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13/06/2006 - 06h17

Reflexo de Zagallo, Parreira pode deixar guru para trás

Daniel Tozzi e João Henrique Medice
Enviados especiais do UOL
Em Königstein (Alemanha)
Superstições, admiração confessa e ar temperamental têm feito Carlos Alberto Parreira se parecer cada vez mais com Mario Jorge Lobo Zagallo. Na Copa da Alemanha, o pupilo pode até deixar o Velho Lobo para trás. Caso venha o título, será o primeiro brasileiro a vencer o Mundial duas vezes como técnico. Mas até nisso reside um novo elo.

PARREIRA X ZAGALLO
Técnico da seleção na Copa de 2006
Coordenador técnico do Brasil na Alemanha
Preparador-físico em 1970 e 1974 e técnico em 1994 e 2006 Juntos na seleção Zagallo foi técnico em 1970 e 1974 e coordenador-técnico em 1994 e 1998
Parreira pode ser o 1º brasileiro a conquistar a Copa 2 vezes como técnicoBicampeão mundial?Chance de ser bi Zagallo teve suas chances: uma em 1974 e outra em 1998
Parreira trabalhou por anos no Kuait, Emirados Árabes Unidos e Arábia SauditaMundo árabe Zagallo foi quem introduziu o pupilo na região
Antes era visto como retranqueiro, mas armou um Corinthians ofensivo no vitorioso ano de 2002Derrubando preceitosConsenso após passagem por São Paulo
Após ser técnico, cogita ocupar cargo diretivo na Escolha Brasileira de Futebol, braço da CBFPlano de carreira na CBF Após ser técnico, assumiu o cargo de coordenador-técnico em duas oportunidades - 1994 e 2006
Apesar das participações solo à frente da comissão técnica, nenhum deles triunfou sem o outro. Parreira sempre esteve acompanhado por Zagallo como coordenador-técnico quando dirigiu a seleção em Mundiais. Venceu assim em 1994. Já o Velho Lobo foi campeão em 1970 com o Parreira na comissão técnica. Ficou em quarto em 1974, com o hoje técnico, e foi vice em 1998, sem ele.

Os pontos comuns na trajetória de ambos coincide também nas opções de carreira. Ambos exploraram o Oriente Médio durante bons anos de sua carreira, o que fez deles técnicos com uma coleção de títulos reduzida por clubes do país. Cariocas, venceram de vez o suposto preconceito paulista quando vieram trabalhar no Estado - o Velho Lobo na Portuguesa, e Parreira no Corinthians. Assim como Zagallo, Parreira também cogita seguir carreira na CBF (Confederação Brasileira de Futebol), seja junto da seleção ou em outro cargo de direção técnica.

Mas a ligação não pára por aí. A atual gestão tem feito Parreira revelar facetas típicas no melhor estilo Zagallo. Nas eliminatórias e na Copa América, o treinador levantou o discurso entusiasta tão usado pelo seu guru.

"Ninguém brinca impunemente com o futebol pentacampeão do mundo" foi a frase mais repetida pelo técnico após a conquista no Peru, quando o Brasil venceu a Argentina nos pênaltis. Em vantagem até os 48min da etapa final, os hermanos prendiam a bola, principalmente com Tevez e D'Alessandro, com jogadas de efeito. Parreira viu desrespeito por parte dos arqui-rivais.

Na Alemanha, as semelhanças ganharam mais força. Principalmente na área celebrizada por Zagallo. Enquanto o atual coordenador-técnico tem aliado o seu número 13 a Santo Antônio, Parreira não se julga exatamente um supersticioso, mas diz que ao desembarcar na Europa se preocupou em pisar com o pé direito em seu primeiro passo em terra e passou a apontar os benefícios do número sete.

"Gosto muito do número sete, dou sorte com o numero sete. Então como essa é minha sétima copa, então as perspectivas são as melhores", afirmou Parreira. "Eu gosto do 13, mas é minha sétima Copa também...", completou Zagallo.

Os recursos para ilustrar as partidas também têm caminhado na mesma direção. Zagallo disse que, para o Brasil ganhar a Copa, precisa "atacar como time grande e defender como time pequeno". Um jornalista pediu explicação mais detalhada. O Velho Lobo a concedeu, mas teve a companhia do pupilo. "Se você não gostou da metáfora, eu diria que (o Brasil) tem que atacar como peso pesado e não defender como peso pena", afirmou Parreira.

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