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13/06/2006 - 07h08

Na casa de grande europeu, Brasil tenta o "impossível"

Daniel Tozzi e João Henrique Medice
Enviados especiais do UOL
Em Berlim (Alemanha)
Não é à toa que o coordenador-técnico Mario Jorge Lobo Zagallo diz que, para o Brasil ser campeão na Alemanha, o time terá que tornar "o impossível possível". Isso porque, mesmo na condição de única equipe a conquistar o Mundial fora do seu continente, a seleção reencontra em 2006 uma situação na qual sempre tropeçou quando o assunto foi vencer na Europa.

LONGE DA AMÉRICA
1958 - Na e contra a Suécia, que até hoje não foi campeã, o Brasil se torna o primeiro e até hoje único time a vencer a Copa fora do seu continente
1966 - Bi no Chile, a seleção tenta a posse a Jules Rimet em definitivo na Inglaterra, mas cai ainda na primeira fase. A taça fica na ilha.
1974 - Após perder a base de 1970, o Brasil não vai além de um quarto lugar no primeiro Mundial da Alemanha
1990 - A Itália se torna o primeiro grande europeu a não confirmar o fator campo no pós-guerra. O título fica com a Alemanha. O Brasil cai nas oitavas.
1998 - Bateu na trave. Após eliminar a Holanda na semi, o Brasil entra como favorito na final contra a França. Cai por 3 a 0.
2002 - Com o penta, o Brasil volta a vencer fora da América, mas os anfitriões eram os aspirantes a emergentes Coréia do Sul e Japão.
O Brasil nunca chegou à final na casa de um grande europeu que já tivesse o título mundial. Das sete finais de Copa do Mundo atingidas pelos pentacampeões, apenas uma foi disputada no solo de uma força do Velho Continente. E, na ocasião, os donos do pedaço eram os franceses, um dos poucos da considerada elite que ainda não tinham vencido a Copa - em 1998, o Brasil caiu na final por 3 a 0 contra o time de Zidane, Deschamps e cia.

Nas outras oportunidades no pós-guerra que foi à Europa para conquistar ou defender o título, o Brasil passou longe da decisão. O mais perto que chegou foi justamente na Alemanha, que organizou sua primeira Copa em 1974. O time, então comandado por Zagallo, acabou em quarto lugar e viu os anfitriões vencerem a Holanda na final.

Como se não bastasse, os papões da Europa não costumam vacilar quando jogam em casa. O único a perder o título quando organizou a Copa foi a Itália, em 1990. Nas outras ocasiões que uma das principais forças do continente recebeu a festa, o título ficou sempre com os anfitriões.

Foi assim em 1966, 1974 e 1998, quando Inglaterra, Alemanha e França, nessa ordem, mantiveram em seus respectivos solos o troféu que estava ali, a princípio, apenas de passagem por causa do Mundial.

Em 1990, a Itália escorregou na Argentina na semifinal, e acabou com o terceiro lugar. A Copa de 1982 foi na Espanha, que, apesar da força da sua liga nacional, carece de nomes históricos e títulos de expressão mundial.

Hoje, o Brasil ao menos está livre do choque de cultura futebolística. Simplesmente 20 dos 23 convocados por Carlos Alberto Parreira jogam na Europa, a maior legião estrangeira da história da seleção. Apenas Rogério Ceni, Ricardinho e Mineiro atuam no Brasil.

"Então realmente não temos que ficar nos preocupando com isso. Cafu, Roberto Carlos, Juan, Lúcio, todos jogam na Europa e sabem como os atacantes deles pensam", avaliou o técnico Carlos Alberto Parreira.

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