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21/06/2006 - 11h49

Zico desafia seleção, mas vantagem ainda é do "Brasil"

Daniel Tozzi e João Henrique Medice
Enviados especiais do UOL
Em Dortmund (na Alemanha)
O duelo entre os técnicos Carlos Alberto Parreira e Zico é uma das atrações do jogo desta quinta-feira entre Brasil e Japão, pela terceira rodada da primeira fase da Copa da Alemanha. O confronto, porém, não é novidade. A seleção já enfrentou treinadores brasileiros em outras três oportunidades.

TÉCNICOS CONTRA O PRÓPRIO PAÍS
CopaTécnicoJogo
1938Josef Nagy (húngaro)Suécia 1 x 5 Hungria
1954Karl Rappan (austríaco)Suíça 5 x 7 Áustria

1966
Oto Glória (brasileiro)Portugal 3 x 1 Brasil
1970Didi (brasileiro)Brasil 4 x 2 Peru
1974Blagoje Vidinic (iugoslavo)Zaire 0 x 9 Iugoslávia
1978Ernst Happel (austríaco)Holanda 5 x 1 Áustria
1998Philippe Troussier (francês)Africa do Sul 0 x 3 França
2002Bruno Metsu (francês)Senegal 1 x 0 França
2002Winnie Schaefer (alemão)Camarões 0 x 2 Alemanha
2002Sven-Goran Eriksson (sueco)Inglaterra 1 x 1 Suécia
2006Sven-Goran Eriksson (sueco)Inglaterra 2 x 2 Suécia
O retrospecto é positivo. Em 1970 e 2002 o Brasil derrotou Peru e Costa Rica, dirigidos por Didi e Alexandre Guimarães, respectivamente.

A única derrota aconteceu em 1966, quando Portugal de Oto Glória venceu por 3 a 1 e eliminou os então bicampeões do Mundial da Inglaterra.

"A única coisa que posso dizer é que estamos resolvidos a enfrentá-los", disparou Zico, deixando de lado os laços com o Brasil. "Meus jogadores sabem perfeitamente que estão aqui para lutar por seu país e que devem dar o máximo", competlou.

A partida vale pouco para o Brasil, que briga apenas pelo primeiro lugar do Grupo F. O Japão tem um ponto e é o lanterna - perde para a Croácia nos critérios de desempate. O time asiático precisa vencer o jogo e tirar boa diferença no saldo de gols (tem - 2).

"Não vamos enfrentar nenhum monstro horrível. É uma equipe poderosa, mas, como profissionais que somos, representando o Japão, nunca devemos baixar a guarda enquanto houver uma mínima esperança", concluiu.

Como jogador, Zico disputou as Copas de 1978 (Argentina), 1982 (Espanha) e 1986 (México) pelo Brasil. Em 1998 (França) foi coordenador-técnico da seleção. Jamais foi campeão.

Para os jogadores da atual seleção, o Japão melhorou muito desde que o ex-flamenguista assumiu a equipe. "Os japoneses aliaram a velocidade com a técnica passada pelo Zico. É uma seleção perigosa, que sempre dá muito trabalho ao Brasil", alertou o lateral-esquerdo Roberto Carlos.

Em 2005, na Copa das Confederações, os países empataram por 2 a 2 na terceira rodada da primeira fase. O resultado classificou o Brasil, que garantiu depois o título ao superar Alemanha e Argentina.

O primeiro embate entre técnicos brasileiros foi traumático para a seleção, que vinha dos títulos de 1958 (Suécia) e 1962 (Chile). Com um time envelhecido, o Brasil estreou vencendo a Bulgária por 2 a 0, gols de Pelé e Garrincha.

Na seqüência perdeu para a Hungria por 3 a 1 e caiu ainda na primeira fase ao ser completamente envolvido pelo time português, com Otto Glória no banco e o inspirado Eusébio no ataque.

O Brasil voltaria a enfrentar um treinador brasileiro quatro anos depois, no México. Didi, duas vezes campeão mundial pela seleção como jogador, não resistiu à força dos futuros tricampeões e, com o Peru, perdeu por 4 a 2. Rivellino, Tostão (2) e Jairzinho marcaram.

O desempate viria na Copa do Japão e da Coréia. Alexandre Guimarães, com a Costa Rica, mediu forças com o Brasil ainda na primeira fase e foi goleado: 5 a 2. Ronaldo (2), Edmílson, Rivaldo e Júnior foram os carrascos.

Duelo era inevitável
Dificilmente o Brasil deixaria de encarar um brasileiro no outro banco na Copa da Alemanha. Além de Parreira e Zico, o país "forneceu" outros três profissionais ao torneio: Marcos Paquetá (Arábia Saudita), Alexandre Guimarães (Costa Rica) e Luiz Felipe Scolari (Portugal).

Paquetá está praticamente fora da próxima fase. A sua seleção precisa vencer a Espanha por quatro gols de diferença no próximo dia 23 e torcer por um empate entre Ucrânia e Tunísia.

Guimarães já se despediu. O técnico, que nasceu em Maceió mas se naturalizou Costarriquenho, perdeu os três jogos: Alemanha (4 a 2), Equador (3 a 0) e Polônia (2 a 1).

Felipão, atual campeão mundial, classificou a seleção lusa nas duas primeiras rodadas, ao vencer Angola (1 a 0) e Irã (2 a 0). O técnico gaúcho admitiu estar ansioso por um duelo entre portugueses e brasileiros. "Vou me emocionar durante o hino, mas, quando a bola rolar, sou Portugal".


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