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30/06/2006 - 14h41

Alemanha bate Argentina nos pênaltis e vai às semifinais

Da Redação
Em São Paulo

CENAS DO JOGO

Reuters

Schneider discute com Heinze no começo da partida em Berlim

Reuters

Ayala ganha da zaga alemã e marca o gol da Argentina

EFE

Klose comemora gol de empate da Alemanha no fim do 2º tempo

EFE

Lehmann defende cobrança de pênalti para a Alemanha

EFE

Alemães comemoram vitória sobre a Argentina por 4 a 2

EFE

Argentinos discutem com anfitriões depois da derrota

No primeiro encontro entre duas campeãs mundiais na Copa de 2006, a Alemanha levou a melhor, graças ao goleiro Lehmann. Os donos da casa venceram a rival Argentina nos pênaltis, depois de um empate em 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, e se classificaram para as semifinais da competição. O camisa 1 da Alemanha foi o grande herói, defendendo as cobranças de Ayala e Cambiasso.

Com o resultado, a Alemanha se consolidou como a seleção que se dá melhor em disputas de pênaltis. Até agora, os germânicos já precisaram passar por este tipo de desempate em quatro oportunidades, e venceram todas as vezes.

A Argentina também estava invicta em disputas de pênaltis, mas com a derrota nesta sexta-feira em Berlim vai voltar para a casa mais cedo. Na quinta-feira, o país comemorou o 20º aniversário do bicampeonato mundial. Desde então, só acumula fracassos na Copa.

Nas semifinais, a Alemanha vai enfrentar a Itália, que eliminou a Ucrânia por 3 a 0. A última vez que alemães e italianos jogaram em Copas foi em 1982, com vitória da Itália na final por 3 a 1.

Pela primeira vez nesta Copa, a Alemanha saiu atrás do marcador. Mas um gol de Klose, aos 35min do segundo tempo, fez com que os germânicos empatassem o tempo regulamentar em 1 a 1. Este foi o quinto gol de Klose na Copa, deixando o atacante ainda mais isolado na artilharia.

"Sempre acreditamos na virada, foi como em filmes do Hitchcock, com muito drama e tensão até o fim", declarou ao final do jogo o técnico Jürgen Klinsmann, que disse estar "muito orgulhoso do time ter chegado à semifinal", confronto em que irá enfrentar o vencedor do duelo entre Itália e Ucrânia.

Mesmo com a vaga nas semifinais, a Alemanha continua com um incômodo tabu. Desde 2000 a equipe não vence um time de primeira linha do futebol mundial, em uma seqüência que chegou a 17 jogos.

Mas a Alemanha passou a ter vantagem sobre a Argentina em jogos decisivos em Copas do Mundo. As seleções fizeram a final dos Mundiais de 1986 e 1990, com uma vitória para cada lado. Antes disso, já haviam se enfrentado outras duas vezes em Copas, ambas na fase inicial.

Nesta sexta, a disposição ofensiva da Argentina começou a ser demonstrada antes da partida. De maneira surpreendente, o técnico José Pekerman resolveu colocar Carlitos Tevez no time titular, no lugar de Saviola.

A Argentina promoveu também o retorno de Lucho González. Recuperado de contusão, o meio-campista entrou na vaga de Cambiasso. Apenas o lateral Burdisso não teve condições de jogo. Assim, Coloccini continuou no time.

Já a Alemanha foi a campo com a mesma formação que derrotou a Suécia nas oitavas-de-final, com a dupla Podolski e Klose no ataque.

Antes da partida, os dois times participaram de um ato da Fifa contra o racismo. Mas quando a bola começou a rolar, o fair play foi deixado de lado. Em menos de um minuto, Podolski e Frings fizeram faltas em Mascherano e Riquelme, respectivamente.

O jogo continuou quente, com jogadas ríspidas e discussões. Aos 4min, Podolski recebeu o cartão amarelo após nova falta em Mascherano. A bronca do árbitro surtiu efeito, e a violência diminuiu.

Mas o futebol só apareceu em momentos esporádicos na primeira etapa. A Argentina, com maior posse de bola, não conseguia chegar à meta do goleiro Lehmann; Riquelme, muito bem marcado, pouco criou.

