Grupo unido, solidário, motivado e sem vaidades. Pensamento cativo da atual era Parreira junto de quadrado mágico, Ronaldo "gordo" ou Ronaldinho melhor do mundo", a cumplicidade dos jogadores entre si e em torno da conquista do hexacampeonato foi o mote da abertura dos trabalhos da seleção brasileira na Suíça.
ENTROSAMENTO? SÓ NA COPA

A falta de jogos visando à preparação para a Copa do Mundo leva o técnico Carlos Alberto Parreira a acreditar que a seleção brasileira atingirá o ritmo de jogo e entrosamento necessários para vencer o Mundial apenas durante a competição.
A seleção fez contra a Rússia, em 1º de março, seu único amistoso em 2006. A última partida oficial foi em outubro passado, contra a Venezuela, pelas eliminatórias. O Brasil só terá dois jogos-treinos, marcados para os próximos dias.
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A preocupação em manter o time motivado e sem crises de relacionamento é tamanha que o técnico, habitualmente comedido em seus comentários, se altera quando vê o decantado ambiente familiar ser questionado. Mesmo que isso envolva disputa por posição no time titular.
"Quem não tiver espírito de grupo para ficar na reserva não merece pertencer a esse grupo", afirmou Parreira nesta terça-feira, em Weggis, local de treino e concentração da seleção para o Mundial. O grupo convocado para a Copa do Mundo registra alguns casos de reservas que fecharam a temporada em melhor fase que os titulares da posição.
A caça pela união leva o treinador, inclusive, a minimizar o potencial da atual geração para vencer a Copa do Mundo. "Isso (talento) não basta para ganhar a Copa do Mundo. A coisa mais importante é o sentimento de grupo, desenvolver o espírito de solidariedade do time", avaliou.
Nesta quarta-feira, após o jantar, a comissão técnica fará nova reunião com os jogadores. O foco será a questão emocional. "É importante que o grupo esteja consciente do projeto. Não temos problemas de ordem técnica e tática, então o importante é deixá-los felizes e competitivos", avaliou Parreira.
Logo na abertura das eliminatórias sul-americanas, em setembro de 2003, Parreira tornou clara sua preocupação sobre qual seria a motivação e concentração de jogadores campeões do mundo em recomeçar uma caminhada que haviam acabado de trilhar.
Tanto que o trabalho nesse sentido, com palestras do engenheiro Evandro Mota, consultor motivacional que colabora com o treinador, além da visitas de músicos e outras personalidades ao time fizeram parte do cotidiano da seleção durante a disputa do qualificatório. "Acho que reagiram muito bem. Sentimos desde o início que esse grupo se gosta", afirmou Parreira.
As dificuldades naturais de uma Copa do Mundo também acalmam possíveis protestos públicos por uma oportunidade no time. Se é certo que o time entrará em campo contra a Croácia, dia 13, com a tática do quadrado mágico, é igualmente sabido que são grandes as chances de Parreira promover alterações durante a disputa.
"Com certeza não ficaremos presos a 11 jogadores. A própria competição em si, o desgaste físico e emocional que ela provoca, não permite isso", admitiu o treinador.