Quinquilharias, bugigangas, mercadorias temáticas, produtos de ocasião ou kits patrióticos. Chame como queira. De quatro em quatro anos, a Copa do Mundo motiva o lançamento de objetos para aproveitar a onda verde-e-amarela.
| UNIFORMIZADOS |
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 | Kit de sachês e sabonetes traz fragrâncias criativas, entre elas a de caipirinha. Previsão é de boas vendas. |
 | O relógio recém-lançado da Nike vem com as cores e o brasão da seleção. Alto preço não assusta consumidores. |
 | A Brahma Beer chega com nova roupagem e também com novo líquido. Produzida com receita alemã, cerveja é mais clara. |
 | Para conservar o "combustível" sempre gelado, a Art Brazil lança chopeira verde e amarela para chamar a atenção do torcedor. |
 | A camisa oficial da seleção ainda é objeto de desejo devido ao preço. Mesmo assim, os estoques estão acabando nas lojas |
Se não, como explicar que uma pessoa compre um relógio com o emblema da sempre polêmica CBF ou que uma garota precise adquirir uma lingerie com a bandeira nacional para despertar o desejo do namorado?
As cores da seleção proliferam por vitrines e prateleiras de lojas e supermercados e também pelas barracas de camelôs. De sabonetes a automóvel, é possível se sintonizar no ano em que se respira futebol.
Até a Páscoa está mais nacionalista -só na embalagem, afinal, o chocolate, para alívio geral, continua marrom. A Kraft Foods lançou o ovo "Lacta Rumo ao Hexa". A Garoto também pegou carona no evento com a campanha "Goleada de Páscoa", com a tradicional caixa de bombons estampando a tabela de jogos do torneio da Alemanha, além de diversas curiosidades sobre os Mundiais de todos os tempos.
Objeto de desejo para muitos torcedores, a camisa oficial da seleção está à venda desde o início de março. Entretanto, "vestir" a Copa não é para qualquer um. Confeccionada pela Nike, a camisa tem o salgado preço de R$ 179 (mais do que meio salário mínimo). Mas, para a faixa mais afortunada da população, está barato: nas lojas de artigos esportivos, os estoques já não estão dando conta da demanda.
A galope está a procura pela histórica camisa 10, que este ano vestirá o craque Ronaldinho Gaúcho. Para os que quiserem personalizar, é possível comprar a camisa lisa e estampar qualquer número e nome por R$ 20.
O fabricante comemora. "Na última Copa, as vendas triplicaram. Nesse ano, por causa do ótimo desempenho do Brasil na fase classificatória e pela ótima aceitação da camisa pelos consumidores, acreditamos que as vendas podem quadruplicar -em relação às vendas de um ano sem Copa do Mundo", afirma Kátia Gianone, gerente de comunicação da Nike do Brasil.
A Nike também aposta em outros acessórios, como um relógio de pulso nada discreto que traz as cores nacionais e o símbolo da CBF. Mas o mimo é só para quem tem R$ 610 para desembolsar.
Longe do nicho de produtos licenciados, a empresa Aromas e Cia lançou uma linha de banho completa com a cara (e o cheiro) do Brasil. A fragrância dos produtos é, por incrível que pareça, de caipirinha. Nos últimos dias, 90% dos pedidos da empresa foram para a nova linha. "Esses eventos sazonais alavancam as vendas. É preciso aproveitar", afirma a proprietária Rosana Hollo.
Continuando no tema bebida alcóolica, a Ambev acaba de lançar a Brahma Bier, uma cerveja que promete deixar o paladar local com um gosto mais alemão. "Geralmente lançamos rótulos alusivos ao Mundial, mas esse ano resolvemos inovar. Pela primeira vez, lançamos também uma nova bebida, produzida com receita alemã", explica Vivian Serebrinic, gerente de marketing de inovações da empresa patrocinadora da CBF.
Para a festa ficar completa, a Art Brazil lançou uma chopeira verde e amarela. A Hexa 13 é confeccionada em alumínio e possui um reservatório de três litros para abrigar a "loura gelada". Para festejar ou afogar as mágoas, a Copa é sempre motivo para um trago.
Só lembre-se que, se beber demais, é melhor não dirigir. Muito menos se você tiver um Gol Copa novinho na garagem. O quarto automóvel da série que homenageia a seleção brasileira já está à venda, a partir de R$26.450,00. "É uma série tradicional da Volkswagen. O objetivo é usar a Copa do Mundo para agregar esportividade ao carro", explica Paulo Kakinoff, diretor de Vendas e Marketing da Volkswagen do Brasil.
Se as corporações se aproveitam do evento, o comércio informal não faz diferente. Na popular rua 25 de março paulistana, criatividade é pouco para chamar a atenção de quem passa. Para dar sorte à seleção, vale levar desde guarda-chuva estampado até calcinhas em verde-e-amarelo.
No Largo da Batata, no bairro de Pinheiros, na capital paulista, os camelôs, além de disputarem espaço nas calçadas, lutam também pelo interesse da freguesia com uma variedade de produtos bicolores de impressionar.
São pulseiras, brincos, bandanas, bolsas, bolas, gorros, bandeiras, camisetas, chinelos, porta-cds e até o cofrinho em forma de "porco torcedor" do ambulante Luis Rodrigues da Silva. "Já vendi na Copa passada e foi um sucesso. E parece que esse ano vai se repetir, pois tenho vendido uns dez por dia", festeja o camelô com mais de dez anos na atividade.
"Seu Luis" acha que as vendas são bom presságio para o Brasil faturar o hexa. "O Brasil ganhando e dinheiro no bolso, ou melhor, no cofre, é felicidade demais!", diz.