Se houvesse uma Copa do Mundo só para dentuços, o Brasil seria certamente campeão com o ataque dos Ronaldinhos. Mas, nos Mundiais alternativos de futebol já existentes, o país tem tanto ou mais concorrência que na competição que começa no próximo 9 de junho na Alemanha.
AFP
Cerca de 4.000 pesquisadores se reúnem na RoboCup todos os anos.
Atualmente no planeta, há Copas de robôs humanóides, de anões, de menores infratores, de moradores de rua e de videogames de futebol. Há também os que modificam a superfície de disputa, como a Copa no pântano, versão finlandesa do futebol de areia.
Paralelamente à tentativa brasileira de conquistar o hexa, ocorrerá também no país da cerveja a RoboCup 2006 (Copa dos Robôs). O torneio, que está em sua nona edição, será realizado na cidade de Bremen, entre 14 e 20 de junho.
O objetivo do evento é promover progresso e intercâmbio de pesquisas científicas sobre robótica e inteligência artificial. A longo prazo, mais especificamente em 2050, os pesquisadores sonham com uma seleção de robôs que vença os humanos.
Na competição, os times são divididos em várias categorias, como robôs pequenos e médios, máquinas com quatro pernas e modelos humanóides. A melhor colocação brasileira foi em 1998, na França, quando o time de robôs formado pela USP e Unesp conquistou o segundo lugar na categoria de cubos de 7,5 cm.
Esse ano, o Brasil será representado pela equipe de pesquisadores do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). "Ganhamos os campeonatos brasileiro e latino-americano de 2005 na modalidade simulação, e vamos para a Alemanha com boas chances de vitória", diz, confiante, Jackson Matsuura, coordenador da equipe de competições de robótica do ITA.
Em dois tempos de cinco minutos, os robozinhos jogam indepentemente da ação de seus inventores, com softwares desenvolvidos para as caracteríticas de cada posição. "Não podemos mexer neles, seja para trocar bateria ou consertá-los. Se quebrar, é desfalque na certa", afirma Matsuura.
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O brasileiro Thiago de Azevedo venceu campeonato mundial de game da Fifa
O Brasil já provou também que pode se destacar no futebol virtual, quando o carioca Thiago Carriço de Azevedo, 23, venceu o campeonato mundial do game oficial da Fifa, realizado em dezembro de 2004, em Zurique, na Suíça. O curioso é que garoto roliço ergueu seu troféu na mesma cerimônia que premiou Ronaldinho Gaúcho como o melhor do mundo. Em 2005, ele não se classificou e é incógnita para este ano também -o evento acontece no segundo semestre segundo a fabricamente do game.
Passando da tecnologia para as mazelas sociais, organizada pela Rede Internacional de Jornais de Rua (INSP, sigla em inglês), a Homeless World Cup chega a sua quarta edição este ano. Na Copa para moradores de rua, o jogo é uma autêntica pelada, onde o gol é um caixote, e a bola não sai pela lateral. Depois de Graz, na Áustria (2003), Gotenburgo, na Suécia (2004) e Edinburgo, na Escócia (2005), a próxima cidade a receber as disputas será a Cidade do Cabo, na África do Sul, entre os dias 24 e 30 de setembro deste ano.
A equipe brasileira será formada por 10 pessoas, sendo oito "jogadores", um técnico e um cartola. "Realizaremos um torneio em abril com a participação de vários albergues para escalarmos o time. Lembrando que damos mais importância a valores sociais do que necessariamente à técnica dos jogadores", explica Guilherme Araújo, presidente da revista
Ocas, vendidas por moradores de rua. No ano passado, a equipe brasileira ficou em 15º lugar entre as 26 seleções participantes.
Em novembro, quando Copa da Alemanha já será passado, o palco das disputas será a areia de Copacabana, na Copa do Mundo de Beach Soccer, promovido pela FIFA. A modalidade, que surgiu no Brasil e tornou-se oficial por aqui em 1998, tem algumas diferenças em relação ao original.
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Seleção que representou o Brasil em 2005 na Homeless Cup, na Escócia.
Com o piso irregular, o jogo fica mais aéreo (privilegiando lançamentos, voleios e bicicletas) e é uma seara para ex-jogadores atrás dos holofotes e de uns trocos após a aposentadoria. Outra característica é que brasileiros estão espalhados por todos os times.
É assim também na Copa na lama, mas, nesse caso, são os finlandeses que vestem camisa de todos os países para disputá-la. Na cidade de Hyrynsalmi, no norte da Finlândia, desde 1998 os verões não têm sido mais os mesmos - ou pelo menos não tão limpos. A cidade, que fica a 600 km da capital Helsinque, abriga a maior e melhor arena de futebol na lama (swamp soccer) do mundo: são nada menos do que 15 "quadras" de barro macio e molhado, prontinhas para receber mais de 500 partidas entre cerca de 300 times do mundo todo.
As regras são bem parecidas com as do futebol tradicional, e os times podem ser formados por pessoas de diferentes idades, nacionalidades e sexos. Os organizadores avisam que é preciso ter bom preparo físico para aguentar os três dias de deus-nos-acuda. Estima-se que os atletas percam cerca de 20.000 litros de suor durante o torneio.
Não tão frequente como os eventos anteriores, o "World Dwarf Games" (Jogos Mundiais de Anões) também tem, entre as suas dez modalidades, o futebol. Para estar apto a disputar os jogos, é preciso ter um pré-requisito básico: no máximo 1,48m de altura.
Comprovando a velha tese de que tamanho não é documento, os sete jogadores (o número não poderia ser mais adequado!) disputam as partidas em um campo de dimensões semelhantes às tradicionais. Já o gol e a bola são menores, respeitando as características diminutas dos atletas.
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Cerca de 300 times se aventuram no futebol de brejo realizado na Finlândia.
A última edição do Mundial foi realizada em julho de 2005, na cidade de Rambouillet, na França, e tudo indica que Belfast, na Irlanda do Norte, deve abrigar a próxima edição, em 2009.
Os atuais campeões no futebol são os ingleses. "Eles são baixos e por isso não correm tão rápido, mas têm muita técnica", afirma o técnico da Inglaterra, David Martin. Diferente das estrelas da seleção, os anões brasileiros nunca participaram de um Mundial. Segundo o portador de nanismo Hélio da Silva Potter, presidente da ONG Gente Pequena do Brasil, única associação voltada aos anões de que se tem notícia no país, a classe ainda não é unida o suficiente para que sejam organizados times e competições.