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13/06/2006 - 17h51

"Quadrado" emperra, mas Brasil consegue recorde de vitórias

Daniel Tozzi e João Henrique Medice
Enviados especiais do UOL
Em Berlim (Alemanha)

ESTRÉIA BRASILEIRA

Reuters
Boneco na torcida: Ronaldinho?Reuters
Um "quadrado mágico" de croatasAFP
Ronaldinho passa por marcadorReuters
Kaká disputa com Niko KovacReuters
O chute forte de Kaká: 1 a 0Reuters
Kaká corre para festejar o golReuters
Adriano perdeu 13 bolas no jogo

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O "quadrado mágico" não funcionou como se esperava, mas o Brasil estabeleceu o recorde de vitórias consecutivas em Copas do Mundo (oito, superando as sete da Itália em 1934-38) com a ajuda de uma tática "antiga". Embora tenha deixado o sistema defensivo um pouco desprotegido, o avanço dos laterais foi fundamental para a vitória de 1 a 0 contra a Croácia, nesta terça-feira, em Berlim, na estréia da seleção no Grupo F.

Além das descidas de Roberto Carlos e, principalmente, de Cafu (que deu início à jogada do gol de Kaká aos 43min do 1º tempo), outro responsável pelo resultado foi o goleiro Dida, com defesas difíceis em chutes potentes durante a pressão dos croatas no 2º tempo.

As descidas de Cafu e Roberto Carlos, que teoricamente não seriam mais tão necessárias com tantos talentos à frente, se tornaram a opção para furar o bloqueio croata. Mas Parreira já parecia prever que iria precisar deles ao liberá-los para descer simultaneamente no amistoso contra a Nova Zelândia, no último dia 4.

"Tivemos dificuldades em imprimir o nosso ritmo", declarou o técnico Carlos Alberto Parreira, ainda no intervalo, à TV Globo.

A Croácia se trancou atrás com uma marcação forte que dificultava a troca de passes do "quadrado". Para piorar, Adriano e Ronaldo não conseguiam sair da condição de inoperantes.

Os números do jogo, segundo levantamento do Datafolha, indicam uma atuação muito aquém do ideal dos dois atacantes. Adriano perdeu 13 das 29 bolas que recebeu - quase metade e de um só chute a gol (errado e displicente para fora, bem diante do goleiro Pletikosa).

Já Ronaldo foi o jogador que menos bolas recebeu na partida: 14. Também só deu um chute a gol: recebeu de Kaká no meio, antes da meia-lua, e chutou para fora.

Com a inoperância da dupla de ataque, a opção favorita da seleção foi arriscar chutes de longe. Kaká foi quem mais tentou, fazendo o gol e, no 2º tempo, levando perigo em um chute cruzado.

Ronaldo saiu vaiado pela torcida aos 24min do 2º tempo. Kaká, após a partida e do alto de seu "título" de melhor do jogo eleito pela equipe técnica da Fifa, manifestou solidariedade, mas deixou nas entrelinhas que será melhor para o time uma colaboração maior do camisa 9.

"O Ronaldo ainda não está 100%. Esperamos que ele se torne o Ronaldo que todo mundo quer ver. Um pouco mais de movimentação da parte dele seria o ideal. Ele tem todo o apoio do grupo", disse Kaká.

O substituto de Ronaldo foi Robinho, que buscou agilizar o ataque. Em sua primeira jogada, colocou Adriano na cara do goleiro. Mas o atacante, meio displicente, perdeu a chance.

Os laterais Cafu e Roberto desceram e arriscaram contra o gol de Pletikosa no 1º tempo - um de Roberto Carlos de longe que Pletikosa espalmou para fora, outro cruzado de Cafu de dentro da área.

De uma descida de Cafu num corredor deixado pela Croácia saiu o passe para Kaká fazer o primeiro gol aos 43min do 1º tempo, fintando dois marcadores antes de chutar forte. Para ajudar Kaká, seu marcador principal, Niko Kovac, saíra de campo contundido pouco antes.

Aos 16min do 2º, Cafu criou outra grande oportunidade: desceu livre novamente e fez um cruzamento preciso para Ronaldinho cabecear forte e obrigar Pletikosa a uma defesa de reflexo.

Ronaldinho tentou abrir espaços, mas era quase sempre marcado em cima por dois adversários (quando não quatro, como numa jogada depois de um escanteio em que ele tentou lançar Kaká com um toque de calcanhar).

Kaká teve mais sucesso em achar brechas com fintas curtas como a do gol que marcou no 1º tempo.

O problema foi na retaguarda. Desde o início, a Croácia concentrou seus ataques pela esquerda, forçando sobre o setor de Cafu. A defesa brasileira oferecia muito espaço, mas a Croácia não teve uma chance de perigo real.

BRASIL EM 2º NO GRUPO

Com a vitória pelo placar mínimo, o Brasil largou em 2º lugar no Grupo F, com 3 pontos mas um saldo de gols inferior ao da Austrália, que venceu o Japão por 3 a 1 na segunda-feira. Se essas já fossem posições finais, o Brasil pegaria a República Tcheca (1ª do Grupo F) nas oitavas-de-final, enquanto à Austrália caberia enfrentar a Itália (2ª do E).

No 2º tempo, os croatas partiram para o sufoco contra uma defesa brasileira afobada e sobrecarregada. Na primeira tentativa, Lúcio, que teve boa atuação, foi facilmente superado por Prso, que chutou cruzado para grande defesa de Dida.

Dida faria, pelo menos, mais três intervenções decisivas. A cada entrada croata na área brasileira, a defesa da seleção parecia reagir mais na base do susto que seguindo um plano montado.

Mesmo com um "quadrado mágico" alternativo (com Robinho), o Brasil não melhorou de rendimento na etapa final.

Pela pressão que impôs ao Brasil na etapa final, o técnico croata Zlatko Kranjcar considerou o resultado injusto: "Não merecíamos perder, já que fomos a melhor equipe em campo durante a maior parte do tempo. Foi uma lástima perdermos tantas chances de gol".

O próximo teste do Brasil (com ou sem quadrados, mágicos ou nem tanto) será no domingo, dia 18, em Munique contra a Austrália, atual líder do Grupo F (leia box ao lado). A Croácia terá o Japão pela frente também no domingo, em Nuremberg.




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