CENAS DO JOGO

Schneider discute com Heinze no começo da partida em Berlim

Ayala ganha da zaga alemã e marca o gol da Argentina

Klose comemora gol de empate da Alemanha no fim do 2º tempo

Lehmann defende cobrança de pênalti para a Alemanha

Alemães comemoram vitória sobre a Argentina por 4 a 2

Argentinos discutem com anfitriões depois da derrota
No primeiro encontro entre duas campeãs mundiais na Copa de 2006, a Alemanha levou a melhor, graças ao goleiro Lehmann. Os donos da casa venceram a rival Argentina nos pênaltis, depois de um empate em 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, e se classificaram para as semifinais da competição. O camisa 1 da Alemanha foi o grande herói, defendendo as cobranças de Ayala e Cambiasso.
Com o resultado, a Alemanha se consolidou como a seleção que se dá melhor em disputas de pênaltis. Até agora, os germânicos já precisaram passar por este tipo de desempate em quatro oportunidades, e venceram todas as vezes.
A Argentina também estava invicta em disputas de pênaltis, mas com a derrota nesta sexta-feira em Berlim vai voltar para a casa mais cedo. Na quinta-feira, o país comemorou o 20º aniversário do bicampeonato mundial. Desde então, só acumula fracassos na Copa.
Nas semifinais, a Alemanha vai enfrentar a Itália, que eliminou a Ucrânia por 3 a 0. A última vez que alemães e italianos jogaram em Copas foi em 1982, com vitória da Itália na final por 3 a 1.
Pela primeira vez nesta Copa, a Alemanha saiu atrás do marcador. Mas um gol de Klose, aos 35min do segundo tempo, fez com que os germânicos empatassem o tempo regulamentar em 1 a 1. Este foi o quinto gol de Klose na Copa, deixando o atacante ainda mais isolado na artilharia.
"Sempre acreditamos na virada, foi como em filmes do Hitchcock, com muito drama e tensão até o fim", declarou ao final do jogo o técnico Jürgen Klinsmann, que disse estar "muito orgulhoso do time ter chegado à semifinal", confronto em que irá enfrentar o vencedor do duelo entre Itália e Ucrânia.
Mesmo com a vaga nas semifinais, a Alemanha continua com um incômodo tabu. Desde 2000 a equipe não vence um time de primeira linha do futebol mundial, em uma seqüência que chegou a 17 jogos.
Mas a Alemanha passou a ter vantagem sobre a Argentina em jogos decisivos em Copas do Mundo. As seleções fizeram a final dos Mundiais de 1986 e 1990, com uma vitória para cada lado. Antes disso, já haviam se enfrentado outras duas vezes em Copas, ambas na fase inicial.
Nesta sexta, a disposição ofensiva da Argentina começou a ser demonstrada antes da partida. De maneira surpreendente, o técnico José Pekerman resolveu colocar Carlitos Tevez no time titular, no lugar de Saviola.
A Argentina promoveu também o retorno de Lucho González. Recuperado de contusão, o meio-campista entrou na vaga de Cambiasso. Apenas o lateral Burdisso não teve condições de jogo. Assim, Coloccini continuou no time.
Já a Alemanha foi a campo com a mesma formação que derrotou a Suécia nas oitavas-de-final, com a dupla Podolski e Klose no ataque.
Antes da partida, os dois times participaram de um ato da Fifa contra o racismo. Mas quando a bola começou a rolar, o fair play foi deixado de lado. Em menos de um minuto, Podolski e Frings fizeram faltas em Mascherano e Riquelme, respectivamente.
O jogo continuou quente, com jogadas ríspidas e discussões. Aos 4min, Podolski recebeu o cartão amarelo após nova falta em Mascherano. A bronca do árbitro surtiu efeito, e a violência diminuiu.
Mas o futebol só apareceu em momentos esporádicos na primeira etapa. A Argentina, com maior posse de bola, não conseguia chegar à meta do goleiro Lehmann; Riquelme, muito bem marcado, pouco criou.
