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30/06/2006 - 19h06

Após 98, Brasil e França se revezam entre o topo e o caos

Daniel Tozzi e João Henrique Medice
Enviados especiais do UOL
Em Frankfurt (Alemanha)

EM 1998...

Reuters

A França chega ao topo

Juca Varella/Folha Imagem

O Brasil sai abalado com o vice

Títulos ou crise. Craques em alta ou no estaleiro. Vencedores das duas últimas Copas do Mundo e adversários neste sábado em Frankfurt, Brasil e França se revezaram entre o ápice e o fundo do poço do futebol mundial nos últimos oito anos.

A final da Copa de 1998 funciona como primeiro vértice das confirmações e crises das duas equipes. No Stade de France, o time europeu coroou impecavalmente seu projeto de enfim vencer o Mundial e enterrou a memória de duas ausências consecutivas em Copas.

Para o Brasil, sobrou um bastão carregado de problemas. Após o vice-campeonato mundial, a seleção, ainda tetracampeã, viveu três anos e meio de penúria com trocas de técnico, lesões de seus principais jogadores e até mesmo risco de ficar fora do Mundial de 2002. A única alegria foi o título sul-americano de 1999.

EM 2000...

AFP

A França ganhou a Eurocopa

Juca Varella/Folha Imagem

O Brasil de Luxemburgo desabou

E foi justamente nesse período entre as Copas de 1998 e 2002 que os franceses viveram uma fase de vitórias sem precedentes com sua seleção. "Acho que em termos de qualidade individual, talvez seja a equipe, ao lado do Brasil e da Argentina, que mais tenha jogadores", avaliou Carlos Alberto Parreira sobre a atual geração francesa.

Não por acaso, boa parte do time que está na Alemanha faz parte do grupo que transformou nos campeões mundiais, europeus (venceram a Eurocopa-2000) e da Copa das Confederações, em 2001.

Eleito pela Fifa como o melhor do mundo em 1998 e 2000, Zinedine Zidane foi coroado como novo rei do futebol.

EM 2002...

Reuters

A França dá vexame na 1ª fase

Reuters

E o Brasil conquista seu penta

Do outro lado, o Brasil sofria com vexames nas eliminatórias, na Copa América-2001 - quando perdeu para Honduras - e com as lesões de Ronaldo, inativo por quase dois anos.

Às vésperas do Mundial de 2002, a expectativa era de uma França mais uma vez campeã.

Mas uma lesão de Zidane poucos dias antes da estréia e um resultado inesperado na estréia - derrota para Senegal - resultou na pior campanha de um campeão na história. Foram duas derrotas, um empate e nenhum gol marcado.

Já o Brasil contou com o renascimento de Ronaldo e a recuperação de Rivaldo para vencer a competição e abrir uma série de anos de conquistas. Em 2004, foi a Copa América e, no ano passado, a Copa das Confederações. De quebra, pela primeira vez em 20 anos a seleção se classificou para o Mundial antes da rodada decisiva das eliminatórias.

EM 2004...

AFP

Derrota francesa para os gregos

AFP

Vitória do Brasil na Copa América

Após o Mundial da Ásia, foi a vez da França conviver num quadriênio de problemas. Além do fiasco na Euro-2004, a equipe teve que aturar a despedidas temporárias de Zidane e Makelele, a troca de técnicos - Roger Lemerre por Jacques Santini e depois por Raymond Domenech - até conseguir garantir a vaga na Alemanha. Mas isso depois de alguns tropeços e dos retornos emergenciais dos ídolos.

Mas, assim como Brasil, os franceses também tiveram o seu consolo - a Copa das Confederações-2003. O mesmo papel tem desempenhado a vitória contra a Espanha, que fez a imprensa francesa ver a classificação às quartas como um momento de redenção.

"Gigante!", estampou o "Le Parisien", com uma foto de página inteira do meia Franck Ribery celebrando com Zinedine Zidane, autor do gol da vitória contra a Espanha nas oitavas-de-final. "Agora, realmente assistimos aos 'Les Bleus'", disse a publicação. "Estamos no jogo de novo", veiculou o "Liberation". "O momento épico de 1998 poderá ser repetido?".

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