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12/06/2006 - 15h53

Emerson supera críticas e "último treino" para voltar à Copa

Daniel Tozzi e João Henrique Medice
Enviados especiais do UOL
Em Berlim (Alemanha)

Flávio Florido/Folha Imagem

Elogiado na Europa e criticado no Brasil, Emerson chega à segunda Copa

Emerson virou o jogo nos últimos quatro anos. Ele mesmo afirma isso. Vê que a preferência de um dos maiores técnicos do mundo, o italiano Fabio Capello, ajudou a dobrar a crítica de imprensa e torcida no Brasil. Se sentiu finalmente aceito no seu país no seu retorno à seleção. Mas o volante ganhou a partida mesmo só nesta segunda-feira, quando deixou o gramado do estádio Olímpico, em Berlim, inteiro, em forma, na condição de um dos líderes da seleção e pronto para entrar como titular nesta terça-feira contra a Croácia, primeiro adversário do Brasil na Copa do Mundo de 2006.

Era visível a satisfação do jogador ao falar com os jornalistas na zona mista, uma verdadeira tortura para a maioria dos jogadores. "Com certeza, não vou dizer que estou com pressa, porque da última vez não vou dizer que foi fácil", disse o jogador.

Realmente a última vez numa zona mista do Mundial não foi nada fácil para Emerson. No corredor de quatro anos atrás, Emerson tentava explicar o sentimento provocado pela lesão sofrida no treino realizado na véspera da estréia, quando sofreu a lesão no ombro que o tirou da Copa da Coréia do Sul e do Japão.

"É uma coisa que não passou pela minha cabeça em nenhum momento do treino", afirmou Emerson sobre a lembrança da lesão. "Consegui superar bem, hoje a ansiedade é mais pela estréia, em fazer uma boa estréia", completou.

Em 2002, a versão oficial é que Felipão, de fato sempre precavido, treinava um jogador para defender a meta caso já tivesse queimado todas suas substituições. Como consequência, além de ficar fora da campanha do penta, o volante viu uma onda de críticas cair sobre ele no início da atual era Parreira.

Afinal, ele havia começado as eliminatórias como titular, no lugar do machucado e então prestigiado Kleberson. Chegou a ficar um tempo fora das convocações. Voltou com força após a adoção do quarteto ofensivo. Num de seus primeiros jogos após o retorno, fez o gol do empate contra o Uruguai, em Montevidéu, pelas eliminatórias.

"Acho que tive alguns momentos felizes na minha vida, como o nascimento da minha filha, poder jogar na seleção, ter a chance de meus pais, que ainda são vivos, poderem me assistir", disse o jogador. "E hoje posso participar de mais uma Copa do Mundo. Tudo isso são coisas boas que temos que nos lembrar", refletiu Emerson.

"Penso que as críticas que sofria era por não ter o título de campeão do mundo", analisou o volante, que fora vice-campeão em 1998. "Mas superei isso. Ganhei a confiança do Parreira e acho que minha transferência para a Juventus e interesse de outros grandes clubes também ajudou", completou, numa referência ao fato de ser uma espécie de "número 1" do técnico italiano Fábio Capello, um dos principais do mundo que, quando deixou a Roma, levou Emerson junto com ele para Turim.

Mas, mesmo com a página virada, Emerson não facilitou no gramado do estádio Olímpico. "Não, isso também não (risos)", explicou o jogador, bem-humorado, sobre o porquê de, se realmente havia esquecido o drama do corte, não brincar novamente de goleiro. "Com o professor Parreira não pode. E os goleiros estavam nos dois gols, então realmente não passou pela minha cabeça", afirmou Emerson.

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