O técnico Carlos Alberto Parreira segue cauteloso ao falar sobre a escalação do time que enfrenta o Japão, às 16h (de Brasília) desta quinta-feira, em Dortmund. Apesar de ser um jogo de relativa menor importância - já que a equipe está classificada -, o cuidado do treinador tem um motivo extra: em sua opinião, está chegando o momento mais difícil da Copa do Mundo.
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Parreira não descarta chance de entrar com mesmo time que pegou a Austrália
Para o comandante brasileiro, a etapa mais complicada do Mundial não é a final, nem a semifinal. São as oitavas e as quartas-de-final, os primeiros jogos eliminatórios. "Você pode perder em três jogos (na primeira fase) e depois não mais. Por isso as oitavas, e até as quartas, esse é o momento crucial da competição", avaliou o técnico.
A equipe que Parreira escalar contra o Japão terá peso maior por ser a última partida antes do momento chave da Copa já que, segundo o técnico, as duas primeiras fases de mata-mata são complicadas "na parte mental, no lado físico e no emocional".
Com estas variáveis em vista, Parreira é categórico ao dizer que já sabe o time que pega o Japão, mas não vai revelar os nomes. "Qualquer um dos 23, todos querem jogar, mas para nós não é definitivo", disse, ilustrando que ainda pode modificar o time no futuro da Copa independentemente do ânimo que os reservas ou titulares demonstrem durante a competição. "A decisão é nossa (da comissão técnica)".
Os jogadores reservas já expressaram publicamente o desejo de sair jogando. Juninho Pernambucano, por exemplo, deixou claro que se não entrar em nenhum jogo da Copa ficará decepcionado. Por outro lado, os titulares também disseram que querem atuar - nenhum quer correr o risco de perder a vaga.
Parreira comparou a situação atual com a da seleção brasileira na Copa de 1970. À época, a equipe estava classificada para a segunda fase após o segundo jogo, e foi levantada a hipótese de Zagallo, então treinador, poupar os titulares, inclusive Pelé. Na ocasião, Zagallo fez apenas uma alteração na equipe que venceu a Inglaterra por 1 a 0 para a que bateu a Romênia por 3 a 2: Rivellino deu lugar a Fontana, que foi para a zaga. Piazza foi deslocado para o meio-campo.
"É o óbvio ululante não ouvir os jogadores", sentenciou Parreira, preparador físico daquela delegação, lembrando que, em 1970, "eles treinaram quatro meses para fazer seis jogos, é lógico que queriam jogar".
Com isso, Parreira finalizou contando que não revelará aos atletas a escalação na véspera, como costuma fazer. "Eu gosto que a equipe vá dormir sabendo quem vai jogar, mas nesse jogo não vejo esta necessidade", disse. O técnico contou que vai se reunir com os atletas nesta noite para comentar a última partida e mostrar a estratégia para o próximo jogo, mas que "não há pressa" em revelar a escalação porque "a necessidade deste jogo (contra o Japão) é relativa".