
A Budweiser pode ser chamada de campeã das cervejas nos Estados Unidos, mas a marca é ridicularizada na Alemanha, onde será uma das duas cervejas disponíveis nos estádios de futebol durante a Copa do Mundo.
Como patrocinadora oficial do torneio, que começa em 9 de junho e terá um mês de duração, a Anheuser-Busch -- que fabrica a Budweiser -- ganhou os direitos de monopólio das vendas de cerveja nos 64 jogos da Copa em 12 cidades alemãs.
Mas a decisão irritou os orgulhosos apreciadores de cerveja da Alemanha. Muitos deles não gostam do sabor mais fraco das bebidas dos Estados Unidos. A emissora de televisão alemã n-tv resumiu a reação do país em seu site: "Um grito cruzou o país".
A empresa de St. Louis ouviu o clamor e cedeu, concordando em dar 30 cento dos direitos de venda para a cervejaria Bitburger, pertencente a uma família alemã, que poderá comercializar sua marca popular Bitburger Pils, mais conhecida como "Bit".
"Obviamente nós lemos os artigos e sabemos o que está na mídia... O torcedor alemão, o consumidor alemão tem grande orgulho das cervejas locais", disse à Reuters por telefone Tony Ponturo, vice-presidente da Anheuser-Busch.
De acordo com números do governo, cerca de 1.200 cervejarias alemãs produzem mais de 115 milhões de hectolitros da bebida por ano, a maioria para exportação.
A Alemanha é o terceiro maior mercado de cerveja do mundo, depois dos EUA e da China, e os alemães tomam cerca de 140 litros per capta de cerveja por ano -- bem acima dos norte-americanos. Somente tchecos e os irlandeses bebem mais.
A Anheuser-Busch vende sua cerveja na Alemanha com o nome "Anheuser-Busch Bud". Ela foi proibida de usar "Budweiser" e "Bud", porque a primeira marca está em disputa jurídica com a empresa tcheca Budweiser Budvar e a segunda, em briga com a Bitburger.
Mas o acordo da Copa do Mundo convenceu a Bitburger -- que vinha argumentando que "Bud" soa como "Bit" -- a suspender temporariamente a disputa legal, permitindo que o nome Bud apareça nos estádios da Copa.
"Conseguimos fazer um acordo com a Bitburger que nos permitirá usar 'Bud' nos cartazes, o que acho que certamente nos valoriza", disse Ponturo.
"Insulto"
O resultado desta diplomacia da cerveja é que cerca de 2 milhões de alemães e um milhão de estrangeiros poderão escolher entre a tradicional pilsner alemã e a norte-americana, mais leve.
Mas o acordo não silenciou todos os críticos alemães da Bud. O estudante universitário de Berlim Johannes Schnitter está coletando frases negativas sobre a Bud e as divulgando em seu site.
"Um insulto a todos os verdadeiros amantes de cerveja, do sabor e do futebol", diz Schnitter sobre a Bud e sua escolha para a Copa.
"Não acho apropriado para a Alemanha receber o mundo no nosso país com esta pseudo-cerveja", disse ele.
A Anheuser-Busch patrocina Copas do Mundo desde 1986 e disse na semana passada que também vai apoiar os torneios em 2010 e 2014. A empresa pagou 40 milhões de dólares para ser um dos 15 patrocinadores da Copa de 2006.
A Bitburger, de 188 anos, vai receber quase um terço das concessões na Copa, mas não tem direitos de propaganda. "Como parceiros da Associação Alemã de Futebol (DFB), não queríamos ser excluídos de uma Copa do Mundo na Alemanha", disse o porta-voz da empresa, Dietmar Henle.
A Anheuser-Busch, maior cervejaria dos EUA e terceira maior do mundo, depois da Inbev e da SABMiller, espera que sua presença na Copa melhore sua imagem na Alemanha.
"Entendemos que o sabor é uma parte importante da cerveja e que os europeus, principalmente os alemães, gostam de um tipo de produto mais forte e amargo", explicou Ponturo.
Ironicamente, a Anheuser-Busch tem raízes alemãs. A empresa foi erguida em St. Louis, em 1875, pelo imigrante alemão Adolphus Busch e pelo seu sogro, Eberhard Anheuser.
A Anheuser-Busch, que tem menos de 7 por cento da sua receita em vendas fora dos EUA, quer expandir sua participação no lucrativo mercado alemão e Ponturo espera que o sabor da cerveja torne-se algo a seu favor.
"As pessoas mais jovens estão viajando e tornando-se mais parte de uma sociedade global, e talvez o gosto pela cerveja mude", disse.
Mas isso pode levar um bom tempo.
As cervejarias alemãs seguem regras de pureza datadas de 500 anos atrás, desde a lei do duque Wilhelm IV, de 1516, permitindo que a cerveja só possa ser feita a partir de quatro ingredientes: cevada, levedura, lúpulo e água.
A Budweiser tem um ingrediente extra -- arroz. A empresa diz que isso dá "sua característica leveza, crespidão e sabor refrescante".
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