13/06/2006 - 07h23
Véspera de Copa do Mundo tem sido "terrível" para a seleção
Daniel Tozzi e João Henrique Medice
Enviados especiais do UOL
Em Berlim (Alemanha)
Na preparação dos sonhos de qualquer treinador, véspera de estréia da Copa do Mundo deve ser tranqüila. Muitas horas de sono para os jogadores, boa alimentação, pouco estresse e um rápido e descontraído treino no local da partida. O roteiro, porém, não tem sido seguido pela seleção brasileira.
Em 2002, na Coréia e Japão, Emerson era titular absoluto e capitão da seleção dirigida por Luiz Felipe Scolari. No entanto, durante o tradicional "rachão", um dia antes do jogo contra a Turquia, o volante, que brincava no gol, sofreu uma luxação no ombro direito ao cair de mau jeito.
Sem tempo de recuperação para o Mundial, o jogador foi cortado e substituído pelo meia Ricardinho, à época principal destaque do Corinthians. As lágrimas de Émerson sensibilizaram e agitaram o ambiente.
Na última segunda-feira, outro jogador que atua na Itália foi o centro das atenções na seleção, que enfrenta a Croácia nesta terça-feira em Berlim, no Estádio Olímpico.
Capitão e jogador mais experiente do time, Cafu soube que a promotoria pública de Roma solicitava uma pena de nove a dez meses de prisão por falsificação de documentos.
A mesma punição foi pedida para outras 13 pessoas - entre elas, a mulher do jogador, Regina, o acionista majoritário e presidente da Roma, Franco Sensi, e o jogador argentino Gustavo Bartelt. O jogador teria adulterado a documentação para conseguir a obtenção da cidadania italiana durante a passagem pela Roma, entre 1997 e 2003.
Enquanto a seleção fazia o reconhecimento do gramado, jornalistas já se amontoavam na área reservada à imprensa para ouvir Cafu. A assessoria de imprensa da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) afirmava que não havia sido informada e a tensão aumentava.
Até mesmo Émerson, pivô do imbróglio há quatro anos e que participava do "arriscado" rachão acabou esquecido. O treino, felizmente, transcorreu normalmente e todos deixaram o campo quarenta minutos depois.
Carlos Alberto Parreira foi o primeiro a se pronunciar sobre o assunto. "Estamos há quatro semanas aqui (na Europa) e isso só repercutiu agora. Não vai nos desesperar e o assunto está sob controle. Conversei com o Cafu e ele está tranqüilo", disse.
O capitão brasileiro deixou o vestiário na seqüência e enfim falou. Mas foi evasivo. "Isso não vai me abalar neste momento. Chateia, mas o importante é pensar na estréia. Vamos esperar e averiguar para ter o que falar a mais para vocês. Se eu for me abalar com cada notícia que sai sobre mim, não chegaria até onde cheguei".
Cafu ganhou cidadania italiana por causa da suposta ascendência de Regina, sua mulher. Segundo a promotoria, porém, a ascendência é falsa. A investigação do Ministério Público do país acerca de passaportes falsos para jogadores inscritos no Campeonato Italiano vem desde 2001.
"[Pedido de prisão] É apenas mais uma tentativa de desestabilizar [o time], coisa que não vai nos afetar", finalizou Parreira.