
Propagandas com o meia-atacante do Barcelona jogando bola quando criança ou correndo atrás de um desodorante tornaram-se corriqueiras nos veículos de comunicação brasileiros. Recentemente, uma pesquisa mostrou que sua imagem vale mais do que a do inglês David Beckham, até então absoluto como estrela do marketing internacional.

A popularidade de Ronaldinho Gaúcho é tão grande que ele proporcionou a realização de um leilão pelo hotel que hospedará a seleção brasileira na cidade de Weggis (Suíça). Os vencedores passarão uma note no quarto no dia 3 de junho, horas depois de os jogadores deixarem o hotel. O leilão já foi lançado em um site, e a maior oferta até o momento foi de 502 francos suíços (RS 887). As diárias normais do hotel de alto padrão para os quartos escolhidos pela seleção variam entre R$ 850 a R$ 1.400 cada. Leia mais
Mas essa superexposição é benéfica para o craque? Ele não estaria deixando sua imagem ser banalizada com tantos comerciais? Essas questões levantam polêmica até entre profissionais da publicidade.
"Eu acho que ele está fazendo comerciais demais. Não sei até que ponto ele está gastando com comerciais o tempo em que poderia estar treinando, mas essa superexposição está virando recorrente na publicidade e é ineficaz. Se você começa a fazer as mesmas coisas dos outros, não tem o mesmo impacto", afirmou à Reuters o diretor de criação da agência Fallon, Eugênio Mohallem.
"(A imagem dele vai) ficar 'carne de vaca'. Para o anunciante vai ser sempre caro e para o consumidor vai ser cada vez menos impactante. Perde a eficiência da imagem dele", acrescentou Mohallem.
Em março, a consultoria BBDO Germany avaliou que a imagem de Ronaldinho vale 47 milhões de euros (56,4 milhões de dólares), a de Beckham, 44,9 milhões de euros e a do também inglês Wayne Rooney, 43,7 milhões.
ASSOCIAÇÃO COM O PRODUTO
Mohallem defende a tese de que a imagem de Ronaldinho Gaúcho é tão usada que o público já não associa mais o jogador ao produto que ele está anunciando, mas há opiniões conflitantes.
"Acho que essa perda não ocorre. Ele é o maior jogador de futebol do mundo. Estamos falando da exceção da exceção da exceção. A Fifa tem mais países-membros do que a ONU", afirmou Dalton Pastore, presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap).
Atualmente, Ronaldinho é a estrela de comerciais como do banco Santander, Rexona, Kibon, Pepsi, Gatorade, Nike e Oi. Ele terá inclusive produtos feitos exclusivamente com base na sua imagem, como um picolé que leva o seu nome e tem as cores verde e amarela.
"Acho que a grande pressão que ocorre em cima dele é o fato de ser o melhor jogador do mundo, e não porque a empresa A ou B fez uma campanha ou duas com ele. Ele tem um compromisso com a humanidade", disse Pastore.
Seja qual for o resultado comercial que Ronaldinho trará para os seus patrocinadores, há pelo menos uma certeza no mercado publicitário: se o Brasil for hexacampeão com o meia como destaque, a imagem de Ronaldinho ficará intensamente presente no cotidiano do brasileiro por mais algum tempo.
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