Um novo capítulo de atrito de Pelé com a atual geração da seleção brasileira está consumado. Um dia depois do "Rei do Futebol" afirmar que está com um mau pressentimento em relação ao jogo contra a França neste sábado, Roberto Carlos respondeu com dureza, pedindo para o tricampeão mundial não se pronunciar.
EFE
Roberto Carlos apimenta relação da geração atual da seleção com Pelé
"O Pelé é vidente? Vou responder o que para o Pelé? Não tenho nada para falar com o Pelé. Ele representa muito para o nosso país, foi um dos jogadores mais importantes do mundo. Deixa ele falar, eu respeito. Mas se ele ficar tranqüilinho, para nós é melhor", disparou o lateral-esquerdo, que não costuma se esforçar para ser diplomático.
"É complicado. Aliás, todas as declarações do Pelé são complicadas. Com a bola nos pés, foi o melhor jogador de todos os tempos. Não sei se é melhor ele ficar quietinho, sentar no assento dele e ver todos os jogos. E não analisar só a seleção brasileira", completou Roberto Carlos.
Além dos atritos com a geração atual da seleção, Pelé vem construindo uma reputação internacional de "mau palpiteiro". Depois de erros de avaliação históricos como apostar na Colômbia como campeã de 1994 (saiu logo na primeira fase), nesta Copa o ex-jogador enalteceu o futebol do Equador (saiu nas oitavas-de-final, depois de perder para uma Inglaterra medíocre).
Por isso, Roberto Carlos foi irônico ao comentar nesta sexta-feira como repercutem as declarações de Pelé dentro do elenco da seleção brasileira: "A gente comemora".
Não sei se é melhor ele (Pelé) ficar quietinho, sentar no assento dele e ver todos os jogos. E não analisar só a seleção brasileira
Roberto Carlos, lateral da seleção brasileiraCerto ou não em seu palpite, Pelé já devia esperar por uma resposta nada amigável dos jogadores da seleção, com quem as relações há algum tempo vão de mal a pior. E cada declaração do "Rei" só deixa a possibilidade de uma reconciliação mais distante.
Em março deste ano, Pelé afirmou que problemas pessoais estavam atrapalhando Ronaldo dentro de campo. O atacante do Real Madrid rebateu dizendo que Pelé "foi um oportunista barato" e pediu que ele o deixasse em paz.
No início de junho, Pelé disse ao jornal britânico "The Times" que os atacantes tricampeões da seleção de 1970 eram mais organizados que os atuais.
A declaração repercutiu, e o técnico Parreira foi irônico: "Eu não consigo comparar 1970 com 2006. Tudo no mundo mudou muito, seja na medicina, seja no futebol. Fico feliz que o Pelé consiga fazer essas comparações, que ele tenha essa capacidade. Eu não consigo".
Na Copa de 2002, Pelé já tivera atritos com a seleção através da imprensa porque fizera críticas antes da Copa.
Quando o Brasil venceu a Alemanha na final e conquistou o pentacampeonato, Pelé apareceu no pódio no momento da entrega das medalhas e da taça. Os jogadores nitidamente ficaram desconfortáveis com a presença de quem os tinha criticado semanas antes.