Assim, os "hermanos" viveram de jogadas individuais de Tevez e Crespo. Mas os dois jogadores pararam na forte marcação da defesa alemã.

Os donos da casa também tiveram dificuldades de passar pela retaguarda argentina. A única chance real de gol na etapa inicial aconteceu aos 16min, quando Schneider cruzou para a área e Ballack, de cabeça, mandou por cima do gol.

No segundo tempo, os times voltaram a campo sem alterações. E o árbitro eslovaco Lubos Michel precisou dar um cartão amarelo para Sorín logo no primeiro minuto para evitar que a partida descambasse para a violência.

E no primeiro ataque, aos 4min, a Argentina abriu o placar. Riquelme cobrou escanteio e Ayala, marcado por Klose, cabeceou para o fundo das redes.

CONFRONTOS NOS PÊNALTIS
AnoFaseResultado
1982SemifinalALE 5 x 4 FRA
1986QuartasALE 4 x 1 MEX
1986QuartasFRA 4 x 3 BRA
1986QuartasBEL 5 x 4 ESP
1990OitavasIRL 5 x 4 ROM
1990QuartasARG 3 x 2 IUG
1990SemifinalARG 4 x 3 ITA
1990SemifinalALE 4 x 3 ING
1994OitavasBUL 3 x 1 MEX
1994QuartasSUE 5 x 4 ROM
1994FinalBRA 3 x 1 ITA
1998OitavasARG 4 x 3 ING
1998QuartasFRA 4 x 3 ITA
1998SemifinalBRA 4 x 2 HOL
2002OitavasESP 3 x 2 IRL
2002QuartasCDS 5 x 3 ESP
2006OitavasUCR 3 x 0 SUI
2006QuartasALE 4 x 2 ARG
O gol acordou a Alemanha, que partiu para o ataque em busca do empate. A Argentina se recolheu, esperando a hora dos contragolpes.

Mesmo assim, a Alemanha continuou apresentando problemas ofensivos. A primeira chance de empate só aconteceu aos 19min, após uma saída de gol errada de Abbondanzieri que Ballack pegou mal na bola. No lance, Abbondanzieri se machucou. O goleiro precisou ser substituído por Franco.

Logo depois, Pekerman resolveu retrancar a Argentina, tirando Riquelme e colocando Cambiasso. E os "hermanos" quase ampliaram após uma bobeada de Lahm, que entregou a bola para Tevez. O corintiano abriu bem a jogada para Maxi Rodriguez, que chutou para fora.

Pekerman então fez outra alteração, com a entrada de Julio Cruz no lugar de Crespo. Mas foi um reserva colocado em campo por Klinsmann que acabou mudando a história do jogo.

Aos 35min, Ballack cruzou para a área, Borowski, que entrou no lugar de Schweinsteiger, desviou de cabeça, e Klose, também de cabeça, mandou sem chances para Franco.

A Argentina ainda tentou evitar a prorrogação, mas Lehmann, seguro, evitou as finalizações de Lucho González e Heinze.

Na prorrogação, os argentinos voltaram a ter o domínio das ações, mas não chegaram a levar perigo ao gol de Lehmann. Já a Alemanha se preocupou mais em tocar a bola no meio-campo para levar a decisão para os pênaltis.

O único lance de perigo aconteceu aos 10min do segundo tempo da prorrogação, em um chute despretensioso de Coloccini que tocou no travessão.

Nos pênaltis, brilhou a estrela de Lehmann, que pegou os chutes de Ayala e Cambiasso. Para a Alemanha, Neuville, Ballack, Podolski e Borowski convertaram as suas cobranças e garantiram a classificação alemã.

"Acreditávamos muito no Lehmann na disputa por pênaltis, e ele provou que é capaz de intimidar um atacante apenas com o olhar", elogiou Klinsmann.

Depois da partida, os argentinos, decepcionados, tentaram arrumar confusão no meio do campo. Mas nada impediu a festa dos jogadores da Alemanha, que comemoraram bastante a classificação com a torcida que lotou o estádio Olímpico de Berlim.





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