turquia, 11ª colocada na lista e terceira na última Copa.

A escolha pelo jogo contra a Rússia, na casa do adversário, num momento no qual o campeonato nacional sequer começou justamente por causa do frio - a temporada tem largada apenas no próximo dia 18 - se deve a AmBev, patrocinadora da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e que, por contrato, receberá US$ 1,5 milhão pelo amistoso.

O emergente mercado russo é ambicionado pela companhia de bebidas, que inclui o país do leste europeu em seu plano de expansão ao lançar na terra da vodka uma de suas cervejas. Além da cota, a empresa também tem a chance de estreitar relacionamentos, já que aproveita o evento para convidar clientes preferenciais a acompanharem de perto a seleção.

Parreira não reclama, ao menos publicamente, da escolha da Rússia. Lamenta apenas o falta de oportunidades para reunir a seleção. "Gostaria de pelo menos três amistosos, seria ótimo para avaliar tudo com mais profundidade", afirmou o técnico, resignado.

Para os russos, a partida é uma espécie de recomeço após a decepção da eliminação do Mundial de 2006. O treinador das eliminatórias, Georgi Yartsev, foi demitido. O novo técnico ainda não foi definido pela Federação Russa de Futebol. Contra o Brasil, o time da casa será comandado pelo ex-jogador Alexandr Borodiuk.

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