UOL EsporteUOL Esporte
UOL BUSCA

FALE COM
UOL ESPORTE

  28/02/2006 - 09h01
Calendário e Parreira marcam preparações "econômicas" do Brasil

Daniel Tozzi
Enviado especial do UOL
Em Moscou (Rússia)

A seleção brasileira não pode ser caracterizada por testes em abundância em ano de Copa do Mundo quando o seu comandante é Carlos Alberto Parreira.

Rumo a sua segunda Copa no comando da seleção, Parreira já divide com Aymoré Moreira o posto de técnico que menos promoveu testes num ano de Mundial.

Em 1962, com Moreira, e em 1994, com Parreira, o Brasil entrou em campo seis vezes antes da estréia na Copa. Em ambas as oportunidades, acabou campeão com uma base definida com antecedência e que já vinha do Mundial anterior.

BRASIL EM ANO DE COPA
Técnico/AnoNº de testesPosição na Copa
Vicente Feola/1958setecampeão
Aymoré Moreira/1962seiscampeão
Vicente Feola/196614eliminado na 1ª fase
Zagallo/197012campeão
Zagallo/197411quarto colocado
Parreira/1994seiscampeão
Zagallo/1998novevice-campeão
Luiz Felipe Scolari/2002setecampeão
Neste ano, Parreira, a contragosto, irá se isolar como líder no quesito. Terá apenas um amistoso para ajustes - contra a Rússia, nesta quarta. O técnico considera três partidas como o mínimo necessário, além dos jogos que a seleção fará quando já estiver concentrada na Europa - um deles, já confirmado, será contra a Nova Zelândia, em 4 de junho.

A ausência de datas para testes faz Parreira até comemorar a ausência de Ronaldinho Gaúcho, contundido, no jogo contra a Rússia, em Moscou, o último antes da convocação para a Copa do Mundo. "Temos de estar preparados para qualquer circunstância. Agora, poderemos observar um jogador na ausência do Ronaldinho Gaúcho", afirmou.

A situação desagrada ao ponto do treinador ver o fato do Brasil ter sido obrigado a disputar as eliminatórias, mesmo na condição de campeão mundial, como algo positivo.

"A gente tem o trabalho praticamente pronto. As eliminatórias ajudaram muito. Eu sou contrário ao campeão ter que disputar as eliminatórias, mas para a seleção foi altamente benéfico", analisou.

Para a Copa de 1998, quando o Brasil foi treinado por Mario Jorge Lobo Zagallo, hoje coordenador-técnico, a falta da disputa de uma competição como as eliminatórias foi considerada prejudicial à equipe.

No ano do Mundial da França, o Brasil entrou em campo nove vezes antes da estréia contra a Escócia, incluindo a Copa Ouro e amistoso contra Alemanha (vitória por 2 a 1) e Argentina (derrota por 1 a 0).

Para a Copa de 2002, o calendário não impediu que Luiz Felipe Scolari, o quarto técnico da seleção após 1998, fizesse os testes que julgasse necessários.

Abriu mão dos europeus e de uma data-Fifa para jogar apenas com "nativos" os amistosos contra Bolívia, em janeiro, e Islândia, em março. Nessas partidas, Kleberson, Gilberto Silva e Kaká ganharam força para integrar o grupo que conquistaria o pentacampeonato meses depois.

Mas, assim como as seleções de 1962 e 1994 venceram a Copa com um número de testes no ano do Mundial inferior às outras equipes que conquistaram ou defenderam a taça (veja tabela acima), o quadro contrário, com amistosos e torneios em abundância na preparação, não significa necessariamente sucesso na Copa do Mundo.

Tanto que um dos maiores fiascos da seleção ocorreu justamente num Mundial no qual a equipe chegou a fazer 14 jogos preparatórios. Em 1966, para a Copa da Inglaterra, a CBD (Confederação Brasileira de Desportos), órgão predecessor da CBF no comando do futebol nacional, organizou 14 jogos no ano da competição. Alguns, inclusive, no mesmo dia, ou em dias seguidos, já que um grupo de 44 atletas se preparava para a disputa antes mesmo da convocação final.

Veja também


ÚLTIMAS NOTÍCIAS
28/02/2006
Mais Notícias