13/06/2006 - 07h11
Físico substitui o tático no Parreira-2006
Daniel Tozzi e João Henrique Medice
Enviados especiais do UOL
Em Berlim (Alemanha)
O Carlos Alberto Parreira que se notabilizou em 1994 por colocar um rígido esquema tático como força-motriz de uma seleção que não ganhava o Mundial há 24 anos é hoje o treinador que, com pouco a ensinar ao atual grupo, pôs o físico em dia como prioridade na preparação para a Copa do Mundo da Alemanha. O Brasil estréia na competição nesta terça, às 16h (horário de Brasília), contra a Croácia.
Nos primeiros quatro dias de Copa, Parreira já considera ganha sua aposta de que o certame deste ano será a "Copa da saúde". Na primeira semana de trabalho em Weggis (SUI), exames médicos e o recondicionamento físico dos jogadores foram o norte da comissão técnica.
"É o que estamos vendo nos primeiros jogos. O fator físico será fundamental", avaliou o treinador, que apontou a Alemanha como destaque até aqui justamente pela força e empenho mostradas em campo. "Não dá para tirar conclusões, mas foi a que mais me impressionou".
A situação é oposta a da preparação para o Mundial dos Estados Unidos, quando não o físico - vide a paciência para a recuperação do lateral-esquerdo Branco -, mas sim a capacidade dos jogadores de se ajustarem às exigências táticas do técnico estiveram muito mais presentes.
Os atletas que desempenharam melhor esse papel ficaram com a vaga. Em 2006, foi a vez do próprio Parreira abrir mão do seu desenho original para encontrar uma maneira de colocar na mesma equipe Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano.
Os ajustes táticos do Brasil de hoje se resumem à questão do "jogar sem a bola", segundo as palavras do técnico, e de condicionar Kaká, Ronaldinho Gaúcho e ao menos um dos atacantes, seja Ronaldo ou Adriano, a sempre voltarem para ajudar o meio-campo quando o time estiver a se defender. "Com a bola nos pés, pouco pode ser ensinado a esses jogadores", afirmou o treinador.
Nas últimas semanas, tanto no amistoso contra a Nova Zelândia como em treinos coletivos, o treinador sinaliza com a volta do aproveitamento ofensivo dos laterais Cafu e Roberto Carlos, que no atual modelo, o do "quadrado mágico", ganharam responsabilidades mais defensivas.
O ponto em comum entre 1994 e 2006, além de alguns poucos jogadores, como Cafu e Ronaldo, além de boa parte da comissão técnica, é a pressão pelo título. Mas com enfoques diferentes.
"O time de hoje é apenas um pouco superior tecnicamente, mas nos EUA tínhamos a pressão grande para trazer o título depois de 24 anos", tem tido Parreira ao longo dos últimos meses. "Agora, a pressão é a mesma, mas para manter o status atingido nas últimas Copas", completou.