Em Weggis, na Suíça, e Königstein, já na Alemanha, a seleção brasileira praticamente se isolou dos torcedores. Em Berlim, porém, o assédio será ligeiramente maior.
SEM REGALIAS
Segundo o gerente Christian Dembour, a delegação brasileira não fez nenhum pedido especial para a admnistração do Kempinski Hotel Bristol.
Dembour conta que não recebeu qualquer orientação para providenciar regalias específicas - costume, por exemplo, de estrelas da música quando vão a hotéis luxuosos em países estrangeiros -, nem mesmo com relação à alimentação dos atletas às vésperas do jogo de estréia na Copa do Mundo da Alemanha.
O luxuoso Kempinski Bristol, concentração da equipe até a partida de terça-feira, contra a Croácia, no estádio Olímpico, está localizado na região central da capital alemã. Ruas largas, comércio e muitos outros hotéis cercam o prédio, que recebeu um forte esquema de segurança neste domingo.
Os pentacampeões chegaram ao hotel, que é indicado pela Fifa, às 22h15 (17h15 no Brasil). A rua foi fechada pelos policiais e grades impediam a passagem dos torcedores - cerca de 500 - que se espremiam na calçada. Tudo por um sorriso de Ronaldinho Gaúcho e companhia.
O ônibus que trouxe a delegação estacionou próximo a um portão lateral e os jogadores e comissão técnica desceram lentamente rumo a um elevador exclusivo.
O camisa 10 do Barcelona foi um dos últimos a sair e cumprimentou o público. O capitão Cafu foi o único a se pronunciar. "O clima está legal. Todo mundo está sabendo da nossa responsabilidade; agora, vamos torcer pra começar o jogo logo, porque a ansiedade é grande".
O hotel, diferentemente dos anteriores, não estará à disposição apenas da seleção. O grupo terá um andar privativo, mas os demais continuarão recebendo hóspedes. No total, são 259 quartos.
Para evitar contratempos, Christian Dembour, gerente do hotel, afirmou que medidas foram tomadas. Segundo ele, apenas funcionários devidamente identificados circularão no andar brasileiro.
FEIJÃO E PICANHA
O hotel que recebe a seleção em Berlim é palco de um festival gastronômico voltado à cozinha brasileira.
Os jogadores não devem experimentar as receitas do paulista André Boccato - a dieta é rígida -, mas fatalmente sentirão o cheiro do feijão, da picanha e dos pratos típicos do país.
Bocatto e seus dois assistentes circulam pelas dependências do Kempinski com um avental com as cores da bandeira brasileira.
Além disso, o hotel será vigiado por cerca de 100 homens, entre policiais, seguranças do próprio hotel e seguranças da Fifa. "Fique tranqüilo que a seleção estará segura", disse o gerente.
Os hóspedes "comuns" precisarão se identificar para entrar nas dependências do hotel - os porteiros terão uma lista com todos os nomes. O esquema começou a funcionar horas antes da chegada da seleção.
Na manhã desta segunda-feira, os comandados de Parreira terão folga. A única atividade prevista é o reconhecimento do gramado, que ocorre às 16h (horário local). Duas horas depois, é a vez dos croatas irem ao estádio testar o campo.
A última vez que o Brasil jogou em Berlim foi em setembro de 2004. Na ocasião, a seleção empatou em 1 a 1 com a anfitriã Alemanha. Ronaldinho e Kuranyi - que não esta na Copa - anotaram os gols.
O Estádio Olímpico receberá, além de Brasil x Croácia, os jogos entre Suécia e Paraguai no dia 15, Equador e Alemanha no dia 20, e Ucrânia e Tunísia no dia 23. Na fase mata-mata, será palco de uma das quartas-de-final e da grande decisão da Copa.