Superstições, admiração confessa e ar temperamental têm feito Carlos Alberto Parreira se parecer cada vez mais com Mario Jorge Lobo Zagallo. Na Copa da Alemanha, o pupilo pode até deixar o Velho Lobo para trás. Caso venha o título, será o primeiro brasileiro a vencer o Mundial duas vezes como técnico. Mas até nisso reside um novo elo.
| PARREIRA X ZAGALLO |
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Técnico da seleção na Copa de 2006 |   | Coordenador técnico do Brasil na Alemanha |
| Preparador-físico em 1970 e 1974 e técnico em 1994 e 2006 | Juntos na seleção | Zagallo foi técnico em 1970 e 1974 e coordenador-técnico em 1994 e 1998 |
| Parreira pode ser o 1º brasileiro a conquistar a Copa 2 vezes como técnico | Bicampeão mundial? | Chance de ser bi Zagallo teve suas chances: uma em 1974 e outra em 1998 |
| Parreira trabalhou por anos no Kuait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita | Mundo árabe | Zagallo foi quem introduziu o pupilo na região |
| Antes era visto como retranqueiro, mas armou um Corinthians ofensivo no vitorioso ano de 2002 | Derrubando preceitos | Consenso após passagem por São Paulo |
| Após ser técnico, cogita ocupar cargo diretivo na Escolha Brasileira de Futebol, braço da CBF | Plano de carreira na CBF | Após ser técnico, assumiu o cargo de coordenador-técnico em duas oportunidades - 1994 e 2006 |
Apesar das participações solo à frente da comissão técnica, nenhum deles triunfou sem o outro. Parreira sempre esteve acompanhado por Zagallo como coordenador-técnico quando dirigiu a seleção em Mundiais. Venceu assim em 1994. Já o Velho Lobo foi campeão em 1970 com o Parreira na comissão técnica. Ficou em quarto em 1974, com o hoje técnico, e foi vice em 1998, sem ele.
Os pontos comuns na trajetória de ambos coincide também nas opções de carreira. Ambos exploraram o Oriente Médio durante bons anos de sua carreira, o que fez deles técnicos com uma coleção de títulos reduzida por clubes do país. Cariocas, venceram de vez o suposto preconceito paulista quando vieram trabalhar no Estado - o Velho Lobo na Portuguesa, e Parreira no Corinthians. Assim como Zagallo, Parreira também cogita seguir carreira na CBF (Confederação Brasileira de Futebol), seja junto da seleção ou em outro cargo de direção técnica.
Mas a ligação não pára por aí. A atual gestão tem feito Parreira revelar facetas típicas no melhor estilo Zagallo. Nas eliminatórias e na Copa América, o treinador levantou o discurso entusiasta tão usado pelo seu guru.
"Ninguém brinca impunemente com o futebol pentacampeão do mundo" foi a frase mais repetida pelo técnico após a conquista no Peru, quando o Brasil venceu a Argentina nos pênaltis. Em vantagem até os 48min da etapa final, os hermanos prendiam a bola, principalmente com Tevez e D'Alessandro, com jogadas de efeito. Parreira viu desrespeito por parte dos arqui-rivais.
Na Alemanha, as semelhanças ganharam mais força. Principalmente na área celebrizada por Zagallo. Enquanto o atual coordenador-técnico tem aliado o seu número 13 a Santo Antônio, Parreira não se julga exatamente um supersticioso, mas diz que ao desembarcar na Europa se preocupou em pisar com o pé direito em seu primeiro passo em terra e passou a apontar os benefícios do número sete.
"Gosto muito do número sete, dou sorte com o numero sete. Então como essa é minha sétima copa, então as perspectivas são as melhores", afirmou Parreira. "Eu gosto do 13, mas é minha sétima Copa também...", completou Zagallo.
Os recursos para ilustrar as partidas também têm caminhado na mesma direção. Zagallo disse que, para o Brasil ganhar a Copa, precisa "atacar como time grande e defender como time pequeno". Um jornalista pediu explicação mais detalhada. O Velho Lobo a concedeu, mas teve a companhia do pupilo. "Se você não gostou da metáfora, eu diria que (o Brasil) tem que atacar como peso pesado e não defender como peso pena", afirmou Parreira.