Assim, os "hermanos" viveram de jogadas individuais de Tevez e Crespo. Mas os dois jogadores pararam na forte marcação da defesa alemã.
Os donos da casa também tiveram dificuldades de passar pela retaguarda argentina. A única chance real de gol na etapa inicial aconteceu aos 16min, quando Schneider cruzou para a área e Ballack, de cabeça, mandou por cima do gol.
No segundo tempo, os times voltaram a campo sem alterações. E o árbitro eslovaco Lubos Michel precisou dar um cartão amarelo para Sorín logo no primeiro minuto para evitar que a partida descambasse para a violência.
E no primeiro ataque, aos 4min, a Argentina abriu o placar. Riquelme cobrou escanteio e Ayala, marcado por Klose, cabeceou para o fundo das redes.
| CONFRONTOS NOS PÊNALTIS |
| Ano | Fase | Resultado |
| 1982 | Semifinal | ALE 5 x 4 FRA |
| 1986 | Quartas | ALE 4 x 1 MEX |
| 1986 | Quartas | FRA 4 x 3 BRA |
| 1986 | Quartas | BEL 5 x 4 ESP |
| 1990 | Oitavas | IRL 5 x 4 ROM |
| 1990 | Quartas | ARG 3 x 2 IUG |
| 1990 | Semifinal | ARG 4 x 3 ITA |
| 1990 | Semifinal | ALE 4 x 3 ING |
| 1994 | Oitavas | BUL 3 x 1 MEX |
| 1994 | Quartas | SUE 5 x 4 ROM |
| 1994 | Final | BRA 3 x 1 ITA |
| 1998 | Oitavas | ARG 4 x 3 ING |
| 1998 | Quartas | FRA 4 x 3 ITA |
| 1998 | Semifinal | BRA 4 x 2 HOL |
| 2002 | Oitavas | ESP 3 x 2 IRL |
| 2002 | Quartas | CDS 5 x 3 ESP |
| 2006 | Oitavas | UCR 3 x 0 SUI |
| 2006 | Quartas | ALE 4 x 2 ARG |
O gol acordou a Alemanha, que partiu para o ataque em busca do empate. A Argentina se recolheu, esperando a hora dos contragolpes.
Mesmo assim, a Alemanha continuou apresentando problemas ofensivos. A primeira chance de empate só aconteceu aos 19min, após uma saída de gol errada de Abbondanzieri que Ballack pegou mal na bola. No lance, Abbondanzieri se machucou. O goleiro precisou ser substituído por Franco.
Logo depois, Pekerman resolveu retrancar a Argentina, tirando Riquelme e colocando Cambiasso. E os "hermanos" quase ampliaram após uma bobeada de Lahm, que entregou a bola para Tevez. O corintiano abriu bem a jogada para Maxi Rodriguez, que chutou para fora.
Pekerman então fez outra alteração, com a entrada de Julio Cruz no lugar de Crespo. Mas foi um reserva colocado em campo por Klinsmann que acabou mudando a história do jogo.
Aos 35min, Ballack cruzou para a área, Borowski, que entrou no lugar de Schweinsteiger, desviou de cabeça, e Klose, também de cabeça, mandou sem chances para Franco.
A Argentina ainda tentou evitar a prorrogação, mas Lehmann, seguro, evitou as finalizações de Lucho González e Heinze.
Na prorrogação, os argentinos voltaram a ter o domínio das ações, mas não chegaram a levar perigo ao gol de Lehmann. Já a Alemanha se preocupou mais em tocar a bola no meio-campo para levar a decisão para os pênaltis.
O único lance de perigo aconteceu aos 10min do segundo tempo da prorrogação, em um chute despretensioso de Coloccini que tocou no travessão.
Nos pênaltis, brilhou a estrela de Lehmann, que pegou os chutes de Ayala e Cambiasso. Para a Alemanha, Neuville, Ballack, Podolski e Borowski convertaram as suas cobranças e garantiram a classificação alemã.
"Acreditávamos muito no Lehmann na disputa por pênaltis, e ele provou que é capaz de intimidar um atacante apenas com o olhar", elogiou Klinsmann.
Depois da partida, os argentinos, decepcionados, tentaram arrumar confusão no meio do campo. Mas nada impediu a festa dos jogadores da Alemanha, que comemoraram bastante a classificação com a torcida que lotou o estádio Olímpico de Berlim.